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Cervi trouxe o (J)amor para Pizzi fugir do escárnio e maldizer (a crónica do Famalicão-Benfica)

Cervi voltou ao onze para assistir Pizzi e ser o melhor do Benfica em Famalicão. Num jogo de poucas ideias da equipa de Bruno Lage, os encarnados garantiram o regresso à final da Taça de Portugal.

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O argentino assistiu o português para o único golo do Benfica na partida

LUSA

O argentino assistiu o português para o único golo do Benfica na partida

LUSA

Em semana de Dia dos Namorados, a noite desta terça-feira era quase um encontro entre dois encalhados. No fundo, encontravam-se as duas equipas que sofreram as maiores desilusões no passado fim de semana, as duas equipas que passaram as noites mais mal dormidas do passado fim de semana e as duas equipas que tiveram de abrir um novo capítulo depois do passado fim de semana. Famalicão e Benfica, dois dos quatro semi-finalistas da Taça de Portugal, voltavam a cruzar-se uma semana depois — mas muito aconteceu no espaço temporal dos últimos sete dias.

Há uma semana, as equipas de João Pedro Sousa e Bruno Lage cruzaram-se na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal: o Benfica abriu o marcador, o Famalicão chegou a estar a ganhar mas Rafa voltou a entrar em campo para resolver e colocar os encarnados em vantagem na eliminatória. Uma semana depois, o Famalicão já foi brutalmente goleado em casa pelo V. Guimarães (os vimaranenses venceram por 0-7) e o Benfica já falhou o xeque-mate ao Campeonato ao perder no Dragão com o FC Porto. Depois de duas desilusões amorosas, os dois encalhados voltavam a encontrar-se. Mas desta vez, o fim dos 90 minutos significaria o fim da relação para um dos lados.

Ficha de jogo

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Famalicão-Benfica, 1-1

Meias-finais da Taça de Portugal

Estádio Municipal de Famalicão, em Famalicão

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto)

Famalicão: Vaná, Ivo Pinto (Walterson, 68′), Riccieli, Patrick, Cly, Gustavo Assunção, Pedro Gonçalves (Schiappacase, 76′), Racic, Diogo Gonçalves, Fábio Martins (Rúben Lameiras, 85′), Toni Martínez

Suplentes não utilizados: Defendi, Guga, Ofori, Rúben Lameiras, Roderick

Treinador: João Pedro Sousa

Benfica: Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Florentino, Taarabt, Cervi (Samaris, 86′), Rafa (Chiquinho, 65′), Vinícius (Seferovic, 90+1′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Nuno Tavares, Jota, Dyego Sousa

Treinador: Bruno Lage

Golos: Pizzi (24′), Toni Martínez (78′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Racic (22′), a Taarabt (28′), a Pedro Gonçalves (45+5′), a Cervi (60′), a Tomás Tavares (63′), a Fábio Martins (71′), a Vlachodimos (85′), a Carlos Vinícius (90+1′), a Coly (90+4′)

O Benfica só precisava de um empate para chegar à final do Jamor, o Famalicão precisava de ganhar para fazer (ainda mais) história. Depois da derrota no Dragão, que deixou à vista as fragilidades da equipa encarnada, Bruno Lage reconheceu que o grupo soube “esconder os problemas” durante um ano e que seria necessário — principalmente tendo em conta que ainda mantém uma vantagem de quatro pontos para o FC Porto — continuar a série vitoriosa que vinha a arrastar-se até ao Clássico. E essa continuação passava pela confirmação da presença no Jamor: André Almeida saiu do Dragão em dificuldades, Gabriel continua a braços com um problema ocular, Weigl nem sequer aparecia na ficha de jogo por opção e Lage entrava em campo com Tomás Tavares, Taarabt e ainda Florentino, que regressava aos relvados mais de mês e meio depois. Cervi, uma das ausências mais notadas contra o FC Porto, voltava ao onze e Chiquinho começava no banco.

João Pedro Sousa regressava à ordem natural das coisas depois de ter assumidamente poupado a equipa no jogo que acabou por terminar com uma goleada surpreendente e o Famalicão procurava, no mínimo, aquilo que fez na Luz: marcar golos, causar problemas e não facilitar a vitória encarnada. Mostrou isso desde os primeiros instantes, entrando de forma descomplexada e com as linhas algo distantes, oferecendo muita mobilidade aos três elementos da frente e procurando regularmente a profundidade. Do outro lado, o Benfica arrancava a um ritmo morno e algo incaracterístico que acabou por adormecer jogo — a0s 15 minutos, ainda não existiam oportunidades, ainda não existiam remates e ainda não existiam lances de perigo.

Nenhuma das equipas parecia querer desequilibrar-se de forma evidente e o Famalicão ia atacado de maneira prudente, ainda que maioritariamente a partir da ala direita, onde Ferro voltava a estar algo instável na hora de fazer a dobra às subidas de Grimaldo. A diferença para o jogo com o FC Porto, porém, era a presença de Cervi: o jogador argentino, que não estava contra os dragões, aparecia entre o lateral e o central a ocupar os espaços interiores que Diogo Gonçalves procurava explorar e não dava azo a grandes incursões do avançado que ainda pertence aos quadros do Benfica.

O jogo acelerou q.b a partir do minuto 20, altura em que as duas equipas conseguiram aproximar-se das balizas adversárias e obrigar os dois guarda-redes aos primeiros calafrios. O Benfica, com uma eficácia bem acima da média, acabou por conseguir colocar-se a ganhar e engrossar a vantagem na eliminatória na primeira oportunidade que criou: Pizzi recuperou a bola à entrada da área adversária, Carlos Vinícius cruzou para a pequena área a partir da esquerda, Cervi tocou de calcanhar para trás e Pizzi só teve de encostar para a baliza deserta (24′). O capitão encarnado, muito criticado pela exibição contra o FC Porto, marcava o 22.º golo da temporada, o quinto na Taça de Portugal e tornava-se desde já o primeiro a marcar nas duas mãos das meias-finais.

Depois de ficar em desvantagem, o Famalicão foi à procura do resultado e estendeu-se no relvado, alargando a equipa não só num ponto de vista horizontal como vertical, procurando sempre a profundidade de Diogo Gonçalves e de Fábio Martins nas alas, com especial preferência pelo primeiro e pelo respetivo corredor direito. O Benfica recuou depois do golo de Pizzi e permitiu um ascendente da equipa de João Pedro Sousa, que só não empatou antes do intervalo porque Vlachodimos se encarregou pessoalmente de evitar o golo do Famalicão. O guarda-redes grego começou por parar um remate de Toni Martínez com o pé (34′), depois de um erro crasso de Ferro, e depois desviou uma tentativa de Diogo Gonçalves, que passou por três defesas já no interior da grande área (39′).

O Famalicão ainda festejou o empate na primeira parte — Patrick aproveitou um alívio no seguimento de um livre para fazer um bonito chapéu a Vlachodimos (45′) — mas o lance acabou anulado por fora de jogo de Gustavo Assunção, depois de Jorge Sousa esperar pela consideração do VAR. Na ida para o intervalo, o Benfica tremeu com os dez minutos de pressão adversária mas estava a conseguir, de uma forma global, fazer aquilo que nunca fez em 90 minutos contra o FC Porto: pressionar a primeira fase de construção oposta, lançar vários elementos nessa reação à perda de bola e aproveitar o que Cervi tem de melhor, desde as valências ofensivas à competência defensiva.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Famalicão-Benfica:]

Na segunda parte, nenhum dos treinadores fez qualquer alteração e foi o Famalicão a entrar melhor, obrigando novamente Vlachodimos a várias intervenções de relevo: Toni Martínez cabeceou a rasar a trave (39′), Fábio Martins atirou à figura depois de Pedro Gonçalves fazer o primeiro remate (50′) e Rancic disparou ao lado (51′). As três oportunidades praticamente seguidas encostaram o Benfica às cordas mas a equipa de Bruno Lage soube recuperar a posição e colocar-se novamente numa fase adiantada do relvado, de forma a impedir o crescimento do Famalicão na partida.

Apesar da insistência da equipa de João Pedro Sousa, que por intermédio de Fábio Martins e Pedro Gonçalves ia sempre conseguindo entrar no último terço encarnado — que voltou a demonstrar inúmeras fragilidades –, o Benfica foi sabendo arrefecer o jogo. A partida caiu em ritmo e intensidade e os encarnados mostravam continuamente que iriam procurar cada vez mais guarda a posse de bola e arrastar o encontro até ao apito final sem correr grandes riscos. O risco maior, porém, era mesmo o lado esquerdo da defesa: a bola voltou a entrar em Diogo Gonçalves entre Grimaldo e Ferro, o avançado cruzou para a pequena área e Toni Martínez apareceu a desviar para o empate (78′). A cerca de dez minutos do fim, o Famalicão só precisava de um golo para carimbar o histórico passaporte para a final do Jamor.

O golo decisivo, contudo, acabou por não aparecer. O Benfica foi a Famalicão ganhar pela margem mínima, sofreu golos pelo quarto jogo consecutivo e marcou no único remate enquadrado que fez à baliza de Vaná. Numa segunda mão que acabou por confirmar o regresso à final da Taça de Portugal depois de três anos de ausência, a exibição da equipa de Bruno Lage voltou a ser sofrível e só tem laivos mais positivos devido ao resultado final da eliminatória. Cervi, porém, não pode ser embrulhado na escassez de ideias geral: o argentino fez uma assistência, cumpriu uma grande primeira parte e foi dos poucos que na segunda quis fazer mais do que defender o resultado. E com tudo isso, acabou por ajudar Pizzi a fugir das críticas das últimas semanas, das críticas depois do jogo com o FC Porto e das críticas que dizem que só aparece nas partidas de menor dificuldade. Mas histórias à parte, o Benfica está na final da Taça de Portugal e fica à espera de saber se encontra FC Porto ou Académico de Viseu na final do Jamor.

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