A população mundial de priolo, ave endémica de São Miguel, nos Açores, “mantém-se estável, com cerca de mil indivíduos”, segundo o Atlas do Priolo deste ano, após ter sido afastado o risco de extinção, foi divulgado esta quinta-feira.

Segundo um comunicado da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), espécie exclusiva da ilha de São Miguel, no início do século XXI esta ave “estava à beira da extinção”, mas após duas décadas de trabalho de conservação, incluindo a recuperação da floresta Laurissilva, foi possível “inverter esse cenário”.

A SPEA adianta que os resultados do Atlas do Priolo 2026 indicam que “a população mundial de priolo (Pyrrhula murina) mantém-se estável, com cerca de 1000 indivíduos”.

Em junho, mais de 70 voluntários e técnicos da SPEA-BirdLife percorreram toda a área de distribuição da espécie, registando as aves em cerca de 300 pontos de contagem em simultâneo. Vindos de nove países, os voluntários receberam formação especializada para garantir a qualidade dos dados recolhidos.

Citado no comunicado, Tarso Costa, técnico da SPEA-BirdLife e coordenador do V Atlas do Priolo, sublinha que “a participação dos voluntários é fundamental” para a monitorização de toda a população “numa única manhã”.

“O seu empenho permite-nos recolher dados essenciais para acompanhar a evolução do priolo e orientar o nosso trabalho de conservação”, destaca ainda o coordenador.

Realizado de quatro em quatro anos, o Atlas permite acompanhar a população de priolo e a sua distribuição geográfica ao longo do tempo.

De acordo com a SPEA, os resultados confirmam, por exemplo, a presença regular de priolos em Pico Verde/Pico da Vara, uma zona, na ilha de São Miguel, onde a Laurissilva foi restaurada em 2004, no âmbito do projeto LIFE Priolo coordenado pela SPEA-BirdLife.

No terreno, a SPEA-BirdLife continua a desenvolver ações de conservação nesta área, através do projeto LIFE IP Azores Natura, coordenado pelo Governo Regional para preservar as condições favoráveis à espécie, segundo a SPEA.

A organização científica destaca que “a monitorização da distribuição é essencial, uma vez que a perda de habitat é uma das principais ameaças ao priolo“.

“Nós sabemos que a ameaça ao habitat é o principal problema para a espécie. Então, se virmos que ela está a perder área, isso será preocupante”, salienta Tarso Costa.

Além do Atlas, a SPEA utiliza também métodos complementares, como monitorizações anuais e gravadores de áudio que permitem “detetar a presença das aves de forma automatizada ao longo do ano”.

De acordo com a SPEA, em 2026 os voluntários do Atlas do Priolo apoiaram também a instalação daqueles equipamentos, contribuindo para dar continuidade à recolha de dados depois de regressarem a casa.

O coordenador do V Atlas do Priolo sublinha que foi possível “salvar o priolo da extinção”, mas alerta que “o trabalho não terminou“.

“Continuar a proteger a Laurissilva e a monitorizar esta ave única é essencial para garantir o seu futuro, que é importante para as pessoas que aqui vivem”, defende Tarso Costa, no mesmo comunicado.

A SPEA realça ainda que a conservação do priolo tem também “benefícios para as comunidades locais”.

No caso das Terras do Priolo, o trabalho contribuiu para dinamizar a economia, incentivar o turismo sustentável e valorizar a floresta nativa, “mostrando que a conservação da natureza pode ser uma oportunidade para melhorar o bem-estar das pessoas“, assinala.