Em 2000/01, na “ressaca” da quebra de um jejum de 18 anos sem ganhar o principal título nacional, o Sporting estabeleceu um novo máximo de derrotas no clube em jogos oficiais – 15, entre Campeonato (dez), Champions (quatro) e Taça de Portugal (uma). Inácio, que se tornara apenas a quarta figura do clube a ser campeã como jogador e treinador depois de Juca, Fernando Mendes e Mário Lino, começou a temporada no comando, Fernando Mendes fez a ponte, Manuel Fernandes acabou a época. Em 2012/13, na pior temporada de sempre dos leões que terminaram no sétimo lugar, esse registo foi igualado – 15, entre Campeonato (dez), Liga Europa (três), Taça de Portugal (uma) e Taça da Liga (uma). E aí, num capítulo quase inédito no clube verde e branco, houve mesmo quatro treinadores entre Ricardo Sá Pinto, Oceano, Frank Vercauteren e Jesualdo Ferreira.

Na presente época, o Sporting encontra-se apenas a uma derrota desse pior registo de sempre, entre desaires a contar para Campeonato (sete), Liga Europa (três) Taça da Liga (duas), Taça de Portugal (uma) e Supertaça (uma), e já teve três elementos diferentes a passar pelo banco entre Marcel Keizer, Leonel Pontes e Silas. Nas próximas 24 horas, com os leões a deslocarem-se a Famalicão, um destes pressupostos vai mudar. Ou mesmo os dois.

Qualquer que seja o resultado no fecho da 23.ª jornada da Primeira Liga, Silas irá reunir com a administração da SAD do Sporting esta quarta-feira. Apesar de nunca ter havido da parte do treinador qualquer sinal de “choque”, as relações entre as partes há muito que deixaram de ser como no arranque por variados motivos entre os próprios resultados desportivos, as operações no mercado de inverno, a falta de perspetivas futuras e as poucas presenças para defesa do grupo e da equipa técnica. Também por isso, como o Observador explicou na sexta-feira, não será complicado chegar a acordo para uma saída antecipada (antes de maio) de Silas, sendo certo que, de acordo com o pensamento do treinador, dificilmente uma nova solução conseguirá estabilizar a equipa.

O mais importante é focarmo-nos no jogo. Tudo o que se diz, se fosse comentar não faria outra coisa… Há uma coisa que é verdade: entrei no Sporting com 10 anos pela porta 10A e jamais quero prejudicar o Sporting. O mais importante para mim, é soberano, é o bem do Sporting. O momento é de me virar para o jogo, não vou falar de situações pontuais que todos os dias saem nos jornais”, comentou Silas na antecâmara do jogo, salientando a relação honesta e leal com a SAD verde e branca.

Da parte da estrutura leonina, os pressupostos que existiam ainda antes da eliminatória com o Basaksehir são os mesmos. Ou seja, Silas não será alternativa para a temporada 2019/20 mas poderia terminar a época até maio a não ser que um pressuposto fundamental mudasse – a identificação e possível contratação a breve prazo da figura que se enquadre no perfil desejado para assumir o comando da equipa na próxima temporada. E que pode estar muito perto de ver (literalmente) luz verde com um nome que começou a ser falado na passada semana.

À semelhança do que aconteceu na antecâmara da saída de José Peseiro em 2018 e de Marcel Keizer em 2019, os nomes de Pedro Martins (Olympiacos) e Abel (PAOK) surgiram quase de forma automática como hipóteses, a que se juntou ainda Ricardo Sá Pinto – que não foi contactado por nenhum dirigente verde e branco. Durante o fim de semana, Marco Silva, que trabalhou com Frederico Varandas na época de 2014/15 e que está nesta fase sem clube após a saída do Everton, foi também ventilado nos bastidores de Alvalade. E ainda há aquele nome que melhor se poderia enquadrar dentro das ideias a médio/longo prazo que o Sporting tem para o futebol, que já foi falado noutras ocasiões mas que se encontra comprometido com a Seleção Sub-21, Rui Jorge. No entanto, Rúben Amorim passou para a frente da corrida em termos de preferências dos responsáveis leoninos.

Apesar das dúvidas levantadas na semana passada quando o nome do ex-jogador de Belenenses, Benfica e Sp. Braga foi lançado como hipótese para o Sporting, dúvidas essas que se alastraram a alguns responsáveis do próprio clube, Frederico Varandas e António Salvador foram tratando da possibilidade de transferência depois do “sim” do próprio Rúben Amorim a essa possibilidade. Os direitos desportivos e económicos de João Palhinha, médio que se encontra cedido pelos leões aos minhotos, foram uma das hipóteses colocadas em cima da mesa mas é certo que este será o maior investimento de sempre do conjunto verde e branco num treinador, numa fase onde, em ano e meio de gestão, a administração da SAD pagou indemnizações a José Peseiro e Marcel Keizer, além do aumento de contrato a Leonel Pontes (sendo que haverá agora também o acerto de contas com Silas).

Com apenas 13 jogos realizados no Sp. Braga, o técnico de 35 anos, que no ano passado era assistente do Casa Pia e que começou a atual temporada na equipa B dos arsenalistas, continua a destacar-se na Primeira Liga (apesar de ter sido eliminado nos 16 avos da Liga Europa frente ao Rangers) e não só: em termos nacionais, soma dez triunfos e um empate, conseguiu vencer os três “grandes” e conquistou já um troféu, a Taça da Liga. A dúvida, essa, entronca assim nos moldes do acordo entre clubes, sendo certo que Rúben Amorim está blindado por uma cláusula de rescisão de dez milhões de euros, valor nunca antes pago por um treinador em Portugal. Além do valor monetário, deverá haver cedência de direitos de jogadores, sendo esse o único entrave para a concretização do negócio nesta fase. Assim que essa barreira esteja superada, o técnico entra em Alvalade de imediato.

Esta manhã, as negociações entre ambas as partes prosseguiram mas entretanto Rúben Amorim já terá feito a despedida de alguns jogadores que orienta agora no Sp. Braga. Qualquer anúncio oficial estará ainda assim dependente da rescisão com Silas, que no limite e sem cedências poderia custar agora ao Sporting um valor a rondar os dois milhões de euros entre salários e prémios que estariam contratualizados. Também esta manhã, Custódio, antigo médio do Sporting e dos bracarenses que se encontra no comando dos juniores dos minhotos, tinha sido colocado de “prevenção” para subir ao conjunto principal quando tudo ficar acertado.