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"Fuck Art, Let's Eat". Em Amarante há um prato cheio de arte para conhecer

A exposição "Fuck Art, Let's Eat" acaba de inaugurar no Museu Municipal Amadeo De Souza-Cardoso e é mais uma desculpa (das muitas que já existem) para ir conhecer esta cidade à beira do Rio Tâmega.

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A exposição soma um total de trinta obras comissionadas por Fernando Santos, o galerista responsável por todo este projeto que estreou pela primeira vez em setembro de 2019, no Porto

Diogo Lopes/Observador

A exposição soma um total de trinta obras comissionadas por Fernando Santos, o galerista responsável por todo este projeto que estreou pela primeira vez em setembro de 2019, no Porto

Diogo Lopes/Observador

Se estiver de passeio por Amarante, no norte do país (pouco mais de 40 minutos do Porto), e se se cruzar com uma banca a vender uma espécie de bolo de uma forma, no mínimo, pouco usual — fálica, entenda-se –, não estranhe. Trata-se do doce de São Gonçalo, homenagem brincalhona aos dotes de casamenteiro deste que é tido como o patrono religioso deste cidade nortenha. É à volta do Jardim da Alameda Teixeira Pascoaes que pode encontrar a maior concentração de vendedores ambulantes desta especialidade (sobretudo ao fim de semana), mas é nesse mesmo local, onde também mora o Museu Municipal Amadeo De Souza-Cardoso, que há um outro motivo “artístico/gastronómico”, bem mais recente, que não deve deixar de conhecer — a exposição temporária “Fuck Art, Let’s Eat” que acaba de inaugurar, e se estende até 26 de abril.

Apesar de não ser de todo consensual, muitos defendem que a comida pode ser uma forma de arte: mexe com cor, sabor, emoções, memórias, estética e muitas outras coisas. A propósito desta associação já se fizeram muitas comparações, pratos e documentários mas este projeto promovido pelo galerista portuense Fernando Santos tem a particularidade de juntar alguns dos maiores nomes das artes em Portugal com uma ou outra referência estrangeira para mostrar que há muita verdade na expressão “comer com os olhos”.

Esta obra de Julião Sarmento é uma das que fazem parte da exposição “Fuck Art, Let’s Eat”. © Diogo Lopes/Observador

Já passaram mais de 30 anos desde o último projeto artístico de Fernando Santos na sua Amarante natal. Nascido e criado na “princesa do Tâmega”, como o próprio lhe chama, o galerista com quase 40 anos de carreira passava os seus fins de semana, quando era miúdo, no museu que hoje recebe a sua exposição. Sempre tirou grande prazer da comida e essa paixão culminou no projeto “Oficina”, o restaurante que mora numa antiga garagem de automóveis, que mora na mesma rua onde tem a sua galeria e que serve também para encontros que juntem as suas grandes paixões, gastronomia e arte. Foi dessa paixão que surgiu esta “Fuck Art, Let’s Eat”, que inaugurou pela primeira vez no seu espaço, em setembro de 2019, e que partiu de um desafio que o próprio galerista lançou a 30 artistas portugueses e internacionais — fazer uma obra que juntasse estes dois universos. Nomes como Ana Vidigal, Joana Vasconcelos, José de Guimarães, Julião Sarmento, Pedro Cabrita Reis e muitos outros aceitaram o desafio e o resultado foi apresentado num evento que na altura reuniu uma mostra de 30 produtores de vinho e um momento gastronómico em que a chef Margarida Bessa Rego apresentou 30 criações comestíveis.

Alguns dos pratos do jantar homenagem a Amadeo; os protagonistas da noite e um pormenor da exposição © Diogo Lopes/Observador

Diogo Lopes / Observador

Nesta inauguração de agora, em Amarante, também houve um festim igualmente extravagante, um jantar temático dedicado a Amadeo — amarantino de Manhufe e nome gigante da arte portuguesa — em que, com a curadoria do jornalista e organizador de eventos gastronómicos Paulo Amado, cinco cozinheiros se juntaram para apresentar um menu todo ele inspirado na vida e obra do visionário modernista. João Rodrigues (do Feitoria, uma estrela Michelin em Lisboa), Tiago Bonito (o chefe da casa), José Júlio Vintém (do Tomba Lobos, em Portalegre), Óscar Geadas (da Pousada de Bragança, com uma estrela também) e Ana Raminhos (d’Os Gazeteiros, em Lisboa) juntaram-se no hotel Casa da Calçada para apresentar esse repasto.

A cabeça de leitão de Santiago Ydañez é uma das coqueluches da exposição. © Diogo Lopes/Observador

A exposição reúne obras de todos as formas e feitios: desde sugestões mais figurativas a peças mais abstratas. A entrada custa um euro por pessoa e o museu está aberto todos os dias menos à segunda-feira.

Plano de viagem

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Onde ficar:

  • Hotel Navarras – Um três estrelas central, perto de lugares de estacionamento e muito cómodo. Excelente relação qualidade preço. Preço médio por quarto duplo/noite de 45€
  • Casa da Calçada – Um antigo solar transformado em hotel de luxo. Decoração clássica e apto para satisfazer todos os caprichos dos hóspedes.Tem no seu restaurante Largo do Paço, chefiado por Tiago Bonito, uma estrela Michelin. Preço médio por quarto duplo/noite de 120€

Não perder: 

  • Igreja de São Gonçalo – É um dos símbolos da cidade e um ótimo exemplo de vários estilos artísticos,do renascentista ao maneirista, passando pelo barroco e o oitocentista.

Já agora… Se quiser trazer consigo um souvenir ingerível passe pela Mercearia Costa, casa com mais de 50 anos de funcionamento que se dedica especialmente ao vinho. Encontra por aqui referências de todo o país, algumas raridades, um ou outro projeto de pequenos produtores da região e, claro, o famoso vinho verde.

Já que está aqui…

O início deste texto começa com a referência a um doce e isso não é por acaso, afinal Amarante também é conhecida pela qualidade das suas guloseimas tradicionais: reza a lenda que as famosas freiras do mosteiro de Santa Clara passaram algumas receitas a famílias de Amarante quando o seu mosteiro começou a decair. Muito ligado o receituário da doçaria conventual, portanto, a Confeitaria da Ponte é um dos melhores sítios para encontrar pérolas como os foguetes (uma mistura de ovos, amêndoa e açúcar abraçada por folha de obreira, uma espécie de hóstia), as lérias (espécie de queijada com dois tipos de açúcar e amêndoas) ou os irresistíveis papos de anjo (de novo com ovos, açúcar e folha de obreira), aqueles que parecem rissóis e não os redondos e amarelos tipo queijada.

Presunto e salpicão são as grandes especialidades da casa © DR

Como não se pode viver só de doces há que aproveitar a enorme tradição de fumeiro que também existe nesta zona do país. Um bom sítio para o fazer é na icónica Adega Kilowatt, que apesar de ter sido inaugurada há 90 anos continua a ser paragem obrigatória para todos os que passem por esta cidade. Presunto e salpicão são as grandes especialidades da casa e pode prová-los juntas, dentro de um pão crocante na companhia de uma fatia de queijo regional, também, ou assim ao natural. Tudo, claro, sempre regado por um bom vinho verde (não estivéssemos também na zona dele). O melhor disto tudo é que pode sempre levar qualquer coisa consigo, seja uma sanduíche para o caminho ou um belo salpicão pleno de fumo.

“Vale a viagem” é um guia de experiências imperdíveis para papar quilómetros de norte a sul do país 

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