Há muito que Bob Dylan é avesso à previsibilidade e nos últimos anos decifrá-lo não se tornou mais fácil. Concertos? Sim, mas com versões tão próprias das canções que ele próprio gravou que às vezes é difícil descortinar o que se ouve. Discos nos últimos anos? Sim, mas com versões de cantigas imortalizadas por gente do cancioneiro americano tão aparentemente distante do seu universo musical quanto Frank Sinatra. Singles novos de três a quatro minutos? Ninguém os esperava, pois não?

Esta sexta-feira, oito anos depois de ter revelado pela última vez composições originais, o autor de canções como “Don’t Think Twice, It’s Alright”, “The Times They Are a-Changin'”, “Like a Rolling Stone” e “Tangled Up in Blue” voltou a revelar uma canção nova. Chama-se “Murder Most Foul”, chega oito anos depois do último álbum de originais de Bob Dylan, Tempest, e tem… quase 17 minutos.

O tema, tornado público pelo cantor e músico de 78 anos que tem como nome de batismo Robert Allen Zimmerman, versa sobre o homicídio do antigo presidente dos Estados Unidos da América, John F. Kennedy, em 1961. Por coincidência ou não, foi o mesmo ano em que Bob Dylan chegou a Nova Iorque com 20 anos para conhecer o seu grande ídolo musical de então, Woody Guthrie, e o momento em que começou a inserir-se na comunidade de músicos folk de Greewich Village, onde rapidamente deu nas vistas.

No comunicado em que anunciou o novo tema, Bob Dylan explicou que este é uma prenda para os seus “fãs e seguidores”, a quem agradece “todo o apoio e lealdade ao longo dos anos”. O músico e cantor explicou ainda que tema novo é este: “É uma canção que ainda não tinha lançado e que gravámos há uns tempos, que achei que poderiam achar interessante”. Ficou ainda uma espécie de conselho que talvez esteja relacionado com a atual pandemia do novo coronavírus: “Protejam-se, mantenham-se seguros e observadores e que Deus esteja convosco”.

Bob Dylan está do lado certo da história