Reduzir os técnicos que estudam caca de pássaro para a Ford a apenas isso não é justo e, muito menos, correcto. São engenheiros químicos que a marca norte-americana contrata, à semelhança de outros construtores, para analisar todas as substâncias que podem danificar, pela sua constituição química, a pintura dos seus automóveis.

Muitos já terão reparado que a pintura dos automóveis modernos é muito mais resistente do que era habitual há 20 ou 30 anos. Tudo porque as tintas melhoraram de qualidade e, sobretudo, porque os vernizes que as protegem são cada vez mais resistentes contra tudo o que as ataca. Da poluição à chuva ácida, passando pelos riscos, pelos danos provocados nas lavagens automáticas e pelos excrementos de pássaro, tudo contribui para retirar o brilho à pintura.

A Ford vem agora chamar a atenção para o trabalho dos seus técnicos especialistas nesta “matéria”. Começam por analisar os dejectos dos diferentes tipos de aves, que por sua vez variam consoante o que ingerem. Uma vez determinada a química do cocó, que a Ford faz questão em explicar que envolve também urina, numa situação típica de dois em um, os químicos produzem uma substância sintética que depois aplicam sobre a pintura.

A fase seguinte passa por expor a pintura “borrada” a um calor intenso, entre 40 a 60ºC, simulando uma situação de Verão, para ver até que ponto a tinta e o verniz resistem à corrosão. E como nem só os pássaros danificam a tinta, esta é igualmente agredida com radiações de luz ultravioleta, simulando o efeito do sol, durante 6000 horas consecutivas, ou seja, 250 dias. O esforço aplicado à pintura equivale a cinco anos no local mais quente e com sol mais intenso no planeta.