As visitas aos lares de idosos na “maioria das instituições dos concelhos circundantes” a Reguengos de Monsaraz, onde existe um surto de covid-19, foram suspensas nos últimos dias, revelou esta segunda-feira a União Distrital das IPSS de Évora.

O presidente da União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Évora, Tiago Abalroado, contactado pela agência Lusa, indicou que a situação se verifica em “Reguengos de Monsaraz” e “nos concelhos mais próximos” deste município, como “Mourão, Redondo, Évora ou Viana do Alentejo”.

O responsável explicou que, devido ao surto de covid-19 detetado no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, na quinta-feira, “a maioria das instituições” com lares de idosos nestes concelhos vizinhos “terá dado um passo atrás” e voltou a suspender as visitas.

“O conhecimento que a UDIPSS de Évora tem, neste momento, é que a maioria das instituições dos concelhos circundantes a Reguengos de Monsaraz terão suspendido as visitas aos utentes que têm em resposta social” na respetiva Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), afiançou Tiago Abalroado.

Esta medida de prevenção, para evitar a propagação da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, foi adotada, “desde sexta-feira e até hoje”, por santas casas da Misericórdia, mas também por outras instituições, como “IPSS ou centros sociais paroquiais”, acrescentou.

Numa ronda pelas páginas de diversas destas instituições na rede social Facebook, efetuada estas egunda-feira pela Lusa, foi possível ler comunicados alusivos a esta suspensão temporária de visitas.

A Misericórdia de Redondo , no sábado, publicou um aviso sobre a “suspensão temporária das visitas ao Lar António Manuel Fernandes Piteira” e, apesar de lamentar “todo o constrangimento” causado “a familiares que não tiveram ainda a possibilidade de voltar a ver os seus entes queridos”, justificou que a prevenção assim o impõe.

“Dando continuidade à posição sempre adotada pela Mesa Administrativa, onde impera, acima de tudo, a prevenção e a proteção de todos os nossos utentes e funcionários, não temos outra hipótese” a não ser “não proceder desta forma”, pode ler-se no comunicado, onde é manifestada “total solidariedade” para com a Misericórdia de Reguengos de Monsaraz e utentes e funcionários do lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva.

No dia anterior, sexta-feira, já a Misericórdia de Evoramonte, no concelho de Estremoz, tinha optado por suspender as visitas à sua ERPI “por tempo indeterminado”, para “acautelar e minimizar o risco de propagação do vírus na instituição”.

Em Viana do Alentejo, as duas Misericórdias, a da sede de concelho e a de Alcáçovas, suspenderam, a partir desta segunda-feira, as visitas nas respetivas ERPI, atendendo ao “aumento de casos de covid-19 no distrito de Évora, nos últimos dias”, mas prometeram retomá-las “assim que possível”, consultou a Lusa na rede social.

Para o presidente da UDIPSS de Évora, trata-se de uma medida “correta face à incerteza” que subsiste em Reguengos de Monsaraz, onde “as cadeias de transmissão do vírus não estão identificadas e as autoridades de Saúde ainda não têm noção das vias de propagação que estão a acontecer”.

“São sempre suspensões temporárias, até porque não devemos deixar os idosos sem poderem ver os seus familiares, mas será prudente, pelo menos até que os canais de propagação estejam identificados”, defendeu.

Em Reguengos de Monsaraz, o balanço do surto no lar é, neste momento, de 17 trabalhadores e 46 utentes infetados, sendo que, destes últimos, três idosas estão internadas no hospital de Évora.

A população está a ser alvo de testes para despistar a doença, tendo, até agora, sido detetados três pessoas infetadas na comunidade, disse o presidente da câmara, José Calixto.