Mário Centeno propôs a António Costa, após as eleições legislativas de 2019, deixar o Ministério das Finanças mas continuar no Governo com um papel “transversal”, que lhe permitisse promover alterações na gestão da Saúde. A intenção seria ficar no Governo, nesse lugar, até ao verão de 2020, altura em que vagava o cargo de governador do Banco de Portugal.
Esta é uma das revelações do livro “Contas Certas”, da autoria de Mário Centeno e do jornalista Filipe Santos Costa, que será apresentado no final desta semana pelo antigo ministro das Finanças, segundo o jornal Público.
O então ministro das Finanças entendia que o principal problema do setor estava na forma como os recursos eram geridos e defendia a necessidade de reformar essa área. Para o substituir nas Finanças, apontava o então secretário de Estado do Orçamento, João Leão, como sucessor natural – precisamente quem o substituiu nas Finanças na primavera de 2020, em plena pandemia.
A proposta de Centeno, contudo, não chegou a receber uma resposta de António Costa. Segundo o relato, mesmo que o então primeiro-ministro tivesse aceitado a ideia, a chegada da pandemia de Covid-19 teria impedido a concretização de qualquer reforma na gestão da Saúde.