Chumbado. Os sócios do Benfica votaram durante toda a tarde de hoje e princípio da noite e, apesar de renhido, o resultado foi claro: o Orçamento do Benfica para 2020/2021 não passou na Assembleia Geral. No total, houve 1505 votantes, o que corresponde a 37.965 votos. 48,28% desses foram votos contra (812 votantes e 18.329 votos), 47,79% foram a favor (640 votantes, 18.143 votos) e 3,93% de abstenções (de 53 votantes a valer 1493 votos). Pela fórmula “um sócio, um voto”, haveria 54% de associados contra a proposta apresentada. Entre as quatro categorias de votos (um, cinco, 20 e 50), o “não” só não ganhou entre os associados com 50 votos.

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De acordo com o que apurou o Observador, a possibilidade de o Orçamento para a época de 2020/21 não ser aprovado nunca foi equacionada mas alguns responsáveis foram tendo conhecimento nas duas últimas semanas das tentativas de mobilização de associados para expressar o seu descontentamento com a Direção. Tudo porque, mais uma vez o futebol, a equipa ganhou apenas dois dos últimos 12 jogos, encontra-se a três pontos da liderança do Campeonato perdida para o FC Porto e já foi eliminado das provas europeias. E a verdade é que o Orçamento acabou mesmo chumbado, num resultado “apertado” mas que acabou por superar as piores expetativas internas. Assim, terá de existir uma nova reunião magna para apresentar de novo o Orçamento do clube até à primeira semana de agosto, sendo que a proposta em sufrágio poderá ser igual à que foi esta sexta-feira votada.

O último trimestre de 2012 teve o condão de mostrar, mesmo num universo mais reduzido, o impacto que todos os resultados e incidências em torno do futebol podem ganhar no âmbito de Assembleias Gerais do Benfica – mesmo tomando em consideração que tudo o que é futebol está na SAD e não no clube, que tem na parte das quotizações, dos patrocínios e das modalidades os principais pontos. Foi nessa fase, no final de setembro, que a Direção liderada por Luís Filipe Vieira viu chumbado o Relatório e Contas relativo ao exercício de 2011/12, com 6.988 votos contra e apenas 4.000 a favor (além de 387 abstenções). Tudo porque, a seguir ao bicampeonato do FC Porto, a equipa de Jesus começou com duas vitórias e dois empates na Liga e um empate e uma derrota na Champions.

Depois, e apenas um mês depois, o presidente das águias foi reeleito com uma vitória esmagadora de 83% contra Rui Rangel, mas ficou naquele dia de setembro comprovado como qualquer contexto mais desfavorável no futebol pode levar a maior participação nas reuniões magnas e, por consequência, a um aumento da expressividade da franja que não apoie a liderança. Oito anos depois, foi isso que voltou a acontecer na AG dos encarnados.

Duque Vieira explicou como acontecia processo de votação

Em declarações à BTV, Virgílio Duque Vieira, antigo número 2 da Mesa da Assembleia Geral do Benfica que subiu à liderança do órgão após o pedido de demissão de Luís Nazaré exatamente pela discordância com a Direção no que toca aos moldes que deveriam ser utilizados nesta reunião magna, explicou a forma como decorreu a votação ao longo do dia e as regras que tiveram de ser cumpridas seguindo todas as diretrizes das autoridades.

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“A votação iniciou-se às 15 horas. Decorre com grande normalidade, com grande preocupação quanto à saúde, que nos interessou muito. O que se faz hoje aqui é apenas a votação presencial em urna eletrónica. Estão presentes no pavilhão no máximo 10 sócios. São 10 urnas. Uma está destinada para um sócio que possa ter uma deficiência física e que tenha dificuldade em votar. Dentro do pavilhão todas as regras são cumpridas. Antes disso, os sócios formam fila, com as distâncias exigidas, com dois metros entre cada. Há marcas no chão. Os sócios mostram a acreditação à entrada do pavilhão. É-lhes fornecido um líquido próprio para higienizar as mãos e uma luva para poderem usar a urna eletrónica, desfazendo-se depois da mesma. Entram por um lado de um pavilhão e a saída é por outro. Não se cruzam”, disse quando a votação estaria a meio do período aberto para o sufrágio.

“A Assembleia teve contornos diferentes porque os documentos que estão em causa, o Orçamento, o plano e o parecer do Conselho Fiscal, tiveram uma discussão na Internet. Foi fornecido na convocatória um email a que os sócios aderiram, fazendo as perguntas. Foram umas largas dezenas de sócios. Curiosamente, o que me foi dito é que houve mais intervenções do que quando há intervenções em direto e ao vivo. Foram também colocadas questões à Mesa da Assembleia Geral que eu próprio respondi. A Direção também respondeu dentro daquilo que achava que devia esclarecer os sócios. As respostas estão disponíveis no site do Benfica, onde todos os sócios tiveram conhecimento”, acrescentou ainda o responsável máximo da Mesa da Assembleia Geral.

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Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, liderou os vários elementos dos órgãos sociais que passaram pelo Pavilhão número 2 da Luz para exercerem o direito de voto, à semelhança do que aconteceu com Rui Costa, administrador da SAD, e Tiago Pinto, diretor do futebol, entre outras caras conhecidas do universo benfiquista. Rui Gomes da Silva, antigo dirigente e candidato nas próximas eleições de outubro, não foi votar. “Democracia. Não votarei porque não acredito na transparência do sistema de voto eletrónico utilizado pelo Benfica! Fazê-lo seria atestar a sua validade, legitimando quem, em outubro, o quer utilizar novamente”, comentou.