Rui Gomes da Silva publicou esta segunda-feira um artigo no blog “Novo Geração Benfica”, onde critica Luís Filipe Vieira por tentar agredir um sócio dos encarnados na assembleia-geral de sexta-feira e deixou a garantia: “Eu serei candidato a Presidente do Benfica para acabar com esta vergonha!”, escreve. Ouvido pela Rádio Observador, recusa que a sua decisão esteja relacionada com o incidente de sexta-feira.

Numa longa publicação, intitulada “Vergonha alheia ou o princípio do fim”, o antigo vice-presidente e administrador da SAD do Benfica começa por classificar como “triste” e “grave” a tentativa de Vieira de agredir um sócio. “Há momentos em que temos vergonha por factos ou atitudes de outros!”, escreve. O advogado afirma que “nunca conseguirão calar a voz dos benfiquistas numa Assembleia Geral do clube” e adianta: “É assim que caem as ditaduras!”. “É por isso que quero derrotar Vieira, nas urnas, antes de Vieira ficar com o Benfica. Esse é o projeto dele: ficar com o Benfica!”, acusa Gomes da Silva.

Em declarações à Rádio Observador, o antigo vice-presidente explica, no entanto, que não foi o incidente na Assembleia Geral a determinar a sua candidatura: “Não é uma andorinha que faz a primavera”, sublinha. “É a confirmação de tudo o que já dizia. Acompanhei durante muitos anos o presidente do Benfica e percebi que o projeto desportivo é um projeto essencialmente de loja, de compra e venda de jogadores”, lamenta. Gomes da Silva diz ainda que o Benfica tem que apostar na Europa — algo que, a vender jogadores “ao fim de seis meses”, se torna difícil.

Não me venham com a hegemonia em termos nacionais. A hegemonia nacional é fácil de manter. O Benfica será sempre um clube muito grande em termos portugueses. O grande problema da afirmação do Benfica, e o que se vai discutir nos próximos anos passará pela parte internacional”, considera, em declarações à Rádio Observador.

Gomes da Silva defende, assim, que “quem quer ser respeitado em termos desportivos na Europa não pode vender um jogador ao fim de se ter afirmado na equipa principal em seis meses”. Neste sentido, o advogado garante que tem “um projeto diferente”, “desportivo” e “não comercial” para o clube e afirma que quer vencer a Liga dos Campeões — apesar de “ninguém dar garantias”.

Nesse dia, concretizado o meu sonho — como o vou concretizar — será o dia de deixar de ser o que quero ser, para sermos o que devíamos tentar ser todos os anos: Campeões Europeus! Sem mentir aos sócios, porque esses merecem tudo. Tudo, menos mentiras e negócios!”, conclui Rui Gomes da Silva.

No blog, Rui Gomes da Silva compara depois o momento da Assembleia Geral com “as reuniões dos tempos de Vale e Azevedo”. “Também aí, quem discordasse era apelidado de anti-benfiquista, quem criticasse era ameaçado, quem tivesse coragem de dar a cara era insultado, perseguido e — tantas vezes — agredido! Eu estive lá sempre nesse combate! Eu e tantos outros! Nunca estive ao lado dos nossos inimigos como alguns estavam nessa altura”, afirma.

O antigo vice-presidente critica também o presidente encarnado pela entrevista que deu à TVI, na terça-feira. Gomes da Silva defende que Vieira disse “barbaridades” e que gere o clube “como se o Benfica fosse uma entidade promotora de investimentos imobiliários e os jogadores meros lotes de terreno para especulação”. Ao mesmo tempo, o antigo membro da SAD critica a ideia da mudança do símbolo encarnado, “rasgado pelo marketing”.

Sobre a gestão encarnada, Gomes da Silva lamenta à Rádio Observador que “há sempre qualquer razão para não discutir a posição de Vieira” e afirma que não precisará de muito apoio para derrotar o atual presidente.

Quem é do Benfica nunca precisa de reunir apoios necessários em momentos precisos. Quem é do Benfica desde que nasceu não precisa de reunir consensos ou tropas. As tropas são aquelas que gostam e sentem o Benfica”, diz.

O advogado escreve ainda na publicação que teme pelo “encantamento de quem tudo dá e nada quer do Benfica face a uma argumentação falaciosa, levada a cabo por quem só descobriu o Benfica por ser muito bem pago por isso”.“Temo — confesso — pelo futuro de um Benfica que querem que deixe de ser dos sócios”, lança ainda.

Ouça aqui na íntegra as declarações de Rui Gomes da Silva à Rádio Observador:

Atualizado às 14h20 com as declarações de Rui Gomes da Silva à Rádio Observador