A fundação do presidente da Farfetch foi lançada há cerca de um mês e o programa de bolsas reembolsáveis, o ISA FJN, contabiliza por esta altura 262 candidaturas recebidas. Destas, 10 foram aprovadas e, entre as restantes, a maioria está em processo de resolução para verificar se cumprem com os requisitos.

A Fundação José Neves (FJN) arrancou com duas iniciativas: o ISA FJN, que estima abranger cerca de 1.500 pessoas no prazo de dois anos e num investimento de 5 milhões de euros; e o Brighter Future, a plataforma que a FJN lançou para ajudar os portugueses a tomar decisões baseadas em dados.

Fundação José Neves investe 5 milhões de euros em 1.500 bolsas para estudantes

Na nota divulgada nesta sexta-feira, 63% dos candidatos são mulheres, 66% têm idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos e a grande parte tem formação superior. A maioria destas pessoas está a trabalhar ou à procura de novas oportunidades de emprego.

Entre as instituições de ensino que são parceiras da fundação, as que geraram mais candidaturas foram a Porto Business School, Universidade do Minho, Nova SBE Executive Education, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Lisbon MBA – Católica | Nova.

“Os números alcançados nestes primeiros dias são bastante positivos e revelam o interesse dos portugueses em ter acesso a soluções alternativas e inovadoras que lhes permitam continuar a investir na sua educação”, afirma Carlos Oliveira, presidente executivo da FJN. O ex-secretário de Estado do Empreendedorismo .

O ISA FJN é um programa de bolsas baseado no modelo de acordo de partilha de rendimentos (Income Share Agreement) e visa apoiar os portugueses no acesso a cursos e formações, pagando-lhes as propinas na íntegra. Depois de encontrarem trabalho e receberem acima de um salário determinado em contrato, o bolseiro começa a devolver o valor da bolsa à fundação, sem juros. O objetivo é reinvestir este dinheiro noutras bolsas.

Se o bolseiro não conseguir encontrar um emprego que pague o salário acordado, dentro do prazo estabelecido, não tem de se preocupar. A fundação acarreta o risco e o estudante não tem de pagar o que resta.

Na altura do lançamento do ISA, Carlos Oliveira dizia: “O que vai acontecer? Vai haver estudantes que não vão pagar nada, outros vão pagar parte e outros vão pagar tudo, sempre numa lógica de retorno à sociedade”.

O programa de bolsas reembolsáveis está disponível em mais de 110 cursos de 22 instituições de ensino, como universidades, politécnicos e escolas de formação prática e intensiva.

José Neves: “A fundação é exclusivamente do meu património pessoal. Não há nada do Estado ou externo”

A esta fundação, José Neves comprometeu-se a doar dois terços da sua fortuna pessoal. “É uma iniciativa pessoal minha, as alocações vêm do meu património pessoal durante a minha vida e no momento da minha morte e, portanto, não temos outro meio de financiamento”, respondeu aos jornalistas.

A FJN é presidida por Carlos Oliveira e conta com o investidor em capital de risco António Murta (diretor-geral da Pathena) como administrador não executivo.