Luís Filipe Vieira venceu as eleições à presidência do Benfica com 62,59% dos votos e, como manda a tradição, foi o último a reagir aos resultados. Fê-lo vincando a felicidade por ter sido eleito presidente nas eleições mais concorridas da história do clube, mas também deixando avisos à comunicação social e à oposição interna no clube, que o acusou de falta de espírito democrático (por ter recusado debates) e ética dúbia durante a campanha.

Para os ouvidos da oposição interna, que o fez ter uma vitória sólida mas bastante mais magra do que em eleições anteriores — há quatro anos teve mais de 90%, há oito anos teve mais de 80% e na eleição anterior tivera mais de 90% dos votos —, disse que “os resultados são claros, espero que todos assumam a sua responsabilidade” e pediu união: “A partir de agora não há vencedores nem vencidos, mas apenas os benfiquistas que vão unir esforços para continuar a construir o futuro do nosso clube. Espero que respeitem os resultados e que a partir de agora haja só um Benfica”.

“Tenho orgulho em liderar um clube com esta militância”

O discurso começou com uma referência à militância evidenciada nestas eleições presidenciais, de longe (por mais de 15 mil votos de diferença) as mais concorridas da história do clube. “Os benfiquistas deram hoje uma demonstração única de vitalidade. Nunca nenhum clube em Portugal votou tanto e de forma tão descentralizada”, começou por notar.

O país assistiu hoje à maior manifestação eleitoral de um clube em Portugal. A minha primeira palavra vai por isso para os benfiquistas e para o exemplo que hoje deram. Tenho orgulho em liderar um clube com esta capacidade de mobilização, com esta militância”, vincou.

Luís Filipe Vieira é reeleito presidente do Benfica e pede unidade. “Somos mais fortes juntos”

Primeiro apelo à união: “Somos mais fortes juntos, quando não nos dividimos”

Luís Filipe Vieira, que inicia depois desta eleição o sexto mandato à frente do clube, prosseguiu elogiando os serviços do clube, que permitiram que a votação decorresse esta quarta-feira em 25 locais de votos, distribuídos por Portugal Continental: “Hoje, por todo o país, não foi só uma claríssima demonstração de democracia mas acima de tudo de competência e capacidade de organização de todos os nossos profissionais. Nunca um clube fez o que o Benfica fez hoje. Vencer as eleições que tiveram o maior número de sócios a votar na sua história é um orgulho”.

O presidente do Benfica vincou ainda a “clareza” dos resultados e fez o primeiro apelo à união da noite: “Os sócios decidiram e os resultados são claros. Espero que todos assumam a sua responsabilidade e o seu benfiquismo. Somos mais fortes juntos, quando não nos dividimos. É um dos desafios mais importantes para os próximos quatro anos. Conseguimos crescer e chegar até aqui porque não houve fações nem grupos apostados em dividir ou provocar desgaste”.

Apesar das diferenças, a união foi o denominador comum nestes anos. Disse-o na campanha e repito-o hoje: a partir de agora não há vencedores nem vencidos, mas apenas os benfiquistas que vão unir esforços para continuar a construir o futuro do nosso clube. Espero que respeitem os resultados e que a partir de agora haja só um Benfica”, acrescentou.

O recém-eleito presidente dos encarnados deixou ainda uma “bicada” direta, à comunicação social, e outra indireta, aparentemente com o rival F.C. Porto como alvo. Aos “meios de comunicação que foram durante os últimos meses e hoje continuaram a ser pouco sérios e nada isentos”, deixou “um conselho: mudem de registo. O Benfica não é liderado pela comunicação social. Podem não gostar mas vai continuar a ser assim”. Já para aparentemente visar o FC Porto, puxou do galão das contas certas no dia em que o clube portista anunciou um prejuízo de mais de 100 milhões de euros, referente à temporada anterior (sem participação na fase de grupos da Liga dos Campeões): “Num dia como o de hoje, permitam-me reforçar que o Benfica tem há sete anos consecutivos contas positivas”.

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Uma declaração sem margem para dúvidas: “Inicio hoje o meu último mandato”

Antevendo o que será o futuro, Vieira disse: “Inicio hoje o meu último mandato. Será o mandato da continuidade para apostar no que de bom fizemos e para corrigir erros cometidos. Sou um homem feliz e orgulhoso do meu percurso no Benfica. Sou um homem feliz pela confiança que pela sexta vez os benfiquistas me decidiram dar. Tudo farei para retribuir essa confiança”.

À sua equipa, aos que consigo “foram eleitos”, deixou “uma palavra de agradecimento”. E acrescentou, dirigindo-se à sua lista: “Sabem que teremos quatro anos exigentes, quatro anos em que seremos fortemente desafiados. Mas sei que saberemos responder à altura da história do Sport Lisboa e Benfica“.