A temporada do Sp. Braga nem começou bem, com duas derrotas no Dragão com o FC Porto e na Pedreira frente ao Santa Clara, mas o trabalho de Carlos Carvalhal na introdução de uma nova ideia de jogo trouxe os frutos desejados não só nos resultados (oito vitórias em nove jogos) mas também nas exibições. Pelo meio, houve um tropeção. Ter um desaire em Leicester com aquela equipa que até domingo liderava a Premier League até podia não ser bem uma surpresa mas a forma como a mesma terminou em goleada acabou por mostrar como a equipa fica à mercê de um adversário quando não consegue jogar como habitualmente joga. Uma forma de jogar que, no Campeonato ou na Taça de Portugal, tem vingado. E uma forma de jogar que, na Liga Europa, pretendia vingar.

Tudo correu bem a Iheanacho, tudo correu mal ao Sp. Braga e o regresso de Carvalhal a Inglaterra não podia ter corrido pior

“Não espero um jogo diferente do que foi em Inglaterra, o que espero é que possamos aprender com os erros e potenciar o que fizemos bem naquele jogo. Já analisámos de forma exaustiva a partida com os jogadores e vamos dar uma boa resposta. Já antecipamos o que pode acontecer, nenhuma equipa vai surpreender e sinto que vai ser um jogo ‘poder contra poder’. Temos 100% de respeito pelo Leicester mas 0% de receio”, assumiu o treinador dos minhotos no lançamento de um jogo onde voltou a contar nas opções com Fransérgio ou Ricardo Horta mas que não tinha agora os lesionados Francisco Carmo, que após uma exibição de sonho na Luz sofreu uma grave lesão no joelho e vai parar durante vários meses esta temporada, e Gaitán, além do castigado David Carmo.

“Temos sempre a expectativa de vencer todos os jogos mas perder uma das partidas contra uma equipa que esteve no primeiro lugar da Premier League não me parece uma tragédia. Conseguimos três pontos fora com o Zorya e vencemos o AEK em casa no meio de um ciclo complicado. Agora, abordamos este jogo de forma positiva e com vontade de chegarmos aos nove pontos”, prosseguiu Carlos Carvalhal, antes de exemplificar como um jogo da Taça de Portugal frente ao Trofense, dos escalões não profissionais, pode ser tão intenso como um encontro da principal Liga inglesa entre o então líder da competição e o campeão em título, o Liverpool, em Anfield.

“Ganhar ao Leicester seria um feito para o Sp. Braga mas não entendo que o jogo entre o Leicester e o Liverpool tenha sido menos intenso do que o nosso contra o Trofense, como pode parecer. vou dar um exemplo: tivemos jogadores, neste caso um jogador, que ao intervalo já tinha tanto percurso de corrida intensa como noutros jogos em 90 minutos. Foi um encontro bem disputado e estamos preparados para esta partida, pior seria se a seguir à paragem das seleções fossemos logo jogar contra o Leicester”, explicou o técnico arsenalista.

Peparados e a todo o gás: num início de jogo de loucos, Al Musrati inaugurou o marcador num remate de fora da área após uma segunda bola ganha por uma tentativa de Iuri Medeiros que bateu na defesa contrária (4′), Barnes empatou pouco depois num lance que começou numa perda de bola de Al Musrati e que teve pelo meio um corte azarado de Castro que colocou a bola nos pés do inglês (9′). Voltava tudo à estaca zero mas com uma diferença grande em relação ao encontro em Inglaterra na capacidade de transição dos minhotos e seria dessa forma que Paulinho chegaria ao 2-1, após assistência de Ricardo Horta numa jogada iniciada em Iuri Medeiros (24′).

O grande segredo do Sp. Braga era o tal 0% de receio pelo adversário pedido por Carvalhal, que ainda apanhou um susto em mais um erro individual no setor recuado (agora de Bruno Viana) mas que viu Kasper Schmeichel tornar-se a grande figura do Leicester ao tirar por duas vezes antes do intervalo o golo a Paulinho, com intervenções de gigante que foram mantendo os ingleses ligados ao jogo e que se prolongaram para o segundo tempo, quando o avançado bracarense cabeceou na área para mais uma defesa para canto. Essa seria a grande oportunidade do Sp. Braga de fechar o encontro antes de dois fenómenos paralelos cruzarem: por um lado, uma notória quebra física dos visitados; por outro, o lançamento em campo por Brandon Rodgers da artilharia pesada com Vardy, Tielemans, Fofana, Ayoze Pérez e Maddison. E seria o último a construir com uma fantástica jogada individual a passar por Ricardo Esgaio o golo do empate, com Thomas a desviar na área um cruzamento rasteiro (79′).

Sem capacidade de saída, com o Leicester a pressionar mais e com as bolas paradas dos ingleses a criarem de forma sistemática uma sensação de perigo, o Sp. Braga parecia não ter grandes argumentos para ir além da igualdade que ainda assim mantinha em aberto a possibilidade de qualificação para os oitavos mas ganhou uma nova vida com o regresso de Fransérgio. Tanta que ganhou mesmo o jogo: Matheus lançou rápido com as mãos para Sequeira, o lateral prolongou na frente para Galeno que ganhou em velocidade a Fofana com uma grande finta e o médio brasileiro apareceu na diagonal vindo de trás para rematar de pé esquerdo na área para o golo aos 90+1′, antes de Vardy encostar ao segundo poste um cruzamento da direita de Albrighton numa jogada iniciada de novo em Maddison aos 90+5′, já 40 segundos depois do tempo de descontos inicial que tinha sido dado antes do 3-2.