Minuto 41. Já perto do intervalo, depois de uma primeira parte disputada debaixo de um dilúvio e em cima de um relvado muito pesado, Gonçalo Inácio foi chamado a bater um livre na zona do meio-campo. A equipa do Sporting subiu e o central de 19 anos, que só faz no próximo mês de agosto, fez um passe vertical à procura de alguém na meia direita dos leões. Tiago Tomás fez-se a bola mas deixou passar quando percebeu que Pedro Porro, a toda a velocidade, se aproximava da grande área. O argentino aproximou-se da baliza e rematou cruzado: bateu Matheus, abriu o marcador, deu a vitória aos leões e a conquista da terceira Taça da Liga em quatro anos ao Sporting.

O abre-latas, portanto, foi Gonçalo Inácio. O jovem central dos leões, que saiu já nos instantes finais para dar lugar a Luís Neto, foi titular pela segunda partida consecutiva precisamente para render o internacional português, que esteve infetado com Covid-19. Ou seja, Inácio foi titular contra o FC Porto e o Sp. Braga, em duas partidas a eliminar que o Sporting superou para conseguir alcançar o primeiro troféu do ano. O produto da Academia de Alcochete correspondeu, não causou nenhuma debilidade e encaixou de forma exemplar com Coates e Feddal, os dois outros habituais titulares do trio defensivo da equipa de Rúben Amorim, ouvindo sempre as indicações de ambos.

Coates, o capitão que é a ligação entre o passado e o presente de um clube

Amorim que, na pré-época, olhou para Gonçalo Inácio como a alternativa perfeita para Feddal. Canhoto, o jovem central podia ocupar o lugar do marroquino na esquerda da defesa, enquanto que o também muito jovem Eduardo Quaresma era a solução para o lado contrário, o de Luís Neto. Inácio, contudo, acabou por conseguir conquistar a preferência do treinador para os dois lados do setor. E para isso, provavelmente, muito terá contribuído a eliminação da Taça de Portugal com o Marítimo e o empate seguinte com o Rio Ave.

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Na primeira ocasião, aparentemente para poupar jogadores, Rúben Amorim fez alterações no setor defensivo e lançou Neto, Feddal e Borja enquanto centrais. Logo depois, em Alvalade e sem Neto, infetado com Covid-19, e Feddal, castigado, Amorim optou por lançar Eduardo Quaresma na direita e Borja na esquerda, com Coates no eixo defensivo. O Sporting perdeu com o Marítimo, empatou com o Rio Ave e o treinador sabia, logo à partida, que ainda não poderia contar com Luís Neto na final four da Taça da Liga: ou seja, que não poderia contar o trio de centrais habitualmente titular. Com essa restrição, colocou de lado as soluções que tinha encontrado em Borja e Quaresma e apostou em Inácio. Trabalhou o central para jogar à direita, para não ser obrigado a alterar toda a dinâmica, e Gonçalo Inácio só não fez os últimos instantes da final com o Sp. Braga, saindo já exausto.

Já depois de Coates levantar a Taça da Liga, os jogadores do Sporting tiraram fotografias um a um, com o troféu nas mãos. Quando chegou a vez de Nuno Mendes, o jovem ala dos leões chamou Luís Maximiano, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Matheus Nunes, Jovane Cabral, Tiago Tomás e Daniel Bragança. Ou seja, chamou todos os jogadores da geração mais recente da Academia que chegaram à equipa principal do Sporting — e que, este sábado, conquistaram um título. Um deles, Inácio, foi titular, fez uma assistência e agarrou a oportunidade.