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Uma das questões mais discutidas depois de Gonçalo Inácio ter sido titular contra o FC Porto, na meia-final da Taça da Liga e devido à ausência de Luís Neto, foi o facto de o jovem central estar a jogar na posição mais à direita do trio de centrais do Sporting. Inácio, um canhoto, sente-se naturalmente mais confortável a jogar a partir da esquerda — onde pode sair com a bola controlada, uma das suas melhores características. A explicação, porém, é bastante simples. 

Gonçalo Inácio é, de facto, canhoto. E está, de facto, mais limitado a jogar a partir da direita da defesa. O problema, porém, é que a direita da defesa é o lugar normalmente ocupado por Luís Neto, o jogador que Inácio está a substituir. Ou seja, o lado esquerdo da defesa é normalmente ocupado por Feddal e o eixo defensivo pertence a Coates. Colocar Gonçalo Inácio do lado esquerdo significava empurrar Coates para o lado direito e deixar Feddal no meio — e ter Coates no eixo defensivo é uma das prioridades mais importantes do atual sistema do Sporting.

Este sábado, contra o Sp. Braga, o capitão dos leões teve uma exibição praticamente perfeita e totalmente crucial para a organização defensiva da equipa. Para além da solidez na hora de defender e anular as investidas dos minhotos — pelo ar, pelo chão, na velocidade e na inteligência de posicionamento –, o central uruguaio foi preponderante na saída com a bola controlada pela faixa central. Principalmente na primeira parte, quando o relvado do Estádio Dr. Magalhães Pessoa estava muito pesado e com muitos lençóis de água, Coates assentou no poderio físico para batalhar e conseguir ganhar duelos na primeira fase de construção, de forma a romper pela linha inicial do Sp. Braga.

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Na segunda parte, em que o Sporting recuou e aproximou setores por estar a ganhar e querer resguardar a vantagem, o central assumiu por completo a liderança do setor defensivo do Sporting e a voz de comando de Feddal e Inácio, que se movimentam tendo por base os passos que Coates dá em campo. No final da partida, o uruguaio terminou a exibição com oito passes progressivos certos, quatro dribles eficazes, quatro interceções, nove alívios, 14 (!) recuperações de bola e ainda ganhou quatro duelos aéreos, ou seja, todos os que disputou.

O central de 30 anos, um dos mais experientes do onze habitual dos leões, é a ligação entre o passado e o presente do Sporting e conquistou este sábado o quarto título com o clube, depois de duas Taças da Liga e uma Taça de Portugal. Depois do jogo, lembrou que “ganhar a Taça da Liga é sempre importante”. “Estas quatro equipas todas queriam ganhar, ganhou o Sporting. Estamos todos de parabéns. Temos de ir jogo a jogo [no Campeonato]. Vai ser muito difícil, faltam muitos jogos”, acrescentou Coates.