Apesar da pandemia, a Navigator conseguiu lucrar 109 milhões de euros no ano passado. A empresa portuguesa (antiga Portucel/Soporcel) teve menos 35% de lucros do que no ano anterior, num contexto de “forte impacto da pandemia na procura dos seus produtos” e de uma “quebra acentuada de preços”, segundo o relatório e contas da empresa especializada em pasta e papel. A segunda metade do ano ajudou a mitigar o problema.

“Os resultados líquidos dos últimos quatro meses do ano atingiram os 34 milhões de euros, um crescimento de 9% relativamente ao 3º trimestre e de 64% face ao 4º trimestre de 2019”,  lê-se no documento publicado na CMVM.

Lucros da Navigator caem 49% para 75 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano

A empresa, com um volume de negócios de 1,3 mil milhões de euros, tem nas vendas de papel o principal foco de negócio (68% do total), mas no ano passado a venda de pasta ganhou algum peso (chegando aos 11%). Com algumas máquinas paradas quando a primeira vaga da pandemia chegou, a Navigator virou-se para a exportação de pasta, para ajudar a salvar o ano. Nas outras componentes do negócio, tanto o tissue (por exemplo, papel higiénico ou lenços de papel) como a venda de energia valeram 10% cada.

Importante também foram os cortes de custos operacionais — poupança de 47 milhões de euros nos gastos fixos e 60 milhões nos custos de produção variáveis — e o travão nos investimentos, apesar de ter sido concluída a nova caldeira de biomassa da Figueira da Foz (que, segundo a empresa, deverá permitir uma redução já este ano das emissões de CO2, em mais de 30%).