“Sinto que passei por uma série de coisas. Tento manter a esperança. Penso que é algo que todos descobrimos ao longo da pandemia”, desabafa Angelina Jolie, considerando os meses pela frente. Foi na primeira terça-feira de novembro passado que o diretor da Vogue britânica Edward Enninful fez check in em Los Feliz, cenário californiano da propriedade que outrora pertenceu a Cecil B De Mille. É neste refúgio de Los Angeles que a “incandescente” atriz, realizadora e “incansável ativista” há mais de 20 anos, vive com os seus seis filhos: Maddox, 19, Pax, 17, Zahara, 16, Shiloh, 14, e os gémeos Vivienne e Knox, com 12 anos. E é daqui que sai a sessão de fotos que lhe garante honras de capa da edição de março daquela publicação.

É óbvio que o omnipresente vírus está longe de dominar a conversa — que não termina sem este ícone de estilo revelar o conteúdo da sua Old Céline, entre uns aviator Alexander McQueen e um óleo essencial. Afinal, “esperança” é um termo que se aplica com igual peso ao cenário do mediático divórcio de Brad Pitt, consumado em 2019, e pouco esmiuçado nos seus detalhes pós-separação por um clã habitualmente reservado.

Fotografada por Craig McDean, a atriz veste Burberry e Max Mara para duas versões de primeira página

“Os últimos anos foram muito duros. Tenho estado focada em reerguer a nossa família. Aos poucos estou a conseguir, como se o gelo derretesse e o sangue voltasse ao meu corpo. Mas ainda não cheguei lá. Mas espero vir a estar. É o meu plano”, admite, garantindo ainda que gosta de envelhecer. “Sinto-me muito melhor nos meus quarentas do que quando era jovem. Talvez porque…não sei…talvez porque a minha mãe não viveu muito tempo, então há algo em envelhecer que sinto como uma vitória em vez de ver como uma tristeza”.

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Incansável, apesar de habitual discrição fora dos holofotes, Jolie prepara-se para retomar o trabalho atrás das câmaras, onde mais tem dado cartas nos últimos tempos. Pela frente, terá o biopic do fotógrafo de guerra Don McCullin. Na calha, também o lançamento de um livro em parceria com a Amnistia Internacional. Quando à atuação, o ano traz-lhe ainda regresso ao ecrã em mais um título do universo Marvel, “Eternals”.

“Invisto em peças de qualidade e depois uso-as até se gastarem. Botas, uma casaco preferido, uma carteira. Não mudo muito, sabes?”, descreveu, comentando a sua relação com a moda.

Conhecida ainda pelo papel desempenhado ao serviço das Nações Unidas, e pela relação com o drama dos refugiados, Angelina admite ter com a organização uma “relação de amor-ódio”. Adoro quando vejo soluções reais e a proteção daqueles que mais precisam. Adoro ver pessoas de todo o mundo a arriscar a sua vida por isso. O que detesto é a falta de foco do governos na resolução das razões que levam as pessoas a fugir. Detesto quando não erguermos a voz e nos batemos pela igualdade. E detesto quando o objetivo não é encorajar os povos e nações a serem independentes mas sim a beneficiar da sua pobreza”.

A edição da Vogue chega às bancas (e pode ser descarregada em formato digital) a 5 de fevereiro.