A 9 de abril de 2012, o Sporting venceu o Benfica em Alvalade. Um golo solitário de Ricky van Wolfswinkel, aos 18 minutos e de grande penalidade, chegou para os leões de Ricardo Sá Pinto derrotarem os encarnados de Jorge Jesus. O que o Sporting não sabia, nesse dia, era que teria de aguardar quase nove anos para voltar a ganhar ao Benfica em Alvalade para o Campeonato.

O dia, porém, chegou. Oito anos e dez meses depois, o Sporting voltou a vencer o Benfica em casa — e novamente com um golo solitário, mas desta feita por intermédio de Matheus Nunes e já durante o período de descontos. Com o desvio de cabeça que colocou a bola dentro da baliza na sequência de uma defesa de Vlachodimos, o médio brasileiro entrou diretamente para a história e tornou-se apenas o segundo a resolver um dérbi entre os dois clubes depois dos 90′: sendo que o primeiro era também muito recente, em 2019/20, quando Rafa marcou ao nono minuto de descontos do encontro em Alvalade, em janeiro da temporada passada.

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Com esta vitória, o Sporting manteve-se na liderança da Primeira Liga, agora com nove pontos de distância para o Benfica e quatro para o FC Porto. Continua invicto e prolongou o registo de marcar em todas as jornadas: é o segundo melhor ataque da Liga, com 34 golos, e sofreu apenas nove, tendo a maior diferença de golos da competição (+25). Acima de tudo isso, porém, os leões atingiram esta segunda-feira a melhor pontuação dos últimos 72 anos — desde 1948/49, altura em que os Cinco Violinos reinavam em Alvalade, que o Sporting não somava 42 pontos à 16.ª jornada.

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Nem todos os registos, porém, têm augúrios somente positivos. Desde a primeira época de Jorge Jesus no clube, em 2015/16, que os leões não terminavam a primeira volta do Campeonato com quatro pontos para o FC Porto. O problema é que, nas últimas duas vezes em que terminou a primeira metade da Liga na liderança, o Sporting acabou por desperdiçar esse primeiro lugar e não conseguiu ser campeão nacional (2004/05 e 2015/16). O objetivo de Rúben Amorim, ainda que nunca plenamente assumido, será finalmente encerrar esse registo negativo.

Na flash interview, para além do treinador e de Matheus Nunes, considerado o Homem do Jogo, os leões foram ainda representados por Luís Neto, um dos líderes da equipa que chegou sem voz ao final da partida, de tanto gritar a partir da defesa. “Fomos globalmente melhores, em alguns momentos o Benfica equilibrou, especialmente no início da segunda parte, mas acreditámos até ao fim. Nós queríamos muito ganhar este jogo. O mister disse muito isso, e era o nosso compromisso, ficarmos invencíveis em casa… E, se pudéssemos, aumentar a vantagem num dérbi. Estamos muito felizes pelo que aconteceu”, disse o central português, que acrescentou ainda o facto de o jogo contra o Benfica ter sido “uma boa prova”.

“Não tínhamos jogado contra o Benfica, e queríamos saber em que ponto estávamos. A nossa exibição foi consistente, com falhas técnicas aqui e ali principalmente no passe, o que não é comum em nós, mas tivemos uma crença enorme. Defendemos muito bem e estamos de parabéns”, explicou Neto, terminando com a ideia de que a equipa “não estava a contar” com a presença de João Palhinha. “Mas ajudou-nos muito na segunda parte com a sua força. Foi justo”, atirou.