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Umas horas antes, Alfredo Quintana tinha sido… Alfredo Quintana. Na sempre complicada deslocação à Maia para defrontar o Águas Santas, em jogo atrasado da 13.ª jornada da Liga, o FC Porto saiu para intervalo com a vantagem de apenas um golo (14-13) e teve a melhor versão do guarda-redes nos momentos chave para disparar no resultado, que acabaria com uma margem confortável de oito golos de diferença (34-26). Fábio Magalhães, com oito golos noutros tantos remates, foi a figura da equipa em paralelo com os pontas António Areia e Diogo Branquinho no plano ofensivo mas o número 1 revelou-se (outra vez) determinante: 37% de eficácia, 14 defesas feitas, metade de todos os remates de ponta e de primeira linha defendidos, dois golos de baliza a baliza aproveitando os períodos em que os maiatos arriscavam mais com guarda-redes avançado. O último fechou as contas do jogo.

Alfredo Quintana, guarda-redes internacional do FC Porto, sofre paragem cardiorrespiratória no treino. Próximas horas decisivas

Seguia-se o próximo encontro, para a Liga dos Campeões. Com 19 vitórias noutros tantos compromissos na Liga, tendo já vencido de forma clara os principais rivais na luta pelo título Sporting e Benfica, era na prova europeia que se centravam atenções na tentativa de assegurar a melhor posição possível tendo em conta os oitavos já a eliminar. Com uma longa deslocação na calha, os dragões tinham pouco tempo para preparar o jogo com o Meshkov Brest, da Bielorrússia, onde a equipa ganhou na última época e a quem tinha também vencido esta temporada, no jogo realizado no Dragão Arena. Um triunfo valeria, no mínimo, a subida ao quinto lugar do grupo A.

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Assim, e depois das horas de descanso após o jogo na Maia, que terminou por volta das 19h de domingo, Quintana foi para casa, em Gaia, para onde se mudou após ter sido pai de Alicia (antes viveu no Porto), e já estava no Dragão na manhã de segunda-feira, num treino que visava preparar o encontro com o Meshkov Brest. Análise de vídeos, trabalho de campo, recuperação no ginásio – o programa habitual do técnico Magnus Andersson, tendo em conta a densidade competitiva de uma temporada jogada de quatro em quatro dias em provas nacionais e europeias. E foi ainda antes do treino no ginásio que o guardião nascido em Havana teve uma paragem cardiorrespiratória.

Assim, e depois de mais uma ronda de testes à Covid-19 habitual para a viagem e jogo na Liga dos Campeões, alguns jogadores aproveitaram o período antes das 13h45, quando iriam fazer ginásio e a equipa de hóquei em patins entraria na pista para começar a preparar o clássico do próximo sábado com o Sporting no primeiro treino da semana depois da goleada ao Juventude de Viana, para descontraírem um pouco e fazerem um jogo de futebol. A certa altura, uma bola foi para a bancada e Alfredo Quintana ficou a falar com Tiago Cadete, preparador físico da equipa. Foi nessa altura que sofreu a paragem cardiorrespiratória e caiu no chão inanimado.

Apesar da presença de Cadete, de um médico e de outros elementos ligados ao departamento médico, com o INEM a chegar dez minutos após o sucedido depois de um pedido urgente mal Alfredo Quintana caiu no chão, ninguém conseguiu reanimar o guarda-redes, perante o desespero e o choque dos companheiros de uma equipa que tinha no luso-cubano, mais do que um colega, um dos melhores amigos. O Jogo avançou e o Observador confirmou que, apesar de todas as tentativas, Quintana esteve 45 minutos em paragem até chegar à Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São João e ser ligado ao ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorporal). Ao final da tarde, o coração já se encontrava estável mas foi detetado um edema cerebral pela longa paragem.

Esta manhã de terça-feira, a situação clínica de Quintana não tinha sofrido alterações. O jogador continua em coma induzido, estável mas em situação considerada grave, com prognóstico muito reservado, como tinha sido avançado o Observador ao final da tarde desta segunda-feira. O encontro da Liga dos Campeões com o Meshkov Brest foi adiado e os companheiros e restante equipa técnica e staff acompanham a evolução da condição do guarda-redes, depois de várias horas de choque e desespero onde muitos nem olharam sequer para o telefone. Na newsletter Dragões Diário, os azuis e brancos fizeram o ponto de situação: “O pensamento de todos no FC Porto está com Alfredo Quintana, que ontem sofreu uma paragem cardiorrespiratória quando se preparava para começar mais um treino no Dragão Arena. O guarda-redes da equipa de andebol foi reanimado e estabilizado no local e transportado para o Hospital de São João, onde se encontra internado na Unidade de Cuidados Intensivos”.

O ambiente é de grande consternação no mundo de andebol, com vários elementos da Federação Portuguesa de Andebol e de clubes rivais, que jogaram e trabalharam com o luso-cubano, a mostrarem total solidariedade e apoio pela situação com um dos jogadores mais respeitados e acarinhados na modalidade, não só no FC Porto (Pinto da Costa e outros elementos da Direção do clube não esconderam a preocupação ao saberem da notícia na Madeira), onde está desde 2010/11, mas também na Seleção e por todas as equipas nacionais.