É uma estreia no futebol português: pela primeira vez na história, Benfica e Sp. Braga vão disputar a final da Taça de Portugal. Com a vitória frente ao Estoril, os encarnados carimbaram a presença na partida que vai decidir o vencedor do troféu, onde os minhotos chegaram depois de eliminarem o FC Porto. Até aqui, a única final disputada pelos dois clubes tinha sido em 2016, na Supertaça Cândido de Oliveira, com o Benfica de Rui Vitória a vencer o Sp. Braga de José Peseiro.

Chiquinho tem pouco de “inho” e está cada vez mais um homem feito (a crónica do Benfica-Estoril)

Com a presença no jogo do próximo dia 23 de maio, os encarnados alcançaram a 38.ª final da Taça de Portugal da própria história e a segunda consecutiva, algo que já não acontecia desde 2013 e 2014 — curiosamente, quando Jorge Jesus também era o treinador da equipa. A última vez que o Benfica conquistou o troféu foi em 2016/17, com Rui Vitória ao comando e com direito a dobradinha, já que o clube da Luz tinha alcançado o tetracampeonato nacional pouco antes. Desde 1988/89, há mais de 30 anos, que o Benfica não chegava totalmente vitorioso a uma final da Taça (leva seis vitórias), sendo que nesse ano acabou por perder a competição para o Belenenses.

A título pessoal, Jorge Jesus chega à 10.ª final pelo Benfica — conquistou cinco Taças da Liga e apenas uma Taça de Portugal — e pode engrossar o próprio palmarés na segunda competição nacional. Em 27 participações, o treinador só venceu o troféu precisamente em 2013/14, com os encarnados, e já perdeu três vezes na final, com o Belenenses e contra o Sporting em 2007, com o Benfica e contra o V. Guimarães em 2013 e com o Sporting e contra o Desp. Aves em 2018. Com a vitória desta quinta-feira contra o Estoril, o Benfica ganhou pela segunda partida consecutiva, algo que não conseguia há cerca de um mês.

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Jesus, que mudou dez jogadores face ao onze inicial que tinha começado a partida contra o Rio Ave, mostrou-se satisfeito com o resultado na flash interview, principalmente porque estar na final da Taça de Portugal era “um dos objetivos” da época dos encarnados. “Hoje ganhámos 2-0 mas voltámos a ter muitas oportunidades de golo. Fizemos 21 remates, só nove na baliza, mas criámos muitas oportunidades. Esta equipa não tem jogado tanto, mas deram uma boa resposta, mostraram que posso confiar neles. Era esse o objetivo, sentir que os que não jogam tanto podem dar à equipa mais opções. Acho que o Chiquinho foi um dos que esteve muito bem em relação àqueles que não têm jogado tanto. O objetivo deste jogo era jogar e passar. Tivemos períodos bons, outros não tão bons, como é normal, pois jogámos numa pressão no adversário logo à saída do keeper, o que implica um desgaste muito grande. A equipa, nota-se, está a melhorar, já consegue fazer isso. Os jogadores estão de parabéns porque o que queríamos era estar na final”, explicou o treinador, que justificou depois as alterações táticas que promoveu ainda durante a primeira parte.

“Depois da meia-hora mudámos o sistema, porque não estávamos muito bem a parar a saída de bola do Estoril, os nosso centrais entravam muito no risco. Nesses 15 minutos finais da primeira parte mudámos para 4x3x3 e equilibrámos melhor o corredor central e foi quando fizemos o golo. Tivemos muitas oportunidades criadas pela pressão — o segundo foi assim, mas tivemos mais duas ou três nessa ideia de jogo. O Chiquinho é um jogador que com bola tem critério e fez um bom jogo. Tirei-o porque não quis tirar o Cervi, porque se tivesse de fazer substituição face ao que estava a acontecer, era ele a sair. Quis dar tempo aos jogadores. A dupla de centrais esteve muito bem, tal como no jogo anterior o Jardel e o Lucas Veríssimo também estiveram. É tentarmos crescer jogo a jogo, que é o que estamos a fazer”, completou Jorge Jesus, que acrescentou ainda que o grande problema da equipa durante o mês de janeiro foi não ter “ritmo competitivo”. “Caía sempre na segunda parte. Sabemos o porquê, mas não vale a pena falar disso. Com jogos, a equipa ganha capacidade física. São os mesmos a treinar e depois a jogar e isso tem feito com que a equipa cresça”, atirou.

Sobre Rafa e Weigl, que nem sequer integraram a ficha de jogo, o técnico lembrou que a equipa tem estado a jogar de três em três dias. “O Julian [Weigl] e o Rafa foram os jogadores que com o Arsenal e Rio Ave mais correram. Sabia que hoje se os metesse não tinham condição física para dar intensidade que os que jogaram deram. Achei que os que jogaram estavam melhores para hoje, para responder às necessidades da equipa”, explicou, referindo também que quis dar minutos a Vlachodimos, que nas últimas partidas perdeu a titularidade para Helton Leite.