A temporada de Sporting e Benfica poderia ser quase uma fotocópia se não fosse a carreira mais longa dos leões na Liga Europeia, onde caiu apenas nos oitavos frente aos polacos do Wisla Plock (e por um golo). De resto, além dos triunfos na Taça de Portugal, só vitórias no Campeonato e uma derrota diante do FC Porto. Também por isso, o dérbi no Pavilhão João Rocha, ainda a contar para a 14.ª jornada mas que estava em atraso pelos compromissos da formação verde e branca na Europa, ganhava um especial relevo numa época decidida apenas na fase regular, com um segundo desaire a poder ser decisivo nas contas finais da prova com dez rondas por disputar.

Do lado do Sporting, que teve alguns triunfos mais apertados com ABC, Avanca, Boavista, Águas Santas (o mais difícil, com a vitória por 26-25 a surgir mesmo no final) e Póvoa, havia apenas a derrota caseira com os dragões em casa e por seis golos (33-27). Do lado do Benfica, que sentiu sobretudo dificuldades para conseguir a vitória na deslocação a Braga para defrontar o ABC e a Gaia, sobrava também o desaire forasteiro com os azuis e brancos no Dragão Arena por dois golos (27-25), num encontro competitivo e só decidido nas últimas posses de bola. Assim, e com três dérbis e clássicos em maio (FC Porto-Sporting no dia 8, Benfica-FC Porto no dia 15 e Benfica-Sporting no dia 29), o encontro ganhava outro peso nas contas do título antes da fase decisiva.

Olhando para o registo histórico, os encarnados conseguiram quebrar uma série de 15 jogos sem vencer na Liga (três empates e 12 derrotas) e levavam dois triunfos nas últimas cinco partidas, ambos na Luz. Fora, o Benfica não ganhava há 12 encontros, levando nove desaires seguidos e tendo como derradeiro triunfo um 28-22 em outubro de 2012. E assim continuou, num encontro equilibrado até aos últimos sete/oito minutos, altura em que Ruesga abriu o livro, Skok apareceu na baliza e o Sporting ganhou um avanço que permitiu fechar com 31-29, permitindo a subida à condição à liderança do Campeonato com mais um ponto e um jogo do que o FC Porto.

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O encontro, antecedido por um minuto de silêncio em memória do antigo jogador leonino nos anos 80 e 90 Luís Armindo Pires (vítima de doença prolongada, aos 54 anos), dificilmente poderia ter sido mais equilibrado nos 30 minutos iniciais: nenhuma equipa conseguiu ter vantagens superiores a um/dois golos salvo raras exceções, os encarnados começaram na frente mas sem nunca conseguirem descolar, os verde e brancos terminaram melhor mas sem materializar essa fase, os guarda-redes tiveram poucas intervenções apesar de algumas falhas técnicas ofensivas dos ataques e o intervalo chegou com o Sporting na frente pela margem mínima (14-13).

O segundo tempo começou com o Benfica a conseguir dois golos logo a abrir, o Sporting respondeu da mesma forma e a toada dos 30 minutos iniciais manteve-se sem que nenhuma das equipas conseguisse descolar no resultado entre várias alterações que iam sendo feitas entre troca de unidades na defesa, mais aposta no jogo de segunda linha de pivôs ou troca de guarda-redes. Assim, os últimos dez minutos chegavam com uma vantagem mínima dos leões por 24-23, altura em que Chema Rodríguez parou o jogo para inverter uma fase de melhor rendimento dos visitados. Resultou, o Benfica passou para a frente, mas três golos consecutivos dos leões vieram parar por completo essa resposta, embalando a equipa verde e branca para a vitória por 31-29.