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João Almeida voltava este sábado ao local onde nasceu como estrela no World Tour. João Almeida regressava à corrida onde conseguiu a maior classificação de sempre da carreira, acrescentando entretanto um pódio na Volta aos Emirados Árabes Unidos. João Almeida chegava ao país onde bateu vários recordes nacionais de lideranças nas principais provas depois de duas semanas de rosa que só acabaram na passagem pelo Stelvio. Mas João Almeida era, em 2021, um corredor completamente diferente. Pessoalmente, no contexto, na própria equipa.

“João Almeida tem assuntos por resolver no Giro e aprendeu imenso no ano passado”, destaca Bradley Wiggins

Desde essa quarta posição na estreia do Giro, João Almeida teve outros resultados relevantes no World Tour e passou a andar com metade das equipas internacionais na sua roda para um contrato a pensar num futuro a médio/longo prazo. Em paralelo, passou a ser visto na Deceuninck Quick-Step e no pelotão internacional como um corredor capaz de se destacar nos grandes momentos e que merecia um maior “respeito” do que aquele que ainda não tinha antes da fantástica Volta a Itália do ano passado. Ao mesmo tempo, viu Remco Evenepoel voltar à competição depois do acidente gravíssimo que o afastou nove meses das competições, tendo o belga apontado por todos como um dos campeões no futuro a dizer que estava no Giro apenas para ajudar o português mas sabendo, ele e todos, que durante uma prova de três semanas tudo pode mudar. Tudo mudara menos as principais características do corredor português, apostado em destacar-se desde a primeira etapa.

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“O objetivo tem sido trabalhar para estar bem no Giro. Tenho estado em boa condição nas corridas realizadas e quero ter a melhor forma de sempre durante o Giro. Trabalhei muito e a meta é terminar a corrida no pódio. Ficaria feliz se terminar nos dez melhores mas queremos sempre melhorar mais e mais. Estou orgulhoso de como corri no Giro, não esperava liderar tanto tempo. Com tantos pódios e entrevistas, perdes algum tempo de recuperação e isso afetou”, comentou no lançamento da prova, admitindo que estava como líder na prova mas sem problemas de ajudar Evenepoel se for caso disso e que havia mais candidatos à vitória final do que em 2020.

Saindo primeiro do que Evenepoel por opção da equipa, João Almeida terminou o seu contrarrelógio de 8,6km em Turim que marcava o início do Giro de 2021 com o terceiro lugar provisório (9.04), sabendo que Filippo Ganna, mesmo não tendo um grande início de época, seria o favorito para arrebatar a primeira posição e bater toda a concorrência como em 2020 – como viria a acontecer, com uma média superior a 58km/hora… Ainda assim, e enquanto tudo isto decorria, caiu uma “bomba” no pelotão protagonizada por Patrick Lefevere, diretor desportivo da Deceuninck-Quick Step, que voltou a deixar uma notícia de peso ao Het Nieuwsblad.

O João vai deixar a nossa equipa no final do ano. O seu agente tem mostrado relativamente pouco respeito nas negociações. Já me disse várias vezes ‘Patrick, juro pelos meus filhos’. Sou alérgico a esse tipo de declarações. Se isso vai mexer com o Giro? Não vai determinar as nossas escolhas táticas, isso vão ser as pernas. Para mim não me importa se ganho com um português ou com um belga. O João é o líder, o Remco tem papel livre mas se o Remco for o mais forte e o João não fizer o que esperamos podemos trocar e vice-versa”, assumiu o responsável da equipa.

De acordo com a publicação, e apesar das notícias iniciais que apontavam João Almeida à Team Emirates, agora será a Bora a colocar-se em melhor posição para garantir o corredor português a partir da próxima temporada. Uma coisa é certa: o Giro ganhou uma história paralela durante as próximas semanas. E logo com um corredor que, depois da quarta posição em 2020, começou a edição deste ano com mais um top 10, acabando com o quarto melhor tempo de um dia dominado por Ganna e onde foi mais rápido do que Evenepoel apesar das indicações muito positivas deixadas pelo belga. Nelson Oliveira esteve também em destaque com o 16.º lugar.