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Parecia escrito: na mesma etapa, na mesma hora e com uma chegada não muito distante, Rúben Guerreiro ia numa posição que lhe permitia sonhar numa vitória em fuga na nona tirada do Giro de 2021 à semelhança do que acontecera no ano passado na subida a Roccaraso que concluiu a primeira semana da Volta a Itália. Chegou a ser possível mas a estratégia da EF Education ao colocar Simon Carr na frente sem “pernas” permitindo o corte no grupo de fugitivos deitou por terra as hipóteses do português. Pelo menos de Rúben Guerreiro porque, numa parte final em que tudo mudou, João Almeida voltou a assumir um papel importante como protagonista.

Depois de Bouchard ter descolado e de Koen Bouwman conseguir apanhar o líder da etapa no último quilómetro e meio feito a subir em terra batida e com troços com um pouco mais de gravilha, Egan Bernal aproveitou da melhor forma o trabalho que tinha vindo a ser feito pela Ineos para conseguir fazer um ataque verdadeiramente demolidor (a imagem do colombiano a passar os dois fugitivos ficou como marca do dia), ganhando não só a etapa mas também a camisola rosa – que já estava muito tremida para Attila Valter. Já João Almeida, que andou sempre na frente nos derradeiros quilómetros mostrando bem a força que tem apesar de estar arredado do triunfo final, deixou-se ficar para “rebocar” Remco Evenepoel, que perdeu assim menos segundos.

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Apesar dessa questão tática, o português voltou a fechar uma etapa no top 10 (neste caso em décimo), repetindo a posição na véspera e subindo mais algumas posições na geral. E com outra curiosidade: somando as 21 etapas de 2020 com as nove da presente edição, o corredor da Deceuninck Quick-Step terminou quase metade (14) entre os dez primeiros da etapa, mostrando bem a capacidade quando leva apenas dois anos no World Tour.

Na geral, depois da ligação entre Castel di Sangro e Campo Felice (Rocca di Cambio) com 158km, Egan Bernal passou para a liderança e ficou com 15 segundos de avanço em relação a Remco Evenepoel, tendo ainda no top 4 como principais adversários Aleksandr Vlasov (21 segundos) e Giulio Ciccone (36 segundos). Attila Valter, Hugh Carthy, Damiano Caruso, Dan Martin, Simon Yates e Davide Formolo fecham os dez primeiros classificados. Entre os corredores portugueses, João Almeida subiu dois lugar para a 23.ª posição; Rúben Guerreiro ganhou também três lugares, ocupando a 25.ª posição; e Nelson Oliveira caiu quatro lugares para a 37.ª posição.