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O Atl. Madrid começou por gelar a concorrência com uma primeira volta numa sequência de 13 vitórias em 14 jogos que lhe dava uma vantagem de dez pontos mesmo com uma partida ainda em atraso mas andou depois a brincar com o fogo, com uma série de empates e derrotas que permitiram aos rivais diretos uma aproximação de tal forma perigosa que na 35.ª jornada correu o risco de deixar de depender de si. Os outros também falharam, os colchoneros voltaram a acertar o passo com uma vitória tremida frente à Real Sociedad, recuperaram vários jogadores que tinham estado ausentes por motivos diversos e chegavam à penúltima ronda com 80 pontos.

Já o Real Madrid iniciou o Campeonato com dois empates e três derrotas nos dez primeiros jogos, estabilizou na antecâmara da viragem de volta com cinco vitórias, não mais voltou a perder em encontros da Liga apesar de alguns insucessos entre Supertaça, Taça de Espanha e mais tarde Liga dos Campeões, mas foi somando vários empates soltos que impediram o assalto à liderança, nomeadamente a igualdade em Valdebebas com o Sevilha que impediu a equipa de assumir o primeiro lugar. Também por isso, e mesmo podendo chegar ainda ao título, o quotidiano passou a ser marcado pelas notícias sobre o sucessor de Zinedine Zidane no comando técnico, entre uma opção da casa (Raúl González) e um técnico estrangeiro (Massimiliano Allegri ou Joachim Löw). Contas feitas, os merengues, com várias ausências por lesão, chegavam à penúltima ronda com 78 pontos.

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Por fim, o Barcelona arrancou a temporada ainda num verdadeiro turbilhão que vinha da época anterior entre a escolha de Ronald Koeman para o comando técnico, o pedido de rescisão de Lionel Messi, a dispensa (através de uma chamada telefónica) de Luis Suárez e a contestação ao então presidente Josep Maria Bartomeu, perdeu 16 pontos nos primeiros 30 que disputou, conseguiu de seguida uma série com 13 vitórias e um empate em 14 jogos, colocou-se em posição de assalto ao primeiro lugar já estabilizado no plano institucional com a eleição de Joan Laporta mas perdeu pontos de novo em quatro das últimas sete jornadas, saindo derrotado frente ao Real e empatando com o Atl. Madrid. Com isso, os blaugrana chegavam à penúltima ronda com 76 pontos.

Este domingo tinha todos os cenários em aberto. O Atl. Madrid podia ser campeão caso ganhasse ao Osasuna e o Real Madrid não conseguisse a vitória mas também podia descer ao segundo lugar.O Real Madrid podia subir ao primeiro posto caso ganhasse ao Athletic em Bilbao e o Atl. Madrid não vencesse mas também podia cair para a terceira posição. O Barcelona podia ascender à segunda posição com hipóteses de ser campeão caso ganhasse na receção ao Celta de Vigo e Atl. Madrid e Real perdessem mas também corria o risco de descer à quarta posição, tendo em conta a diferença de dois pontos para o Sevilha. Às 17h30, começavam duas horas de nervos. E ao longo desse período foram muitas as incidências que fizeram parar a Liga espanhola. E virar tudo.

Houve golos anulados pelo VAR, bolas que entraram mas que só depois foram assinaladas, golos consentidos e dez minutos verdadeiramente alucinantes no Wanda Metropolitano, com João Félix a assistir para o empate de Renan Lodi aos 82′ e Luis Suárez a marcar o golo da vitória do Atl. Madrid a dois minutos do final, deixando a equipa de Diego Simeone apenas a um triunfo de conquistar o título espanhol. Já o Real Madrid continua na luta após vencer o Athl. Bilbao com um golo de Nacho (sendo que durante 14 minutos foi líder com mais um ponto…), ao passo que o Barcelona perdeu com o Celta de Vigo entre um golo de Messi e um bis de Santi Mina com Ter Stegen a ficar muito mal na fotografia do jogo e está fora da corrida do título, mantendo-se no terceiro lugar.