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A Grécia está discutir um projeto lei que prevê que todos os animais de companhia sejam esterilizados. A proposta está sob consulta pública, mas os criadores e alguns médicos veterinários estão contra, tendo inclusive organizado uma greve para mostrarem o descontentamento face à possível aprovação.

O país enfrenta um problema com o abandono de animais. “Todos os dias encontramos caixas e sacos de gatinhos e de cachorros em caixotes de lixo”, relata Efi Tsekmesoglou da Associação de Proteção Animal de Creta ao The Guardian. Em Atenas, estima-se mesmo que existam aproximadamente dois milhões de gatos e cães que vagueiam pelas ruas. A esterilização obrigatória iria reduzir o número de animais vadios e iria obrigar a população a fazê-lo, dado que na Grécia não é normal castrar os animais de companhia.

No entanto, o projeto lei, que será discutido no Parlamento helénico em junho, tem sido criticado por criadores e por médicos veterinários. Ouvido pelo mesmo jornal, Manos Vorrisis, que tem uma clínica veterinária na ilha Syros, diz que há estudos “nos Estados Unidos e na Austrália que provam que a esterilização obrigatória não resulta”.

Por seu turno, os criadores sublinham que esta medida pode levar ao fim de raças que existem na Grécia desde a antiguidade, como o Sabujo de Creta. “A lei também reduz a capacidade dos proprietários de ter ninhadas”, frisa o criador Theodosis Papandreou ao órgão britânico, que a caracteriza a proposta como um “erro fatal”. “Devemos fazer de tudo para preservar estas raças raras”, acrescenta.

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Desde que chegou ao cargo em 2019, o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis tem tornado os direitos animais como uma das suas prioridades,  chegando mesmo a adotar um animal de um canil público. “A proteção animal é uma questão de civilização”, afirmou de acordo com o The Guardian, defendendo a esterilização obrigatória.

“É a altura para a Grécia avançar com passos corajosos para a proteção dos nossos amigos”, conclui o chefe de Estado.