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Os bancos de investimento estão habituados a criar modelos para tudo e mais alguma coisa, sobretudo para tentar antecipar tendências económicas macro a partir de introdução (e ponderação) de alguns elementos mais micro. Por isso, quando falta pouco mais de uma semana para o início do Europeu de futebol, o Goldman Sachs, um dos bancos de investimento mais influentes do mundo, decidiu criar um modelo para tentar prever quem sairá vencedor – e as notícias para Portugal não são as melhores.

A julgar pelo modelo do Goldman Sachs, depois de eliminar Portugal nas meias-finais, a seleção da Bélgica também irá derrubar a Itália na final, tornando a nova campeã europeia de seleções. Eis como o modelo do Goldman Sachs simulou a fase final da competição.

Fonte: Goldman Sachs

De acordo com o modelo do Goldman Sachs, a seleção portuguesa tem uma probabilidade de apenas 9,5% de conseguir a vitória no torneio, revalidando o título conquistado em 2016. França, Itália, Inglaterra, Espanha e, claro, a Bélgica, têm melhores hipóteses do que a turma escolhida por Fernando Santos.

As probabilidades de chegar às diferentes fases do torneio.

Como é que o banco de investimento chegou a estes valores? “Começámos por modelar o número de golos marcados por cada equipa usando uma vasta base de dados criada a partir dos jogos oficiais desde 1980”, explica a nota difundida pelo Goldman Sachs, que salienta que “o número de golos marcados por cada equipa pode ser explicado 1) pela força da equipa (medida pelo ranking Elo); 2) os golos marcados e sofridos nos jogos mais recentes (para incluir o ímpeto recente de cada seleção); 3) a vantagem de jogar em casa (que vale 0,4 golos por jogo); e 4) o efeito de torneio, que sugere que alguns países têm uma tendência para ter prestações melhores do que o seu rating quando chegamos a torneios importantes como este”.

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Assim, com todos estes inputs introduzidos no modelo, a previsão é que “a Bélgica deverá vencer o Europeu, pela primeira vez na história desta seleção, batendo a Itália por uma margem escassa na final, marcada para 11 de julho”. Mas o Goldman Sachs antevê “uma corrida apertada entre Bélgica, Itália, Portugal e Espanha, que devem atingir pelo menos as meias-finais”.

O modelo do Goldman Sachs também antecipa que será a Alemanha (e não a França) a segunda seleção a apurar-se vinda do grupo F, o grupo onde também está Portugal. Os alemães devem, porém, ser derrotados pela Inglaterra logo no início dos playoffs, em Wembley.

Também a Dinamarca pode ter uma boa prestação, prevê o Goldman Sachs, vencendo o respetivo grupo mas, depois, acabando derrotada por Portugal nos quartos-de-final. Já a França, que é campeã do mundo em título, deverá ficar-se pelo grupo (ultrapassada por Portugal e Alemanha) e não ascenderá à fase final do torneio, “penalizada no nosso modelo pelo facto de estar num grupo difícil, por não ter vantagem de jogar em casa e porque transporta dos últimos jogos um ímpeto desfavorável”.