Não está a ser fácil a carreira de Paulo Sousa ao comando da Polónia. Em seis jogos apenas uma vitória, contra a frágil Andorra. Esta segunda-feira, contra a Eslováquia, a equipa ficou aquém do esperado, esbarrando na eficaz tática adversária.

A Polónia tem, como o técnico português já admitiu, problemas em defender bolas paradas, pelo que o resultado de hoje não deixa de ser algo by the book por parte da Eslováquia. Sem deixar os polacos jogar por dentro e fechando bem os caminhos para Lewandowski, foi através de um lance individual, um grande trabalho de Mak, que surgiu o 1-0.

Os polacos tentavam, mas estava difícil. Se bem que deram a entender ter levado um bom “raspanete” de Paulo Sousa ao intervalo e entraram a todo o gás, chegando ao empate em poucos segundos.

No entanto, a expulsão, primeira do Euro, por duplo amarelo a Krychowiak, estancou a iniciativa polaca por momentos, suficientes para o 2-1… na tal bola parada.

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Resumindo, a Eslováquia defendeu bem, fechou onde tinha de fechar e aproveitou as ocasiões que teve, neste caso um 1×1 e uma bola parada, desbloqueadores de tantos jogos e, para mal dos polacos e de Paulo Sousa, desbloqueador deste encontro também.

O jogo a três toques

Para recordar

A UEFA assinou autogolo, mas considere-se para efeitos de meritocracia que o primeiro golo do jogo é 99,9% de Mak, jogador eslovaco que com um trabalho fantástico deixou dois defesas polacos à toa antes do golo. Mak, cercado na linha, saca um túnel da cartola e passa bem no meio dos defesas. Um deles ainda tentou um carrinho, mas não foi capaz de evitar alguém que ia super decidido para o golo. O remate saiu ao poste, bate no guarda-redes e entra nas redes. Autogolo? Tecnicamente sim, mas há que haver sinceridade e elogiar o grande trabalho. É dia de grandes golos, está visto.

Para esquecer

É verdade que a Eslováquia cumpriu, e de que maneira, o seu plano de jogo, mas a Polónia tem de fazer mais. São candidatos a algo? Talvez não, mas são, em teoria, uma equipa experiente e com jogadores de qualidade. Três problemas: Primeiro, a dificuldade em jogar por dentro e desmanchar a equipa adversária, sempre bem posicionada. Ficou a ideia de que ao acelerar as coisas melhoravam, mas a Polónia jogou demasiado devagar e por fora, criando pouco perigo. Seguindo em lógica para o segundo ponto, é preciso alimentar o um dos melhores avançados do Mundo. Lewandowski é um fora de série e nem precisa de bolas super direitinhas para finalizar. Mas, pelo menos, deem-lhe bolas assim mais ou menos. É o que basta para ele. Em terceiro, a primeira expulsão do Euro resulta de uma falha de Krychowiak, que não podia entrar fora de tempo já com amarelo. Arriscou e perdeu. Perdeu a Polónia também.

Para valorizar

A Eslováquia joga um futebol de luxo? Não, claro que não. Mas sai de São Petersburgo com três pontos justos, baseados num excelente jogo defensivo mas, acima de tudo, assente na eficácia. Mak trabalhou bem, boa posição de remate, deu golo. Mais tarde, numa bola parada, que tantos problemas tem dado a Paulo Sousa na sua carreira de selecionador, um golo de belo efeito de Skriniar, aproveitando o espaço que tinha. Conseguiram a surpresa, ou seja, o objetivo a que se propuseram. Boa nota para a equipa.