O comediante norte-americano Bill Cosby será libertado depois de o Supremo Tribunal da Pensilvância ter anulado a condenação por agressão sexual. A sentença tinha ditado a pena de prisão por três a dez anos, em 2018, e Cosby cumpriu mais de dois anos.
Cinco testemunhas ouvidas em tribunal, na altura do julgamento, tinham acusado Bill Cosby de drogar e abusar sexualmente de várias mulheres. O ator e apresentador norte-americano Bill Cosby acabou por ser condenado a uma pena de prisão efetiva pelo abuso sexual de uma mulher em 2004, depois de o juiz Steven O’Neill ter recusado aplicar uma pena suspensa ou de prisão domiciliária.
O juiz, que declarou ser “tempo para a justiça”, condenou ainda Cosby a uma multa de 25 mil dólares. A condenação de Cosby foi a primeira sentença efetiva emitida por um tribunal depois do rebentar dos escândalos de abusos sexuais em Hollywood e do aparecimento do movimento Me Too.
Ao longo da carreira, a estrela norte-americana que foi comediante, ator, apresentador de televisão, produtor e músico, foi acusado de assediar sexualmente várias mulheres, tendo a primeira de dezenas de suspeitas aparecido ainda na década de 60. Em 2014, a polémica adensou-se em torno do ator, quando pelo menos 15 mulheres denunciaram a jornais norte-americanos atos de assédio sexual.
O caso que lhe viria a valer a pena de prisão foi o de Andrea Constand, uma funcionária da Universidade de Temple, em Filadélfia. Andrea denunciou que, em meados de 2004, Cosby lhe tinha tocado “nos seios e na vagina” e violado depois de lhe dar um comprimido. Os relatos tiveram repercussões e multiplicaram-se pela voz de várias mulheres.
Segundo os testemunhos que vieram a público nessa altura, Andrea Constand, treinadora de basquetebol da universidade onde Cosby também tinha estudado, tinha 31 anos quando visitou a casa do ator norte-americano, em Filadélfia. Ia pedir-lhe conselhos, uma vez que Cosby pertencia ao Conselho Consultivo da Universidade.
Nessa altura, Cosby ofereceu a Andrea três comprimidos de Bendryl e depois começou a tocá-la “inapropriadamente”. Quase um ano depois, a mulher apresentou uma queixa contra Cosby por abuso sexual, mas os dois chegaram a um acordo extra-judicial em 2006 — Cosby afirmou que o encontro foi “consensual” e que só ofereceu os comprimidos porque Andrea parecia “stressada”.
Recorde-se que, em maio deste ano, o ator Bill Cosby, juntamente com o realizador Roman Polanski, foram expulsos da Academia de Holywood, que seguiu o Código de Conduta que adotou depois do caso de Harvey Weinstein.