“Funeral de Estado”

O ucraniano Sergei Loznitsa foi aos arquivos russos buscar imagens de luto e dor da população rodadas por duas centenas de diretores de fotografia em toda a URSS quando da morte de Estaline, em Março de 1953, e de um filme documental sobre as exéquias do ditador comunista intitulado “O Grande Adeus”, rodado por quatro realizadores de nomeada, mas que ficou inédito devido à feroz luta pelo poder no Politburo do PCUS que se seguiu (e que foi satirizada por Armando Iannucci na sua comédia negra “A Morte de Estaline”), criando com elas este impressionante documentário sem narração, em que se ouvem apenas os sons da época, e que funciona como uma espécie de “retro-reportagem” sobre o acontecimento. Além de expor os extremos doentios, sinistros e mesmo “kitsch” do culto da personalidade devotado a Estaline, e a extensão, insistência e omnipresença da propaganda no regime totalitário soviético, “Funeral de Estado” mostra também os dirigentes do Partido Comunista a fazer, para consumo das massas e externo, discursos de fidelidade à memória de Estaline e de firme unidade do partido e do Estado, enquanto nos bastidores já formavam grupos, faziam alianças e combatiam entre si, selvaticamente, pelo poder.

“Aya e a Feiticeira”

Gorô Miyazaki,  filho de Hayao Miyazaki, é o realizador desta longa-metragem animada feita para a televisão japonesa, a primeira digital do muito tradicionalista Studio Ghibli. Baseado num livro da escritora inglesa Diana Wynne Jones, da qual o pai Hayao já filmou “O Castelo Andante”, e passado na Inglaterra dos anos 90, “Aya e a Feiticeira” tem como heroína uma menina que foi deixada ainda bebé pela mãe à porta de um orfanato, e que anos mais tarde é adotada por uma feiticeira que precisa de uma ajudante. Aya vai descobrir que a mãe também era uma bruxa, que tem poderes mágicos como ela e que a casa onde vive encerra segredos que têm a ver com a sua família. E mais valia que este filme tivesse sido feito pelos processos de animação tradicional tão estimados e brilhantemente cultivados pelo Studio Ghibli. Porque  da estética global ao aspeto das personagens e à dinâmica narrativa, “Aya e a Feiticeira” está muito atrás do melhor que se faz atualmente em animação computacional, tanto na Ásia, como nos EUA e até mesmo na Europa. Resta saber se se trata – esperemos! – de uma experiência isolada que não terá continuidade, ou se o Studio Ghibli pensa mesmo apostar na animação digital.

“Presos no Tempo”

“Presos no Tempo”, o novo filme de de M. Night Shyamalan, é adaptado da banda desenhada “Château de Sable”, de Pierre-Oscar Lévy e Frederik Peeters, e passa-se num luxuoso hotel de uma ilha tropical . Um pequeno grupo de hóspedes — famílias, casais e um famoso “rapper” – são direcionados pelo gerente da hotel para uma praia remota e exclusiva da ilha, parte de uma área protegida, para lá passarem um dia. A praia é deslumbrante, mas cedo se dão acontecimentos estranhos. O corpo de uma rapariga conhecida do “rapper” dá à praia, qualquer ferida sara logo, as crianças começam a crescer súbita e anormalmente, uma idosa e um cão morrem de repente, e os adultos reparam que estão a envelhecer em horas o que demoraria anos. Quando tentam deixar a praia, não conseguem, pelo caminho por onde vieram, por mar ou escalando o penhasco: há uma força que os repele e deixa desacordados. Por outro lado, as doenças de que certos deles sofrem aceleram-se e agravam-se rapidamente. “Presos no Tempo” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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