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Vinte anos ao serviço da mesma equipa da NBA, os Los Angeles Lakers. Cinco vezes campeão, prémios de MVP (melhor jogador) e de melhor marcador. 18 idas ao All Star Game, presença habitual nas melhores equipas de fim de temporada, vencedor do concurso de afundanços em 1997 e duas medalhas olímpicas pelos EUA. Falar de Kobe Bryant é falar de excelência. Por muito que se discuta – e os norte-americanos são especialistas nisto –, quer fora, quer dentro dos media, quem são ou não os melhores jogadores de sempre de basquetebol e qual a hierarquia entre os mesmos, uma coisa é quase certa: Kobe está lá, como um dos melhores, mais motivados e dos mais trabalhadores. Até, muitas vezes, segundo relatos, um dos mais chatos (como foi também Michael Jordan, o ídolo) devido à vontade de vencer, algo que chegou a afastar algumas pessoas. Natural de Filadélfia e chegado à NBA apenas com 16 anos, tendo escolhido tornar-se profissional ao invés de ir para a universidade, tal era já a sua confiança, Kobe Bryant morreu tragicamente num acidente de helicóptero a 26 de janeiro de 2020, aos 41 anos.

Ele, a bola e um cesto. Mas Kobe era mais do que isso. Tanto que até um poema de vida passou a filme (e ganhou um Óscar)

No aparelho seguiam mais oito pessoas, incluindo a sua filha Gianna (a mambacita como lhe chamavam carinhosamente, também ela com muito jeito para o basket), então com 13 anos. Nenhum dos ocupantes sobreviveu. Sem surpresa, as homenagens sucederam-se, não só nos Lakers (ninguém jogará mais com o 8 e o 24) mas até com os Dallas Mavericks a retirarem a camisola 24 e o prémio de MVP do All Star Game a ficar com o nome do malogrado ícone do desporto mundial.

Desapareceu o atleta, mas não o que conseguiu.

Black Mamba, alcunha que um dia adotou por ser uma “cobra assassina” dentro do court de basquetebol, viverá para sempre nos seus feitos, mas também na sua família, Vanessa, a mulher, Bianka, com 4 anos, Capri, de 2 anos, e Natalia Diamante Bryant, a mais velha, agora com 18 anos. “A minha mãe escolheu o meu nome. Diamante [“Diamond”] em espanhol é diamante e a minha alcunha é Nani, que em havaiano quer dizer belo”, referiu numa rara entrevista à Teen Vogue. Sendo filha de quem é, talvez a expressão diamond in the making não seja completamente desapropriada para uma jovem que pretende escrever o seu caminho por si, mas cuja ascendência não nega, muito pelo contrário.

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Kobe, um ano depois: um “hermano” que se tornou família, uma cidade eternamente triste, um vazio insubstituível nos Lakers

“Adoro falar sobre o meu pai. É agridoce, mas gosto mais de falar sobre ele do que o que me deixa triste”, disse Natalia à Teen Vogue, da qual foi capa, e em que falou sobre o pai, a família, os projetos e o que pretende ainda sendo jovem. E, ao fim ao cabo, mesmo que noutras áreas, quer ser como o pai: focada, ambiciosa e uma campeã.

Ainda com nove anos, Natalia apaixonou-se pelo voleibol e quis ser desportista como o pai. A mãe levou-a a ver voleibol de praia nos Jogos Olímpicos Londres 2012 e foi aí que começou a ligação mais a sério, ainda que, claro, ainda fosse uma criança. Diz a filha mais velha de Kobe que a mãe foi assertiva e um fator importante na decisão: “A minha mãe disse-me: ‘Vais jogar voleibol e ganhar confiança em relação à tua altura. Há mais raparigas altas e não será a única'”.

À Teen Vogue, Natalia explicou que a sua altura e o seu corpo a deixavam complexada e desconfortável. No entanto, acabou por ter sucesso e tornou-se uma promessa do voleibol universitário. Podia ter jogado basquetebol como Kobe, mas desde cedo decidiu que não, porque odiava correr. Seguiu então o vólei e via com o pais os jogos da University of Southern California (USC), para onde acabou por ir estudar e é neste momento aluna de primeiro ano. O objetivo era ser uma jogadora de topo, mas a morte do pai e da irmã mudou tudo e deixou o desporto. “Nessa altura estavam a acontecer muitas coisas. Percebi que não gostava tanto de voleibol como eles de basquetebol e isso não faz mal”, afirmou.

Agora, Natalia é modelo e está a estudar cinema. Porquê? Porque quer ser como o pai, neste caso fora dos pavilhões

Kobe ganhou um Óscar pela curta de animação “Dear Basketball” em 2018 e a estudante de cinema pretende chegar também, um dia, a um galardão tão prestigiante. No entanto, ainda não sabe em que categoria. “O meu pai e eu víamos sempre o maior número possível de filmes e até fazíamos maratonas. E depois analisávamos tantos filmes quanto podíamos e falávamos disso durante meses. Onde quer que fôssemos falávamos de diferentes filmes e como, por exemplo, nos lembrava o sítio onde estávamos, como por exemplo a arquitetura. São coisas que me inspiraram muito e pensei ‘quero fazer isto para sempre'”, afirmou, acrescentando ainda em declarações a uma sessão de perguntas e respostas da agência modelos de que faz parte: “Não tenho a certeza em que categoria dos Óscares, mas está na minha lista. E quero fazer um filme em que possa incorporar moda e aspetos da moda. Combinar as minhas duas paixões é fantástico. Quero poder fazer isso”.

Por falar em “fazer isso”, Natalia explicou que a parte fashion dos seus sonhos nasceu após ver um desfile da Chanel no ecrã de uma loja de roupa nova-iorquina. “Eu quero fazer aquilo”, terá dito à mãe, que apoiou o sonho, mas não deixou de aconselhar: “Para a minha mãe, era muito importante que eu passasse pelo secundário e, sobretudo, concluir a universidade”. Mas daqui até ter um contrato com a IGM Models não demorou muito tempo e persegue agora então as suas duas paixões, moda e cinema, tendo uma motivação que não surpreende. “O meu pai”, diz. O tal pai conhecido no mundo inteiro mas que não queria que ela fosse “a filha do Kobe Bryant, mas apenas a Nani”, “o melhor pai do mundo que deixava colocar a playlist de Taylor Swift no carro e falava de Star Wars”…