Quando rebentou a “bomba” Ronaldo, alguns jornalistas próximos do avançado não demoraram a juntar-se a todas as opiniões que começaram a circular para oferecerem também a sua “versão” do caso. Em Espanha, no programa El Chiringuito, Edu Aguirre, que chegou a jantar com o capitão da Seleção durante a sua estadia em Madrid, não poupou Jorge Jesus, falando mesmo de “traição” do selecionador português ao número 7. Já o inglês Piers Morgan, que fez provavelmente a entrevista mais marcante (e polémica) da carreira, foi mais parco em palavras: puxou por uma notícia do The Times sobre o choque entre Ronaldo e Jesus na rede X, comentou e disse apenas “Não foi por isso que ele bateu com a porta”. Estava passada a ideia.
“Houve uma reunião terça-feira à noite. Jesus pede desculpas ao Cristiano pela desconsideração ao pô-lo a aquecer durante 30 minutos e não o colocar a jogar. Não só lhe pede desculpas em privado, como também lhe diz que vai pedir-lhe desculpas publicamente, que ele vai dizer publicamente que se equivocou. É a promessa de Jesus ao Cristiano. Depois vai para a conferência de imprensa e diz esta quantidade de mentiras em que ninguém acredita. Por isso é que o Cristiano explode, porque se sente traído”, tinha referido nessa mesma quarta-feira, dia do “terramoto”, Edu Aguirre no El Chiringuito.
“Não há mais nada, é mesmo assim. O teu treinador vem ter contigo em privado e diz: ‘Olha, vê lá, isto foi assim, entende-me, não geri bem a situação, estamos juntos, desculpa lá. Se tiver conferência vou esclarecer tudo, vou pedir desculpas, não te preocupes, vai correr tudo bem, vai ficar tudo resolvido’. Depois vais para a conferência de imprensa 12 horas mais tarde e deixas o Cristiano ainda pior, a armar-te em forte, a dizer que quem manda és tu e que o Cristiano é só mais um. Para casa e siga para outra. Por isso é que digo: traição”, completou o jornalista espanhol que, em 2022, também tinha acusado Fernando Santos de dar “uma facada” a Cristiano Ronaldo quando o colocou no banco no Mundial frente à Suíça e a Marrocos.
Da parte de Ronaldo não se ouvia nada, a não ser o like que colocou numa publicação no Instagram em que Felipe Melo, antigo internacional brasileiro, fazia a defesa do avançado. “Não se pode simplesmente deixá-lo ir embora assim, como se nada tivesse acontecido. Há uma diferença grotesca entre a forma como os companheiros de Ronaldo o tratam e a forma como os jogadores argentinos tratam o Lionel Messi. Vejo muito mais respeito dos adversários quando jogam contra o Cristiano Ronaldo e o Höjlund ficou muito zangado com Jorge Jesus porque o seu ídolo é Cristiano Ronaldo, em vez da Seleção portuguesa. Isso está errado, porque ninguém ali se aproxima dos tornozelos de Cristiano Ronaldo”, disse à SportTV Brasil. A par disso, ainda houve uma publicação entretanto apagada da mulher, Georgina Rodríguez, muitas interações das irmãs, Elma e Kátia, em conversas privadas no Instagram e pouco mais… até agora.
Numa altura em que Ronaldo já se encontra em Riade, para onde viajou este domingo (um dia mais cedo do que estava previsto), Piers Morgan voltou a falar mas agora com “factos”. Também ele, no programa “Football Uncensored”, criticou de forma aberta Jesus e voltou a dizer que o selecionador pediu desculpa.
“Este tipo [Jorge Jesus] é o [Erik] Ten Hag português… Quer construir um grande nome para si próprio enquanto grandalhão ao tentar humilhar Cristiano Ronaldo com um desrespeito chocante. Vou lidar com ele, de uma perspetiva muito bem informada, no episódio desta noite do ‘Football Uncensored’. Tudo tem a ver com respeito e honestidade. Nada mais, nada menos. Vejam o ‘Football Uncensored’, mais logo, e ficarão mais bem informados”, tinha prometido o jornalista inglês ao longo desta segunda-feira na rede X.
“Não tem nada a ver com dinheiro, fama ou qualquer coisa dessas. Ele recebeu garantias sobre como ia ser utilizado, foi uma das razões que o levaram a continuar a carreira internacional. Chega o Jesus, que ele já conhecia da Arábia Saudita, e diz-lhe o plano para a Liga das Nações. Chegam a acordo, joga dois jogos, descansa nos outros. O primeiro [País de Gales] seria 90 minutos, é substituído aos 67 minutos. O treinador pede-lhe desculpa, ao presidente também, diz que vai fazer o mesmo à imprensa. Saca de um Ten Hag, tenta rebaixar o Ronaldo. Depois vai dizer que devia descansá-lo mas precisava dele 30 minutos com a Noruega. O Ronaldo aceita, aquece 25 minutos e não entra. Fica irritado com a falta de respeito. Neste processo, o treinador olhou na cara do melhor jogador português de sempre e faz-lhe promessas”, começou por dizer Piers Morgan no ‘Football Uncensored’ desta noite, antes de recusar qualquer “mal-entendido”.
“Ronaldo não acha que deve ser titular ou jogar 90 minutos de todos os jogos. Disseram-lhe que ia jogar contra o País de Gales e saiu aos 67 minutos. Nas últimas semanas tratou o Cristiano Ronaldo como se fosse um jogador mediano. Carlo Ancelotti disse, depois de um jogo em que não colocou Modric: ‘Não se faz aquecer um jogador deste estatuto para não o utilizar’. Para Ronaldo, trata-se de uma questão de respeito: prometerem-lhe uma coisa, fazerem o oposto, porem-no a aquecer para depois não jogar. No fundo, mandou-os dar uma curva e foi embora. O treinador continuou a ir para as conferências de imprensa dizer sempre o oposto do que combinava em privado. Ronaldo não exige ser titular absoluto nem jogar os 90 minutos de todos os jogos. Trata-se de cumprir a palavra dada”, prosseguiu o jornalista e amigo do avançado.
“O problema é quando o treinador quer demonstrar autoridade à custa do Ronaldo. Em vez disso, devia agradecer por ter o maior jogador da história de Portugal na equipa. A questão do impacto de Ronaldo vai além do campo. Veja-se o caso do Messi, que vai ter a sua despedida pela Argentina esta semana num ambiente de celebração. Custa ver que o Cristiano Ronaldo pode não ter uma despedida à altura em Portugal porque um treinador decidiu entrar em confronto com ele”, concluiu Piers Morgan no mesmo programa.