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Os lucros do banco Santander Portugal caíram cerca de um terço nos primeiros nove meses do ano, anunciou nesta quarta-feira o banco liderado por Pedro Castro e Almeida. Os resultados baixaram 32,3% para 172,2 milhões de euros, com o aumento da receita com comissões e a redução de custos a não ser suficiente para compensar o efeito da quebra da margem financeira, penalizada pelas taxas de juro baixas que se mantêm nos mercados há vários anos.

“Os resultados relativos aos primeiros nove meses do ano registaram uma redução homóloga superior a 30%”, indicou o banco, em comunicado de imprensa. “Embora se registe uma recuperação de comissões – originadas pelo aumento da transacionalidade dos nossos clientes – assim como uma descida dos custos, a margem financeira manteve a trajetória de queda verificada nos últimos trimestres, condicionada pelo atual nível das taxas de juro de mercado”, acrescentou.

As receitas recorrentes de natureza comercial continuam afetadas por um contexto adverso, fruto da conjuntura económica incerta decorrente da pandemia e sobretudo da manutenção das taxas de juro negativas”, diz o banco.

O banco destaca que os depósitos e o volume de crédito mantiveram uma tendência positiva, com crescimentos de 4,5% e 2,2%, respetivamente. “Mantemos quotas de produção de crédito a empresas e habitação bastante robustas e claramente acima dos 20%”, assinala o banco liderado por Pedro Castro de Almeida, cujo primeiro mandato termina no final deste ano (e já estão marcadas eleições para os novos órgãos sociais para 23 de novembro).

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O Santander Portugal cobrou 315,7 milhões de euros em comissões, mais 15% do que no mesmo período do ano anterior. E os custos operacionais baixaram 1,8%, para 422 milhões de euros, num período em que o banco reduziu o pessoal em 638 postos de trabalho (de 6.077 pessoas para 5.439). Há uma intenção de fazer um despedimento coletivo, em Portugal, de mais 210 trabalhadores, mas esse processo será discutido nos tribunais.

Porém, caiu 5,6% um dos indicadores mais importantes para a rentabilidade dos bancos: a margem financeira, que em termos simples reflete a diferença entre aquilo que o banco paga para financiar (depósitos, BCE, etc.) e os juros que cobra nos empréstimos que concede. A margem financeira (estrita) baixou de 591,9 milhões para 558,5 milhões de euros. O retorno do capital investido (pelo acionista Santander espanhol), ou return on equity, baixou 3,1 pontos percentuais, para 4,9%.

Para a redução dos proveitos do banco contribuiu, ainda, um encargo extraordinário, no valor de 164,5 milhões de euros, associado ao “plano de transformação em curso, com a otimização da rede de agências e investimentos em processos e tecnologia”.

O banco destaca, ainda, que “em 30 de setembro, terminou a moratória legal de crédito, abrangendo crédito hipotecário e a empresas no montante de cerca de 6 mil milhões de euros”. E, sobre essa matéria, diz-se que “os clientes retomaram o normal cumprimento dos seus planos de pagamentos, sem implicações sobre a qualidade creditícia, mas requerendo o habitual seguimento nestas fases de ajustamento e após um período de moratória tão extenso como o aplicado em Portugal (até 18 meses, no caso da moratória legal)”.