Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Morreu aos 41 anos Virgil Abloh, um “designer genial” e “visionário” que foi o primeiro diretor criativo negro da Louis Vuitton. A informação foi avançada, este domingo, no Instagram pela família e pelo grupo francês LVMH, que detém casas como a Louis Vuitton ou a Off-White — marca criada por Abloh em 2013.

“Estamos devastados por anunciar a morte do nosso querido Virgil Abloh, um pai, marido, filho, irmão e amigo devoto”, lê-se na mensagem publicada na conta do designer. Virgil Abloh lutava há mais de dois anos contra um angiosarcoma cardíaco, um cancro “raro e agressivo”. Tinha dois filhos.

Virgil tornou-se, em 2018, no primeiro afro-americano a ser contratado como diretor criativo da Louis Vuitton, sendo responsável pela coleção masculina. Filho de imigrantes do Gana, cresceu em Chicago, nos EUA, e formou-se em engenharia civil e arquitetura. Tornou-se conhecido com a colaboração com o rapper Kanye West, em 2002, quando tinha apenas 22 anos.

A ligação ao músico deu mais frutos e levou-o à direção criativa da agência de design de West, a Donda, assim como à direção de arte do álbum que o rapper assinou com Jay-Z em 2011, “Watch the Throne”. Numa entrevista, Kanye West resumiu a relação de ambos: “Eu tenho todas estas ideias e o Virgil é capaz de as arquitetar porque é mesmo um arquiteto”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em 2013, fundou a própria marca de roupa, a Off-White, em Milão (Itália), que, dizia, era pensada para a sua versão de 17 anos (já a Louis Vuitton era para a sua versão atual). O The Guardian escreve que Abloh “redefiniu a ideia do designer de moda moderna”.

Abloh não tinha formação em moda — muito do que aprendeu foi com a mãe, costureira —, o que não o impediu de chefiar uma das mais importantes casas de moda de luxo. Venceu um British Fashion Award, um dos prémios de moda mais importantes do Reino Unido e colaborou com marcas como Jimmy Choo, Warby Parker, IKEA, Nike e Mercedes-Benz. Não era só na moda que se destacava. Nos últimos anos também apostou na carreira de DJ.

“Ele optou por enfrentar a sua batalha em privado desde o diagnóstico em 2019, passou por vários e desafiantes tratamentos, tudo enquanto dirigia várias instituições importantes da moda, à arte e cultura”, refere a família. Durante o combate à doença, Abloh manteve a “ética de trabalho”, a “curiosidade infinita” e o “otimismo”.

“Virgil era impulsionado pela dedicação ao seu ofício e à sua missão de abrir portas para os outros e criar caminhos para uma maior igualdade na arte e no design. Ele costumava dizer: ‘Tudo o que faço é pela minha versão de 17 anos'”, recorda a família. O designer “acreditava profundamente no poder da arte para inspirar as gerações futuras”.

LVMH compra Off-White e oferece a Virgil Abloh um lugar na mesa dos crescidos dentro do grupo de luxo

Num comentário à publicação, o conhecido designer Marc Jacobs lamenta a morte do colega de profissão. “Os meus pensamentos e orações estão com a família e os ente-queridos. Descansa em Paz e Poder, querido Virgil.”

O grupo francês LVMH, que detém casas como a Louis Vuitton, Dior, Givenchy ou a Off-White, também já reagiu à morte do designer. “A LVMH, a Louis Vuitton e a Off White estão devastadas”, lê-se, numa mensagem no Instagram. O CEO do grupo LVMH, Bernard Arnault, diz-se “chocado com estas notícias terríveis” e lembra Virgil não só como um “designer genial” e um “visionário”, mas também “um homem com uma alma linda e grande sabedoria”.

“A família LVMH junta-se a mim neste momento de grande tristeza e estamos todos a pensar nos seus ente-queridos”, conclui Arnault.