Uma semana depois do previsto, a tempo de lutar por quatro anos de mandato. Ricardo Oliveira, presidente da Federação Portuguesa de Padel que concorreu na lista de Dias Ferreira no último sufrágio, é o terceiro (e último) candidato confirmado à presidência do Sporting nas eleições do próximo dia 5 de março depois de Frederico Varandas e Nuno Sousa. E, numa conferência realizada numa unidade hoteleira em Lisboa, o gestor de 51 anos fez questão de deixar claro os principais pilares que movem a sua candidatura.

“A reestruturação financeira e a inversão do modelo de gestão são ações urgentes e indispensáveis, não apenas para o crescimento, mas para a sobrevivência enquanto potência máxima do desporto nacional. É imperativo iniciar de imediato uma reestruturação financeira através de um financiamento, de 150 a 200 milhões de euros a longo prazo de juro baixo, que permita ao clube e à SAD fazerem face aos desafios iminentes: recompra imediata das VMOCs; pagamento da divida de curto prazo a juro altíssimo; pagamento de toda a divida em incumprimento; pagamento das emissões obrigacionistas dentro do prazo; caixa para fazer face ao funcionamento regular do clube e SAD”, começou por referir o gestor.

“Com a recompra das VMOCs o Sporting passará a deter 135 milhões de ações, mais as atuais 42.758.805 que detém, o que perfaz um total de 177.758.805 de 202 milhões de ações, ou seja, sensivelmente 88% das
ações da SAD. O clube poderá alienar 67.758.804 de ações para garantias futuras e mesmo assim manter a maioria na SAD, deixando espaço para parceiros estratégicos com uma posição de influência mas reservando sempre para o clube a maioria e a palavra final. É igualmente urgente não voltar a aumentar o número de anos de antecipação de receita do contrato NOS e diluir os cerca de três anos de antecipação pelos próximos seis, de forma a que, em seis anos, o Sporting não tenha quaisquer receitas antecipadas e possa negociar livremente o próximo contrato televisivo”, acrescentou ainda no âmbito financeiro.

Comigo, os sócios podem estar seguros de que o Sporting não perderá nunca, direta ou indiretamente, o controlo da maioria do capital da SAD, algo que o rumo de gestão atual está longe de poder garantir”, destacou o candidato Ricardo Oliveira.

“Para mim é igualmente claro que futebol é o motor da atividade do clube, razão pela qual é imperativo que seja gerido de forma racional e sustentada em dados concretos, eliminando do processo de gestão o maior número possível de variáveis. Ninguém poderá estar mais contente do que eu com o sucesso desportivo alcançado por Rúben Amorim, um treinador que encaixa na perfeição no perfil pretendido para conduzir a equipa de futebol profissional mas o Sporting não pode estar dependente de um treinador e das suas
relações pessoais para a gestão do core business do clube”, apontou, falando sobre a parte desportiva.

“Por mais que a Direção atual não queira preparar-se para um pós-Rúben Amorim, a verdade é que temos de
estar conscientes de que um técnico da sua qualidade terá, mais tarde ou mais cedo, de seguir o seu percurso em ligas mais competitivas do que a portuguesa. A verdade é que basta uma rápida análise das opções da
estrutura do futebol profissional do Sporting antes da chegada de Rúben Amorim para perceber que não existe um critério definido para a construção de um Sporting de futuro e que a SAD não reúne as competências necessárias para o definir: dos jogadores contratados nas três janelas de mercado entre os invernos de 2019 e 2020, nenhum tem papel ativo no atual plantel e prejuízo acumulado com estas operações ultrapassa os 30 milhões de euros”, salientou sobre o período antes da chegada do técnico.

“Rúben Amorim tem demonstrado que é possível fazer mais com menos dentro de campo mas o Sporting tem de ser capaz de fazer o mesmo fora do terreno de jogo. Temos de ter consciência de que não temos ainda as mesmas armas da nossa concorrência direta, o que reduz de forma dramática a margem de erro e obriga a mais competência, mais rigor e melhores decisões. Temos uma visão e sabemos como pô-la em prática. Sou um gestor ponderado mas ambicioso; um homem sensato mas determinado e um sportinguista pragmático mas apaixonado. Tenho na lealdade e no valor da minha palavra os meus valores mais sagrados. Acredito na minha capacidade para concretizar o meu sonho para o clube: sei qual é o caminho e não vou deixar ninguém para trás. O meu nome é Ricardo Oliveira e sou candidato à presidência do Sporting Clube de Portugal”, concluiu o gestor no discurso de apresentação realizado esta terça-feira.