Passaram os Mundiais, continua a polémica. De um lado, os judocas internacionais integrados no Projeto Olímpico, com Telma Monteiro a denunciar não só o despedimento por email da treinadora Ana Hormigo em semana de competição a contar para o apuramento olímpico (Grand Slam de Abu Dhabi) mas também a ameaça de processos em tribunal por parte da Federação e a falta do devido apoio financeiro para fazer a preparação desejada e Bárbara Timo e Rochele Nunes a associarem-se às queixas revelando mais ameaças da Federação. Do outro, Jorge Fernandes, líder da Federação que explicou a decisão de “afastar e não despedir” Ana Hormigo pela quebra de confiança depois das declarações contra o órgão e defendeu que a preparação proposta por Telma atingia valores muito acima do que tinham disponíveis.

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“Lamento que não tenha imperado o bom senso na modalidade e face às acusações que são feitas por um conjunto de atletas relativamente à Federação, importa esclarecer algumas situações. Há duas vertentes do problema: uma relacionada com transparência e rigor na despesa da preparação olímpica dos atletas da modalidade, que terá de ser o Comité Olímpico de Portugal a esclarecer com a Federação, e outra com o facto alguns de atletas dizerem que a federação lhes comunicou não havia mais verbas para a sua preparação [olímpica]”, comentara João Paulo Correia, secretário de Estado da Juventude e do Desporto.

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Agora, e pela primeira vez, o Benfica toma uma posição não só de solidariedade para com os seus atletas e a treinadora Ana Hormigo mas também de “ataque” à liderança de Jorge Fernandes na Federação.

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“O judo nacional precisa, com urgência, de disponibilidade honesta para o diálogo e foco na busca de solução para uma crise que se agrava a cada dia que passa, porque uma das partes – o presidente da Federação Portuguesa de Judo – teima em colocar o ego acima dos interesses da modalidade e do País. Assistimos a um processo que está no limiar da rutura com capítulos lamentáveis: uma constante ameaça e pressão do senhor Jorge Fernandes a um núcleo de atletas olímpicos portugueses; a recusa perante sucessivas tentativas de consenso, inclusivamente aquelas que chegam do Comité Olímpico de Portugal e de diversas entidades estatais; uma insidiosa vontade em responsabilizar o Benfica pela situação insustentável que o próprio presidente da federação criou na modalidade”, defendeu em comunicado.

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“O Benfica manifesta total solidariedade para com Ana Hormigo, selecionadora nacional e treinadora do clube, pessoa de elevada competência e experiência. O Benfica mantém confiança total nos seus judocas olímpicos, desrespeitados nesta relação com o presidente da FPJ, com particular destaque para Telma Monteiro, nome ímpar do judo em Portugal. Já todos puderam comprovar que há uma total ausência de estratégia para garantir uma preparação olímpica que permita a todos os atletas – os do Benfica, bem como os dos outros clubes – alcançar o seu potencial desportivo e dignificar a bandeira de Portugal. Nem plano, nem diálogo. Nada! O Benfica continuará a investir na modalidade e no seu Projeto Olímpico, com a certeza, porém, de que este presidente da Federação Portuguesa de Judo não é solução para o futuro”, acrescentou o clube da Luz a esse propósito no mesmo texto publicado no site oficial.