O terceiro dia de debate orçamental foi dominado pela Saúde e impostos, dois temas que serviram à esquerda para colar o PS de António Costa à direita. “O PS propõe mais negócios para os privados e essa era a receita da direita”, acusou o Bloco de Esquerda sobre a gestão feita na Saúde. No plenário está, agora como deputada, a ex-ministra da Saúde, que também foi lembrada, pela direita a defender que há diferenças para o PS.

Numa altura em que o PS tem aprovado algumas propostas de alteração do Livre e PAN, começam a surgir referências a essa proximidade. Uma “pesca à linha”, como defendeu o PSD — com a deputada Inês Sousa Real, do PAN, a acusar o toque e a dizer que no PAN o PS não vai “pescar nada”.

Mas tem pescado, fazendo a prova que pretende de conseguir entendimentos com alguém no plenário para lá da maioria absoluta. Aliás, a dado momento do debate, já quando o tema eram os impostos dos trabalhadores independentes, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anotou as conversas que têm decorrido entre o Governo e o deputado Rui Tavares, do Livre. À direita ouviu-se um sussurro, mas a verdade é que antes disso já o deputado João Moura, do PSD, tinha dito em alta voz e em tom de provocação que o Governo e o PS já identificaram “as duas únicas forças política que importam: o Livre e PAN”, acusando os socialistas de estarem a fazer “pesca à linha para que [essas bancadas] aprovem e se juntem aos 120 deputados do PS”.

O PSD continua a queixar-se do “rolo compressor” na maioria, dizendo que vai atingir a própria bancada socialista por defender nos debate “o contrário do que vota no dia a dia”. Uma tirada que visava atingir as aprovações que o PS tem concedido junto destes dois partidos, só para alimentar a imagem do diálogo.

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