Já foi apelidado de Zorro e de Batman. A capacidade que tem demonstrado para travar os adversários fá-lo mesmo parecer um super-herói a parar vilões. Como se as capacidades futebolísticas de Josko Gvardiol não fossem suficientes para se destacar, o defesa croata de 20 anos tem marcado o Mundial por aparecer a jogar de máscara, acessório que não é apenas um capricho estético e que deve voltar a usar na meia-final contra a Argentina.
Em novembro, o Leipzig, clube alemão que Gvardiol representa, defrontou o Freiburg em jogo da jornada 14 da Bundesliga. O defesa deixou o campo lesionado ao minuto 23, após um choque de cabeças com o colega de equipa Willi Orban. O embate deixou o esquerdino com o nariz partido e com um olho negro e o seu treinador, Marco Rose, descreveu o seu aspeto como o de um “pugilista depois de 12 rondas contra um oponente duro”. A lesão surgiu exatamente no mesmo dia, 9 de novembro, em que o selecionador croata, Zlatko Dalic, anunciou os 26 convocados para o Mundial do Qatar.
De modo a continuar a jogar, mas para proteger a face de um novo embate que pudesse agravar a lesão, o defesa-central tem usado a máscara com regularidade. Estes acessórios ortopédicos podem ser feitas de materiais como carbono e acrílico, mas há especialistas que defendem que o seu uso é pouco eficaz após a lesão, ainda que sejam úteis como forma de prevenção.
A revelação do Mundial
O Real Madrid tem uma verba a rondar os 100 milhões de euros pronta para garantir a contratação de Gvardiol ao Leipzig. Caso a transferência se venha a confirmar, o central – que também pode jogar a latera-esquerdo – vai-se tornar no defesa mais caro da história do futebol, ultrapassando Harry Maguire, e o primeiro defesa a protagonizar uma transferência na casa dos 100 milhões.
Para aguçar o interesse dos madrilenos, muito têm contribuído as exibições que Gvardiol tem realizado ao serviço da seleção no Mundial: o croata deu-se bem com a marcação a pontas de lança como Lukaku e Richarlison. O central é o quarto jogador do Campeonato do Mundo com mais alívios (46, atrás de Saiss e Van Dijk) e é o quarto atleta com mais interceções (sete, atrás de Modric, Irvine e Rice). No capítulo defensivo, Gvardiol regista também 86% de sucesso nos desarmes. Com a bola nos pés também não se dá nada mal visto que regista 89% de acerto ao nível do passe.
PA Images via Getty Images
O peixe antes do futebol
Grande parte da Croácia parou para ver a sua seleção afastar o Brasil do Campeonato do Mundo e da corrida ao sexto título mundial. Entre quem não viu a partida está um caso bem especial. Tihomir Gvardiol, pai de Josko, dedica-se à venda de peixe há 30 anos, conta o El Mundo, e nem para ver o filho abandonou o local de trabalho. No dia do jogo, enquanto o filho superava Neymar e companhia, o progenitor manteve-se no seu posto de trabalho no histórico mercado Dolac, no centro de Zagreb.
“O cheiro a peixe nunca me incomodou”, revelou Josko Gvardiol, citado pelo jornal espanhol. Quando era criança, o jogador ajudava o pai. Tihomir levantava-se às quatro da manhã para recolher e limpar o peixe e, depois, vendê-lo.
Ao invés, a mãe de Josko já marcou presença no Qatar. No jogo da Croácia contra a Bélgica, no Estádio Ahmed bin Ali, que terminou empatado a zero, o jogador foi visto a abraçar Sanja, que assistira à partida na bancada.