Era um sábado perfeito para afogar mágoas. Pouco mais de uma semana depois de ambos saírem desiludidos da Elite Cup, Benfica e Sporting disputavam a Supertaça António Livramento e procuravam conquistar um troféu na véspera do arranque de mais um Campeonato de hóquei em patins.

Do lado dos encarnados, os campeões nacionais, Edu Castro não esquecia a recente eliminação nas meias-finais da Elite Cup contra o Óquei Barcelos, que depois perdeu a final para o FC Porto. “Temos de aprender muito com o último jogo, sobretudo com aquelas coisas que não correram bem. Há sempre muitas coisas que podemos fazer melhor. Sabemos que não conseguimos dar uma alegria aos nossos adeptos e estamos muito focados em fazer um excelente jogo frente ao Sporting, para termos muitas possibilidades de conquistar esta Supertaça”, explicou o treinador catalão.

Do lado dos leões, que venceram a Taça de Portugal na temporada passada, Edo Bosch também lembrava a derrota com a Oliveirense nos quartos de final da Elite Cup. “O grupo está muito bem, trabalhámos muito bem esta semana. Já estamos com outro ar e a verdade é que temos muita vontade de jogar esta final para poder dar uma alegria aos nossos adeptos. São duas grandíssimas equipas, vai ser uma final que seguramente vai decidir-se em detalhes. Esperamos que caiam para o nosso lado. Vamos estar o mais focados possível nos 50 minutos, 60 se for preciso, para poder levantar o troféu”, atirou o técnico leonino.

O registo recente, porém, era muito favorável ao Benfica: o Sporting entrava para o jogo deste sábado com seis derrotas e dois empates nos últimos oito duelos, incluindo os três da final do Campeonato na época passada, o que significa que não conseguia ganhar um dérbi há mais de ano e meio. Ainda assim, os leões tinham a particularidade de estarem a defender o troféu, já que ganharam a Supertaça António Livramento em 2026 ao derrotar o FC Porto, enquanto os encarnados não alcançavam o título desde 2023.

Assim, no Pavilhão Municipal de Santo Tirso onde também decorreu a Elite Cup, o dérbi começou intenso e agitado, com várias oportunidades junto das duas balizas e a ideia de que nenhuma das equipas estava a defender propriamente bem, o que facilitava desequilíbrios constantes. Nolito acabou por conseguir abrir o marcador (13′), num golo que só foi validado com recurso às imagens depois de a bola bater com estrondo no poste da baliza de Pedro Henriques, e o Sporting foi mesmo para o intervalo a vencer o Benfica apesar da boa reação dos encarnados à desvantagem.

Logo no arranque da segunda parte, porém, João Rodrigues conseguiu mesmo empatar ao aparecer em posição frontal e na cara de Xano Edo (28′). A boa entrada do Benfica depressa deu lugar a um jogo de parada-resposta, com várias ocasiões de golo junto das duas balizas e nenhuma superioridade por parte de uma das equipas, mantendo-se o resultado completamente em aberto. Ainda assim, Pedro Henriques ia assumindo uma importância clara, evitando o golo de Facundo Navarro com uma enorme intervenção (29′).

O nó foi desbloqueado à lei da bomba. Aproveitando um cartão azul e consequente exclusão de Nolito, Zé Miranda atirou de longe e colocou os encarnados a vencer (35′), sendo que os leões afundaram e não conseguiram reagir. O jovem de 22 anos poderia ter aumentado a vantagem em duas situações distintas, com um remate para defesa de Xano Edo (38′) e outro que acertou na trave (40′), sendo que o guarda-redes leonino foi mesmo o único inconformado a manter a equipa dentro das decisões, parando uma grande penalidade de João Rodrigues e um livre direto de Pau Bargalló (45′).

Já perto do fim, Gonçalo Pinto aumentou a vantagem na sequência de um contra-ataque letal (48′), Alessandro Verona acabou por ser expulso por protestos, já que os leões reclamavam uma falta no lance que deu o terceiro golo, e Rafa Bessa ainda reduziu o resultado (50′), mas já sem consequências. O Benfica venceu o Sporting com reviravolta e conquistou a Supertaça António Livramento pela 10.ª vez e pela primeira desde 2023, esquecendo a desilusão da Elite Cup e prolongando o autêntico jejum dos leões, que levam agora nove dérbis consecutivos sem ganhar.