Este sábado, a partir das 20h30, Alvalade vivia uma espécie de novo início de temporada, de recomeço, de página em branco. Paulo Fonseca estreava-se na mesma semana em que foi apresentado como novo treinador do Sporting, menos de uma semana depois de fazer o último jogo pelo Lyon e dias depois de Rui Borges arrumar as coisas em Alcochete. A sensação temporal nos leões, contudo, fazia parecer que tinha mesmo terminado uma era para começar outra. 

E parte disso, naturalmente, justificava-se com o facto de o Sporting até ter tido uma semana boa. Ao contrário do que normalmente acontece quando uma equipa muda de treinador, os leões chegavam ao jogo deste sábado contra o Moreirense depois de três vitórias consecutivas — a última delas na Liga dos Campeões, contra o Shakhtar Donetsk e pela mão do interino Tiago Fernandes, que subiu temporariamente a partir da equipa B entre a saída de Rui Borges e a chegada de Paulo Fonseca. Assim, o novo técnico não tinha propriamente a responsabilidade de mudar uma má fase atual. Mas tinha, isso sim, a responsabilidade de recuperar uma corrida pelo Campeonato que no início de novembro já parece muito difícil.

Ficha de jogo

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Sporting-Moreirense, 

11.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)

Sporting: Kaique, Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Eduardo Quaresma, Maxi Araújo, Sergi Altimira, Silas Andersen, Luis Guilherme (Geny Catamo, 62′), Issa Doumbia (Rodrigo Zalazar, 62′), Nestory Irankunda (Flávio Gonçalves, 62′), Luis Suárez (Ioannidis, 75′)

Suplentes não utilizados: Rui Silva, João Simões,  Vagiannidis, Moncef Zekri, Pedro Lima, Jesse Derry, Ibrahima Ba, Eduardo Felicíssimo

Treinador: Paulo Fonseca

Moreirense: André Ferreira, Dinis Pinto, Kevyn, Gilberto Batista, Álvaro Martínez (Afonso Vieira, 87′), Nile John, Guilherme Liberato (Stjepanovic, 87′), Landerson (Rodrigo Alonso, 73′), Chipyoka Songa (Leandro Santos, 54′), Manuel Mendonça, Leonardo Vonić (Yan Lincon, 54′)

Suplentes não utilizados: Aranha, Francisco Barbosa, Afonso Assis, Maracás, Janderson, Dante, Miguel Silva

Treinador: Vasco Botelho da Costa

Golos: Luis Suárez (61′)

Ação disciplinar: 

“Não gosto de criar expectativas nas pessoas quando temos um cenário como aquele que temos. Naturalmente, acredito muito na nossa equipa. Vamos jogar para ganhar em cada jogo, independentemente do adversário, mas sabemos que é difícil. Não queremos criar essa expectativa. Pessoalmente, se não acreditasse não estava aqui. Digo-lhe que depois destes três dias de trabalho começo a acreditar mais. É muito difícil, mas vamos trabalhar a pensar sempre no próximo jogo, mas nunca perdendo de vista essa possibilidade”, sublinhou Paulo Fonseca, que terá pela frente duas semanas de pausa para os compromissos das seleções nacionais sem muitos dos internacionais.

Assim, em Alvalade e no primeiro onze inicial que montou, o treinador português não fazia propriamente uma revolução: mantinha Kaique na baliza, dava continuidade à titularidade de Silas Andersen e apostava em Luis Guilherme e Nestory Irankunda no apoio a Luis Suárez, deixando Geny Catamo no banco. Do outro lado, num Moreirense que várias baixas por lesão, mas vindo de duas vitórias seguidas, Vasco Botelho da Costa tinha Leonardo Vonić como referência ofensiva.

O jogo começou equilibrado, com Maxi Araújo a ter o primeiro remate para uma boa defesa de André Ferreira (7′), mas os visitantes a aproximarem-se da baliza de Kaique com algus cruzamentos perigosos. Com o passar do tempo, porém, a superioridade dos leões intensificou-se. A equipa de Paulo Fonseca atuava inserida no meio-campo contrário quase por inteiro, com muito jogo pelos corredores e alguma dificuldade para entrar na zona central, e era cada vez mais claro que precisaria de muita paciência para desbloquear a organização defensiva adversária.

Silas Andersen ficou muito perto de inaugurar o marcador à passagem do quarto de hora inicial, num lance em que valeram André Ferreira, Dinis Pinto e o poste ao Moreirense (14′), e Luis Suárez cabeceou ligeiramente ao lado logo a seguir (20′). O Sporting foi acumulando oportunidades e situações de perigo, entre um cabeceamento de Eduardo Quaresma (23′), outro remate de Maxi Araújo (29′) e um pontapé de Fresneda que o guarda-redes defendeu (32′) — mas poderia ter deitado tudo a perder com uma distração em zona proibida que permitiu a Manuel Mendonça rematar forte na área para uma enorme defesa de Kaique (35′).

Os últimos 10 minutos da primeira parte foram de total ascendente dos leões, já que os cónegos afundaram e foram juntando cada vez mais as linhas no setor mais recuado. Irankunda rematou por cima (37′), Doumbia cabeceou ao lado (42′) e o mesmo Irankunda, já à beira dos descontos, viu Dinis Pinto roubar-lhe o golo com uma interceção brutal quando André Ferreira já estava batido (45′). A equipa de Paulo Fonseca tinha muita bola, movimentava-se com qualidade, mas era demasiado perdulária e ia demonstrando alguns problemas na finalização.

Ao intervalo, Sporting e Moreirense estavam ainda empatados sem golos. Os primeiros 45 minutos com o novo treinador não foram negativos, até porque a equipa parecia mais dinâmica ofensivamente e com uma verticalidade muito superior, sublinhando-se os 14 remates, notando-se ainda uma clara diferença na organização defensiva, que pressionava à zona e assemelhava-se notoriamente ao que o Lyon vinha a fazer desde que o português chegou a França.

Nenhum dos treinadores fez alterações no arranque da segunda parte e o Sporting acertou finalmente na baliza logo nos instantes iniciais, mas o remate forte de Irankunda acabou por ser anulado por fora de jogo anterior de Silas Andersen (48′). Luis Suárez cabeceou por cima logo a seguir, na sequência de mais uma investida de Luis Guilherme na direita (52′), e prevalecia cada vez mais a ideia de que os leões estavam a fazer tudo bem — só não conseguiam marcar.

Vasco Botelho da Costa mexeu ainda antes da hora de jogo, lançando Yan Lincon e Leandro Santos, e as bancadas de Alvalade iam perdendo a paciência com a perda de gás a que os leões não fugiram, demorando cada vez mais tempo a chegar à baliza contrária enquanto os minutos escasseavam para chegar à vantagem. Quando o coletivo falhou, porém, apareceu o individual. Luis Suárez recebeu com espaço na direita, puxou para fora antes de puxar para dentro e atirou de pé esquerdo, em jeito, para um golo brutal que abriu o marcador (61′). 

Paulo Fonseca fez as primeiras substituições logo a seguir, lançando Geny Catamo, Rodrigo Zalazar e Flávio Gonçalves de uma vez, e o jogo quebrou muito — os leões queriam controlar e gerir, os cónegos procuravam ir atrás do empate, mas não tinham pernas nem clarividência. Luis Suárez saiu pouco depois, até para evitar o quinto cartão amarelo que o deixaria de fora da próxima jornada contra o FC Porto, e Ioannidis teve direito a um quarto de hora em campo.

O jogo ficou progressivamente mais desconfortável para os leões, com Kaique a ser ainda obrigado a voar para parar mais um remate de Manuel Mendonça (81′), mas a desconexão total que afetou a equipa depois do golo acabou por não ter consequências. O Sporting venceu o Moreirense em Alvalade, somou o quarto triunfo consecutivo e o terceiro sem sofrer golos e conseguiu alcançar um resultado positivo na estreia de Paulo Fonseca — que terá de ter reparado que precisa de mais do que o coração de que tanto falou na apresentação.