Vidros partidos, gavetas reviradas, material de trabalho destruído, obras de arte danificadas. Pouco se sabe sobre a visita de Lula da Silva às sedes do poder executivo e judicial invadidas este domingo por manifestantes pró-Bolsonaro, mas terá sido esse cenário de destruição a que o Presidente do Brasil assistiu durante a visita, ao lado da primeira-dama e de ministros do seu governo.
Lula não estava em Brasília quando os ataques começaram, mas sim no interior de São Paulo, em Araraquara, para ver ao vivo os efeitos das chuvas intensas das últimas semanas. A primeira reação à invasão foi aí feita, com o Presidente do Brasil a não poupar nas palavras: apelidou os manifestantes de “vândalos“, “fascistas fanáticos” que “fizeram o que nunca foi feito na História” do país. E assegurou mão pesada para os atacantes.
“Essa gente vai ser punida e vamos descobrir inclusive que são os financiadores desses vândalos que foram a Brasília, e todos eles pagarão com a força da lei esse gesto de irresponsabilidade antidemocrático”, disse em Araraquara.
Mal aterrou em Brasília, Lula foi visitar o Palácio do Planalto, que alberga o seu gabinete presidencial, entre outros gabinetes do poder executivo, e o Supremo Tribunal Federal. Mesmo tendo sido aconselhado a esperar por questões de segurança, disse em conferência de imprensa Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais. Segundo O Globo, antes das visitas, os dois locais foram passados a pente fino por uma equipa anti-explosivos da Polícia Federal.
As imagens que foram divulgadas da visita são poucas, mas as que existem mostram Lula acompanhado a fazer uma vistoria ao Palácio do Planalto, atrás de um vidro danificado.
No #Fantastico imagens exclusivas da @tvglobo mostram o Presidente Lula vendo os estragos no Palácio do Planalto. #Lula estava no interior de São Paulo quando os terroristas atacaram em Brasília. @showdavida #brasilia #Democracia pic.twitter.com/paKosggPgL
— fernando rodrigues (@flourenco8) January 9, 2023
Lula da Silva foi fazer um balanço dos estragos feitos pelos manifestantes, acompanhado pela primeira-dama, Janja da Silva, de Alexandre Padilha, Paulo Pimenta, ministro da Secretaria de Comunicação Social, pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo deputado federal Lindbergh Farias, entre outros.
A visita começou pela sede do poder executivo, o Palácio do Planalto, sede do seu escritório presidencial. E seguiu depois para o Supremo Tribunal Federal (STF), sede do poder judicial, que não foi poupado pelos manifestantes que partiram do acampamento junto ao quartel-general do Exército. Aí, foi recebido pela presidente do Supremo, Rosa Weber, com quem volta a reunir-se esta segunda-feira de manhã.
Os trabalhos no Planalto serão retomados esta segunda-feira, anunciou Lula da Silva, no final da visita, numa publicação no Twitter. Lula reiterou as consequências para os manifestantes violentos: “Os golpistas que promoveram a destruição do património público em Brasília estão sendo identificados e serão punidos”.
Estive agora à noite no Palácio do Planalto e no STF. Os golpistas que promoveram a destruição do patrimônio público em Brasília estão sendo identificados e serão punidos. Amanhã retomamos os trabalhos no Palácio do Planalto. Democracia sempre. Boa noite.
????: @ricardostuckert pic.twitter.com/qkyVZHQQdz
— Lula (@LulaOficial) January 9, 2023
O cenário a que assistiu terá sido de destruição, segundo os relatos que têm surgido na imprensa brasileira. Destruição não só do património histórico, mas também de espaços privados de trabalho, incluindo o gabinete da primeira-dama. Em pior estado, terá ficado o gabinete do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, com computadores estragados e gavetas reviradas.
O próprio Paulo Pimenta publicou fotografias do estado em que ficou a Sala de Armas do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), com estojos de armas de fogo vazios, em cima de um sofá parcialmente queimado.
Assim ficou a Sala de Armas do GSI após a invasão dos terroristas ao Palácio do Planalto. Todos devem ser identificados, responsabilizados e punidos com o rigor da lei para que a democracia não volte a sofrer este tipo de violência. Tolerância zero ao terrorismo! pic.twitter.com/S4PpBPmtOZ
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) January 9, 2023
A sala do assessor de Lula, Celso Amorim, também foi arrombada e objeto de perícias na noite de domingo. Já o gabinete presidencial, localizado no terceiro andar e alvo de um forte dispositivo de segurança, escapou. Aí, a segurança é mais apertada e existem várias barreiras de proteção para dificultar a entrada, que deixam a sala mais isolada.
Várias obras de arte também foram afetadas. No Palácio do Planalto, a obra “Mulatas” de Di Cavalcanti ficou furada em seis pontos. No Congresso, foi o vitral Araguaia, de Marianne Peretti, de 1977 a ficar danificado e, no Supremo Tribunal foi o “Hall dos Bustos” onde estão esculturas de importantes figuras da República. Foi mesmo roubado um exemplar da Constituição, assim como um tapete que terá pertencido à Princesa Isabel, filha do imperador D. Pedro II.
Acabei de chegar no Palácio do Planalto para receber o presidente @LulaOficial, o cenário é de caos! Obras de arte históricas foram destruídas, entre elas uma pintura de Di Cavalcanti e um relógio do Século XIX que foi dado de presente para D. João VI.
— Randolfe Rodrigues (@randolfeap) January 8, 2023
Segundo O Globo, o prédio principal do Supremo Tribunal está “completamente destruído”. Uma nota da presidente da entidade, Rosa Weber, indica que o edifício-sede, “património histórico dos brasileiros e da humanidade, foi severamente destruído por criminosos, vândalos e antidemocratas”. De acordo com a assessoria de imprensa do Supremo, o edifício será alvo de uma perícia e ficará fechado esta segunda-feira.
Os terroristas apoiadores de Bolsonaro não só invadiram e quebraram o Palácio do Planalto, como defecaram em alguns locais. O cheiro de urina está impregnado em algumas sala da sede da Presidência. Uma cena triste da história do Brasil. Lula chegou há pouco, está com ministros pic.twitter.com/rUMvpyBFab
— fabio murakawa (@fabiomura) January 9, 2023