Foram anunciados esta terça-feira de manhã, na Costa da Caparica, os primeiros nomes do cartaz de 2023 do Sol da Caparica. Léo Santana, Nininho Vaz Maia, Carolina Deslandes, Matias Damásio, T-Rex e Valete são alguns dos artistas que vão atuar este ano no festival, que se realiza entre 17 e 20 de agosto, no Parque Urbano da Costa da Caparica. Os bilhetes já estão à venda.
O brasileiro Léo Santana, conhecido como o “Gigante”, vai atuar na abertura do festival, a 17 de agosto, no mesmo dia que os portugueses Carolina Deslandes e Paulo Gonzo. T-Rex é, para já, cabeça de cartaz do segundo dia do evento, 18 de agosto. Nininho Vaz Maia, João Pedro Pais e Badoxa são alguns dos artistas que vão subir ao palco no penúltimo dia do evento, 19 de agosto. Matias Damásio é o grande nome do dia de encerramento, 20 de agosto.
De modo a marcar a 8.ª edição do festival, a organização quis fazer “algo diferente” e convidou NEEV para criar uma música que será tocada pela maior banda de rock inclusiva do mundo, que será composta por cerca de 1.500 músicos. Qualquer artista poderá participar, tendo para isso de se inscrever e participar num casting de seleção. As candidaturas serão abertas nos próximos dias.
No âmbito da mesma iniciativa será leiloada uma guitarra “especial”, que será assinada por todos os 1.500 músicos, com os lucros a reverteram na sua totalidade para a compra e doação de instrumentos musicais a crianças, explicou NEEV na apresentação desta terça-feira, que decorreu no Convento dos Capuchos, na Costa da Caparica.
▲ O artista NEEV foi convidado para compor um tema para o festival, que será interpretado durante o evento pela maior banda de rock do mundo
FILIPE AMORIM/OBSERVADOR
O Sol da Caparica vai continuar a crescer e, em 2023, terá, pela primeira vez, cinco palcos, um dos quais dedicado apenas à música brasileira, com ênfase na música sertaneja, revelou Zahir Assanali, diretor-executivo do Grupo Chiado, responsável pela organização do evento desde 2019. O palco comédia voltará a ter curadoria do Tio Jel. A RTP será novamente parceira, transmitindo os concertos no canal 1.
Outra das novidades reveladas na apresentação desta terça-feira é a da criação da “Vila do Vinho”, uma nova área na zona de restauração e lazer onde “os festivaleiros terão oportunidade de provar o que Portugal tem de melhor, o vinho”, destacou Assanali.
Organização garante que o aconteceu em 2022 “está totalmente ultrapassado”
O Sol da Caparica foi criado em 2014 pela Câmara Municipal de Almada. No ano passado, o festival deu que falar após vários artistas terem vindo a público mostrar o seu descontentamento para com a organização, a cabo do Grupo Chiado, relatando problemas técnicos e falhas na comunicação que levaram a atrasos e até a cancelamentos de concertos. Da parte do público, houve também quem reclamasse do funcionamento e jurasse que nunca mais regressaria ao evento.
Em declarações ao Observador na Costa da Caparica, Zahir Assanali garantiu que não houve descontentamento da parte do público e que “as pessoas que foram ao Sol da Caparica ficaram satisfeitas e maravilhadas”, afirmando que os únicos problemas ocorreram no primeiro dia e que tiveram maioritariamente a ver com dificuldades no acesso ao recinto.
▲ Zahir Assanali esclareceu que a equipa foi reforçada para evitar os problemas do ano passado
FILIPE AMORIM/OBSERVADOR
“Houve apenas alguns artistas que reclamaram. Estamos a falar de 4% de artistas, que mostraram o seu descontentamento. Não foi 100% dos artistas. Em relação a isso, assumimos que falhámos, por isso, este ano, temos uma equipa reforçada, com mais profissionais do que o ano passado”, afirmou o diretor-executivo do Grupo Chiado, constatando que, em 2022, havia “falta de recursos humanos” devido à pandemia. “Este ano não. Temos excelentes profissionais, um aumento da equipa, da estrutura. Tudo mais a nível profissional e a nível de equipa”, garantiu.
Também a presidente da Câmara Municipal de Almada, a socialista Inês de Medeiros, garantiu que tudo está pronto para que a 8.ª edição do Sol da Caparica seja um sucesso, declarando que o que aconteceu em 2022 “está totalmente ultrapassado”.
“Não quero minimizar os problemas, mas também não os quero empolar. Acho que este cartaz, tão cheio, vem colocar o que se passou na dimensão certa”, começou por dizer a presidente da Câmara de Almada, afirmando que, do ponto de vista da autarquia, que não é a organizadora do evento, “as coisas correram bem” e que “não houve qualquer tipo de incidentes, apesar do número de pessoas”. Em 2022, o festival recebeu cerca de 150 mil espectadores.
▲ Inês de Medeiros garantiu que as dificuldades do ano anterior estão "totalmente ultrapassadas"
FILIPE AMORIM/OBSERVADOR
Sobre o crescimento do festival de música nos últimos anos, Inês de Medeiros disse que tem sido uma surpresa. “Tem-nos surpreendido cada vez mais. A partir do momento que começámos a alargar a programação, o público começou a aderir cada vez mais”, declarou, admitindo que esse crescimento traz também desafios e que é preciso “ir pensando e adaptando”.
Relatório técnico conclui que contrato foi cumprido “em termos gerais” e aconselha melhoramentos
Na sequência dos incidentes na edição do ano passado do Sol da Caparica, os partidos da oposição em Almada avançaram com requerimentos pedindo esclarecimentos sobre o que aconteceu no fim de semana de 13 e 14 de agosto de 2022 no Parque Urbano da Costa da Caparica e informações sobre o atual caderno de encargos. O tema foi abordado em reuniões de Câmara e em sessões da Assembleia Municipal.
Recentemente, a presidente foi chamada à 2.ª Comissão Permanente da Assembleia Municipal de Almada para responder às dúvidas que persistem sobre o festival. Inês de Medeiros reiterou que o evento foi um sucesso e que os problemas foram extrapolados e aproveitados politicamente. A autarca garantiu ainda que os termos do contrato foram cumpridos.
A sessão de 28 de março da 2.ª Comissão Permanente decorreu sem que os deputados municipais tivessem conhecimento das conclusões da Direção Municipal de Desenvolvimento Urbano, à qual coube realizar o relatório técnico do evento. Inês de Medeiros disse que o documento seria entregue na semana seguinte, o que se veio a verificar.
O relatório, a que o Observador teve acesso, concluiu que, “em termos gerais”, tanto a Câmara como a promotora cumpriram “maioritariamente com as obrigações recíprocas previstas nas clausulas do contrato”. Foram, contudo, detetadas uma série de “deficiências” que “são imputáveis ao promotor”, nomeadamente atrasos na entrega de “elementos prévios” à realização do evento, na abertura das portas no primeiro dia e problemas no fornecimento de refeições aos elementos das equipas de limpeza e da Câmara Municipal de Almada.
No que se refere a deficiências, são imputáveis ao promotor atrasos na entrega de elementos prévios à realização do Festival (planta de implantação, plano de segurança, plano de trabalhos e planos de trabalhos parciais), falta de entrega à CMA de cópia diária de vídeo live dos espetáculos, falta de comunicação do cronograma de pagamentos a artistas e fornecedores, atraso na abertura de portas no primeiro dia (e respetiva comunicação aos elementos da CMA, Proteção Civil e Forças de Segurança), problemas de fornecimento de refeições aos elementos das equipas de limpeza e da CMA, no arranque do Festival”, refere o documento.
Com vista a melhorar o festival, a Direção Municipal de Desenvolvimento Urbano elaborou uma lista de 12 propostas, que incluem ampliação do espaço de estacionamento e o reforço da fiscalização para evitar o estacionamento abusivo (uma das queixas dos munícipes), melhorias das condições de acesso, da sinalética de identificação das casas de banho, pontos de água e posto de apoio médico e da divulgação de informação relativamente aos horários dos concertos e possíveis alterações dos mesmos.