O Benfica sofreu com um problema: a ditadura do tempo. Se Arthur tem demorado menos algumas décimas de segundo a colocar a bola dentro da baliza, os encarnados levavam o jogo para prolongamento e ainda tinham hipóteses de se encontrarem com o Sporting na final da Liga dos Campeões de Futsal. Só que poucas coisas cabem dentro de 0.5 segundos e o golo das águias precisava de mais uns instantes para não extravasar a duração da partida e ser válido. O Palma festejou a vitória por 4-3 que fica para a história de um clube a participar pela primeira vez em provas europeias.
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O passo inicial para duas equipas portuguesas se encontrarem na final da Liga dos Campeões de Futsal estava dado. O Sporting venceu o Anderlecht por 7-1, mas faltava o Benfica fazer a parte que lhe competia para Portugal ter representação máxima no jogo decisivo. O Palma entrava num quarto que, apesar de ser o seu, a equipa não está habituada a ter que percorrer ao escuro. Os espanhóis recebiam na sua cidade, em Mallorca, a Final Four da competição onde se estreavam. Era na experiência dos jogadores que o Palma tinha o interruptor para acender uma luz que dispensasse exageradas cautelas na abordagem à meia-final com o Benfica. Tayebi, Chaguinha, Mancuso (três antigos jogadores dos encarnados), Mario Rivillos (ex-Inter, Barça e Levante) ou Marlon Araújo (internacional brasileiro) davam ao Palma, alavancado pelo público, a sensação de poder equilibrar o jogo, apesar do Benfica estar pela sétima vez nesta fase da competição.
O treinador do Benfica, Mário Silva, realizava o oitavo jogo ao leme dos encarnados, após ter assumido a equipa no final de março, tempo suficiente para conquistar a Taça de Portugal. “Apesar do pouco tempo que ainda tenho de clube, nesta segunda passagem, a nossa ambição é uma só que é ganhar a competição. Sabemos que temos qualidade para isso, sabemos também que temos algumas deficiências que queremos esconder. Vimos com um único objetivo, estamos preparados e viemos para ganhar”, comentou o técnico na antevisão. “Preocupamo-nos com aquilo que controlamos e aquilo que controlamos são as nossas tarefas, os nossos comportamentos e aquilo que temos que fazer dentro de campo do ponto de vista ofensivo, defensivo. Sabemos que vamos jogar contra uma equipa que tem o público por trás, mas também temos consciência que isso nos pode trazer um valor acrescido dentro do jogo”. Antes do encontro, Mário Silva desvalorizou 0 pouco tempo para consolidar ideias no Benfica. “Vamos defrontar uma equipa que tem um processo de treino há imenso tempo, o que nós não temos. Isso é uma desvantagem, mas o Vadillo [treinador do Palma] também teve alguma dificuldade em preparara um Benfica que mudou há um mês atrás”.
O símbolo do intercâmbio entre jogadores de Benfica e Palma na Luz é Diego Nunes. Depois de cinco temporadas em Espanha, o brasileiro mudou-se esta temporada para Lisboa. Assim, era uma voz credível para analisar o adversário. “É uma equipa muito organizada, cada jogador sabe muito bem o que tem que fazer, o seu papel dentro do campo. Digo sempre que nesta altura da temporada, o Palma dá um salto de nível e cresce bastante. Acredito que o Palma está num bom momento, num bom nível e temos que estar muito concentrados. É um jogo a eliminar que é decidido nos detalhes. A equipa que estiver mais concentrada no jogo, a que errar menos, vai levar a eliminatória”, referiu.
Apesar do Benfica olhar com expectativa para a chegada a uma eventual terceira final da Liga dos Campeões de Futsal, o Palma, segundo classificado do campeonato espanhol, queria mostrar perante o seu público que podia chegar à conquista do troféu. “Estamos muito satisfeitos por representar a Espanha na Liga dos Campeões. Vai ser um jogo difícil, mas acreditamos que podemos cumprir o desafio desta meia-final”, vaticinou o treinador do Palma, Antonio Vadillo.
Era visível que o piso do Velòdrom Illes Balears, infraestrutura construída para receber provas de ciclismo, estava bastante escorregadio nos momentos iniciais do encontro. A primeira equipa a deslizar foi mesmo o Benfica. Nem dois minutos de jogo e o guarda-redes encarnado, Léo Gugiel, derrubou Cainan. O árbitro assinalou grande penalidade e Tayebi bateu Martim Figueira, que entrou apenas para tentar defender a soberana oportunidade.
A reação do Benfica refletiu-se numa tentativa de subir a agressividade defensiva. Quatro faltas em menos de cinco minutos não foram suficientes para parar Cléber quando o jogador do Palma atacou, rematou sob o lado esquerdo e encontrou Mancuso para este encontrar ao segundo poste e fazer o 2-0. As ações do Benfica pecavam pela displicência. Onde estava um jogador encarnado, estavam três do Palma para anular as intenções da equipa da Luz. Chishkala roubou a bola a meio-campo e, seguido por Rocha, criou uma situação de dois para zero com o guarda-redes dos espanhóis, Luan, a conseguir defender.
A quatro minutos do final da primeira parte, o Palma chegou às cinco faltas. Quando se podia pensar que o Benfica ia tirar partido dessa fragilidade, foi Tayebi que bisou. Rivillos conduziu a bola em contra-ataque, ultrapassou os limites do campo para chegar à baliza contrária – com o esférico a seguir sempre dentro das quatro linhas – e, quando não tinha mais por onde correr, entregou ao iraniano mais um golo. Caso o Benfica não conseguisse marcar rapidamente, os encarnados podiam ficar em sérios riscos de não mais entrarem na luta pelo resultado. Assim, os comandados de Mário Silva apostaram no guarda-redes subido, que até então não tinha provocado qualquer efeito. Numa exceção, Léo Gugiel entregou em Chishkala junto à ala e o russo reduziu.
Chishkala ???? O Benfica está de volta ao jogo.⁰
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Nos primeiros instantes da segunda parte, Léo Gugiel, que até tinha mostrado alguma intranquilidade com a bola nos pés, continuou a aportar um risco necessário à estratégia encarnada. Numa dessas situações, tentou o remate e reduziu a desvantagem para apenas um golo. Durou pouco. Cainan não perdeu tempo a esgueirar-se a Bruno Coelho e voltar a dar um conforto de dois golos ao Palma. Apesar de tudo, era um Benfica mais incisivo do ponto de vista ofensivo, mas permeável na defesa. Entre o dá cá, põe lá, Gonçalo Sobral deixou outra vez o resultado desnivelado pela margem mínima.
Foi o Gugiel (????) lá à frente mostrar como se faz ????⁰
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QUE JOGO ????
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O Benfica tentava então o empate. No entanto, a expulsão de Rocha por, na opinião do árbitro, ter dado uma cotovelada na cara de Marlon na típica jogada em que o pivô tenta ganhar posição sobre o fixo, deixou os encarnados em apneia durante dois minutos. A equipa de Mário Silva assustou-se com uma bola no poste, mas conseguiu não sofrer enquanto esteve em inferioridade numérica.
Com o passar do tempo, o Benfica começou a insistir no guarda-redes subido, só que o Palma parecia confortável na defesa deste momento específico. A sensivelmente três minutos e meio para o fim do encontro, Bruno Coelho vestiu a camisola de guarda-redes avançado. Entre algumas oportunidades que o Palma teve para fechar o encontro, Bruno Cintra e Jacaré, na mesma zona, quase empataram. As águias sofriam e com 0.5 segundos no cronómetro, Chishkala, em desespero, atirou a bola para área e Arthur marcou, mas, de acordo com os árbitros o tempo estava esgotado. O Benfica foi assim eliminado da Liga dos Campeões de Futsal e falha o acesso à final onde não marca presença desde 2010. As esperanças portuguesas de ter dois representantes na final caem por terra.