O Papa Francisco revelou que quando foi arcebispo de Buenos Aires o governo da Argentina, liderado por Cristina Kirchner, quis condená-lo, apoiando acusações de que teria colaborado com a ditadura militar em 1970. As declarações foram feitas durante uma conversa com um grupo de jesuítas na recente visita à Hungria, a 29 de abril, mas só foram divulgadas esta terça-feira pelo Civilta Cattolica, uma publicação jesuíta italiana.
Segundo noticiou a Reuters, o Papa respondia a uma pergunta de um dos jesuítas sobre a relação com Francisco Jalics, um padre jesuíta nascido na Hungria que durante a década de 70 fazia trabalho social numa favela em Buenos Aires e foi detido pelo regime juntamente com um companheiro, o padre Orlando Yorio.
Francisco, que na altura era o superior dos jesuítas na Argentina, chegou a ser acusado de ter denunciado os dois padres à junta militar, acusações que sempre negou. “A situação [durante a ditadura] era muito confusa e incerta. Depois desenvolveu-se a lenda de que eu os tinha entregado para serem presos”, afirmou o Papa perante o grupo de jesuítas.
Em 2010, época em que era arcebispo de Buenos Aires, Francisco chegou mesmo a apresentar-se perante perante um painel de três juízes que investigavam o período da ditadura “Algumas pessoas no governo queriam ‘cortar-me a cabeça´ … No fim a minha inocência foi estabelecida”, revelou. Terá sido um desses juízes a revelar-lhe, após ser eleito Papa, que tinham recebido instruções do governo para o condenar.
Nunca ficou provado que o atual líder da Igreja Católica esteve envolvido na detenção dos dois padres. O próprio padre Jalics rejeitou em 2013 o envolvimento do pontífice na sua detenção.