A dificuldade das famílias portuguesas no acesso a creches fez disparar, nas últimas semanas, a procura por serviços de amas. De acordo com a Associação dos Profissionais do Regime de Amas (APRA), há mesmo listas de espera em várias zonas do país, face à elevada procura – a que a oferta não consegue dar resposta.
A procura aumentou imenso, imenso. E temos listas de espera”, explica ao Observador a porta-voz da APRA, Luísa Sousa.
A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) revelou, na semana passada, que tem recebido dezenas de pedidos de ajuda de famílias que não encontram vagas nas creches para deixar as crianças, conhecendo casos extremos em que um dos pais se despediu.
Confederação tem dezenas de pedidos de ajuda de pais sem vagas em creches
A porta-voz da Associação dos Profissionais do Regime de Amas confirma as dificuldades das famílias. “Temos notado que, desde que entrou em vigor a medida que prevê a gratuitidade das creches, a procura tanto para a creche tradicional, em sala, como para as amas, em creche familiar, tem sido imensa”, explica Luísa Sousa.
Mas, se a procura é elevada, a oferta não acompanha. “Há uma procura maior neste momento, mas há falta de vagas para a quantidade de pedidos”, assume a responsável da associação. E acrescenta: mesmo que a oferta de amas no país duplicasse, não chegaria para fazer face à atual procura por estes serviços.
A informação que tenho tido, de várias amas da nossa associação, é que mesmo que houvesse o dobro das profissionais disponíveis e o dobro das salas em instituições livres, algumas crianças iriam continuar de fora”, alerta a porta-voz da APRA.
Em declarações ao Observador, Luísa Sousa detalha que Lisboa e Vale do Tejo é a região com mais procura por amas. Há também muita procura, atualmente, na região norte, no Porto, e centro, em Leiria.
Ouça aqui as declarações da porta-voz da APRA:
Dificuldade no acesso a creches faz disparar procura por amas
A Associação dos Profissionais do Regime de Amas representa um grupo de profissionais integradas em Instituições de Acolhimento Infantil, como a Santa Casa da Misericórdia, Segurança Social, e IPSS.
No ano passado, o Governo lançou o programa Creche Feliz, que deveria garantir o acesso gratuito a uma creche para todas as crianças nascidas depois de setembro de 2021, mas a oferta existente só dá resposta a metade dos bebés. Em 2021, havia 118 mil vagas para as 250 mil crianças com idade de frequentar uma creche, segundo dados da Carta Social.
Perante esta realidade, o Governo decidiu que as creches poderiam aumentar o número de vagas, adaptando salas existentes ou permitindo ter mais uma ou duas crianças por sala.
Há famílias que fizeram a inscrição para reservar vaga e aderir à bolsa de creche gratuitas no passado ano letivo e continuam, atualmente, sem ter qualquer resposta, diz a CONFAP.
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou, esta semana, que criou 9.000 novas vagas gratuitas em creches nos últimos dois meses, graças à portaria para aumento da capacidade de resposta, havendo atualmente, no global, 85 mil vagas.
Governo diz ter criado 9.000 novas vagas gratuitas em creches em dois meses