O Presidente da República tem uma popularidade elevada nos primeiros seis meses de mandato, quase nos 70%, mas ainda está aquém das avaliações que o antecessor atingiu no primeiro meio ano em Belém. Marcelo Rebelo de Sousa, numa autêntica lua de mel dos afetos, não só chegou a ultrapassar os 90% de opiniões positivas, em setembro de 2016, como atingiu recordes de popularidade que não voltariam a ser batidos. Nem pelo próprio que, como é habitual no exercício de cargos políticos, terminou com pior imagem do que começou. António José Seguro teve, no entanto, um arranque melhor do que Cavaco Silva nos primeiros seis meses.

A sondagem da Pitagórica para TVI/CNN e Nascer do Sol, divulgada a 12 de setembro, mostra que 69% dos inquiridos aprovam a forma como o Presidente da República tem desempenhado as suas funções e que apenas 20% desaprovam o trabalho feito. O barómetro político da Aximage de setembro de 2016, quando se completavam seis meses de mandato de Marcelo mostra que o antecessor tinha números astronómicos e muito superiores a Seguro, com 91,1% dos inquiridos a dizerem que Marcelo atuou “bem”, aos quais ainda se somavam 4% que definiam o desempenho como “assim-assim”, e apenas 3,1% classificavam como “mal“. Não só eram muito mais os que aprovavam o trabalho de Marcelo como eram muito menos os que desaprovavam. Os inquiridos davam ainda a Marcelo uma nota quantitativa de 18,9 de zero a 20, um autêntico recorde.

Um outro barómetro do mesmo mês, da Eurosondagem, para a SIC e para o Expresso, avaliava positivamente Marcelo Rebelo de Sousa com números menos exuberantes, mas ainda assim elevados. 71% dos inquiridos faziam uma avaliação positiva do até então meio ano de mandato presidencial, aos quais se juntavam 11,7% que diziam que a intervenção não era “nem boa, nem má” e apenas 13,3% faziam uma avaliação negativa. Mesmo fazendo uma média dos dois barómetros — que podia não ser uma metodologia correta, tendo em conta a diferença de critérios — Marcelo teria uma popularidade a rondar os 80%, sempre significativamente maior que Seguro.

Os meses seguintes — com os quais ainda não é possível fazer uma comparação com Seguro — comprovaram a histórica popularidade de Marcelo. Dois meses depois, o então Presidente da República reunia, numa sondagem do Centro de Sondagens da Católica, a avaliação positiva de 97% dos inquiridos, com uma média de 16,3 pontos (de zero a 20). O valor correspondia à nota “mais elevada das sondagens Católica desde que havia registos” daquele centro de estudos (novembro de 2014). Esse resultado histórico surgiu em contraciclo com a função presidencial: por essa altura, há cinco anos que o chefe de Estado não tinha uma avaliação média positiva.

É, no entanto, habitual que os chefes de Estado terminem com pior popularidade do que começaram. Marcelo Rebelo de Sousa chegou à fase final do mandato — de acordo com a sondagem da Pitagórica para a CNN de janeiro — com 56% de avaliações positivas (51% classificaram a atuação de “boa”, 5% de “muito boa”) e 40% de negativas (28% a classificar de má e 12% de muito má). A popularidade de Seguro é, por isso, maior em setembro do que era de Marcelo em janeiro. Este facto ajuda a perceber que o chefe de Estado em funções tem mais apoio popular atualmente do que tinha há oito meses o antecessor, mas os cenários de fim e início de mandato — por essa circunstância — criam uma entorse de análise se for feita uma comparação direta.

António José Seguro tem, no entanto, um arranque melhor do que Aníbal Cavaco Silva no parâmetro relativo a avaliações positivas. No barómetro de setembro de 2006, da Marktest, o primeiro Presidente da República da área política do PSD viu 63,8% dos inquiridos a classificarem a sua atuação nos primeiros seis meses de mandato como positiva (aquém dos 69% de Seguro), embora tivesse menos avaliações negativas do que o atual Presidente (9,5% contra as atuais 20% de Seguro).

Seguro e o sucesso junto de mulheres (que em Marcelo chegou mais tarde)

António José Seguro tem uma maior aceitação junto do eleitorado feminino: o índice de aprovação junto das mulheres é de 71% contra 19% de opiniões desfavoráveis; junto dos homens, a avaliação positiva está nos 66% enquanto 22% têm uma opinião desfavorável do chefe de Estado.

Nos primeiros seis meses de mandato, na sondagem em que o género era desdobrado (a da Eurosondagem), Marcelo Rebelo de Sousa tinha uma ligeira vantagem de popularidade junto do eleitorado masculino. Mas muito tangencial. Os inquiridos do sexo masculino tinham uma taxa de aprovação do Presidente de 71,1% contra 70,8% das mulheres. Nesse caso, os homens também eram mais críticos: 13,9% tinham opinião negativa da Presidência de Marcelo contra apenas 12,7% das mulheres. Ao longo do mandato, a popularidade de Marcelo foi crescendo muito junto do eleitorado feminino: quando se recandidatou em 2021, as mulheres e os jovens eram considerados pelos analistas como a sua maior força.

A tracking poll da TVI/CNN/Nascer do Sol também mostra onde António José Seguro é mais forte do ponto de vista geográfico. O Norte do País é onde o Presidente da República é mais popular com 74% de aprovação e 18% de opiniões desfavoráveis. Mas o homem do interior não se dá mal nas selvas de betão e tem como segunda maior taxa de aprovação os centros urbanos: a grande Lisboa, com 70% a favor e 19% contra. Com valores muito próximos estão a Península de Setúbal e a zona Centro, onde se inclui o seu concelho de Penamacor, com 69% de opiniões favoráveis. Já no Sul, tal como na zona de Oeste e Vale do Tejo e nas Ilhas, as taxas de aprovação são igualmente grandes, com 60% dos votos.

O suprapartidário que até no Chega tem mais gente a favor do que contra

Quando a sondagem da Pitagórica olha para a taxa de aprovação por partido em que o inquirido votou nas legislativas, Seguro é popular em todas as principais forças partidárias. Sem surpresa, junto dos eleitores do partido que liderou, o PS, a aprovação é de 86%. À esquerda, mantém um bom score, que vai decrescendo à medida que avança na matriz do centro-esquerda para a esquerda mais ortodoxa: tem 80% de opiniões favoráveis no Livre, 78% no Bloco de Esquerda e 62% na CDU.

Os comunistas estão menos contentes com Seguro do que, por exemplo, o eleitorado da AD, em que 75% dos inquiridos avaliam de forma positiva a atuação do Presidente da República. E a isto somam-se apenas 15% de desaprovação da coligação que junta PSD e CDS. Na IL a aprovação também é maior que no PCP (67%), mas a desaprovação é superior à AD com quase um terço (29%) de opiniões negativas. Mesmo no Chega, o partido onde a ação de Seguro é menos apreciada, há mais apoiantes do partido de André Ventura a aprovar a atuação do Presidente (43%) do que a reprovar (42%).