Um homem que em 2019 participou num programa na France 2 – onde explicou como o seu trabalho, na polícia, envolvia garantir a segurança das pessoas – será o assassino em série que era procurado há mais de três décadas pelas autoridades. Amigos do antigo polícia, que morreu em 2021, falaram com a televisão francesa BFM TV e dizem-se totalmente surpreendidos com as revelações “arrepiantes” sobre a vida dupla do homem.
Graças a testes de ADN, François Veróve já tinha, em 2021, sido identificado como principal suspeito de uma série de crimes graves, entre os quais nove homicídios, incluindo menores de idade, além de 30 acusações de violação. Foi agora revelado, pela revista feminina Marianne, que participou num concurso televisivo cujo título se pode traduzir como “Todos querem tomar o seu lugar”.
Nesse programa, que tinha muita audiência em França, explicou que trabalhava num parque em Paris, como polícia. O apresentador do programa perguntou-lhe se era polícia e o homem, de barba grisalha e sorriso simpático, confirmou: “Sim, a pé, de mota ou a cavalo”. O local onde estava mais frequentemente, acrescentou, era uma zona verde de Paris chamada Bois de Boulogne, um parque conhecido pela prostituição noturna. E o seu trabalho envolvia “manter seguras as pessoas que passeiam no parque”.
Na realidade, como se soube mais tarde, o homem já tinha sido despedido desse emprego mais de uma década antes, em 1986, por “questões de vício” não especificadas. Tinha deixado, nessa altura, de ser oficial do regimento de cavalaria da Guarda Republicana francesa.
Poucos anos depois de aparecer na televisão, em 2021, Vérove foi encontrado morto – um aparente suicídio – num apartamento alugado. Deixou uma carta a confessar os seus crimes, admitindo ter matado pessoas inocentes por causa de ataques de raiva que tinha ocasionalmente. Esses acessos de raiva só teriam continuado até 1997, ano em que, lia-se na nota de suicídio, o homem tinha conseguido controlar esses impulsos homicidas.
“O homem que conhecia parecia incapaz de tamanhas atrocidades, e isso é que é tão arrepiante” afirmou, Denis Jacob, antigo colega de profissão, em declarações ao canal francês BFM TV.
O homem era casado e a sua mulher disse aos investigadores que nunca se apercebeu da dupla personalidade do marido. Nunca tinha tido a impressão de que o homem tentava esconder dela qualquer coisa relacionada com uma vida dupla. Aliás, foi a própria viúva que recordou que François tinha participado num programa de televisão, o que demonstra que não era uma pessoa que fizesse tudo para evitar ser reconhecida publicamente.
Depois da morte de François Veróve, especialistas forenses compararam o ADN com os perfis genéticos encontrados nos locais dos vários crimes e verificaram que coincidiam. Foram encontrados vestígios numa cave em Paris, onde Cécile Bloch, uma menina de 11 anos, foi violada e assassinada em maio de 1986.
A polícia também encontrou o ADN de François no local do crime de um homicídio de um casal em Paris, em 1987, e de Karine Leroi, 19, em Meaux, à saída de Paris, em 1994. Também foi identificado aquele mesmo ADN num local do crime onde cinco crianças foram violadas.
A polícia está a examinar a sua potencial ligação no caso de nove homicídios, incluindo menores, e 30 casos de violações e abusos. Se isto for comprovado, o antigo oficial do regimento de cavalaria da Guarda Republicana, tornar-se-ia um dos piores serial killers franceses.