António Gandra D’Almeida, diretor executivo do SNS que se demitiu após reportagem da SIC revelar que terá recebido 200 mil euros em acumulação de funções incompatíveis, também prestou serviços no hospital de Gaia enquanto estava a dirigir o INEM.

De acordo com o jornal Público, o tenente-coronel do Exército, entre novembro de 2021 e 2024 — os anos em que esteve à frente do INEM até tomar posse como diretor executivo do SNS —, continuou a fazer cirurgias nas urgências do Hospital de Gaia, como tarefeiro. A somar a isso, em 2022, tripulou viaturas de emergência médica do Hospital de Abrantes.

Apesar de o jornal ter tido acesso a um documento oficial do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que dá conta da prestação de 200 horas de serviço nesse ano, e de uma fonte médica ter confirmado a mesma informação, Gandra d’Almeida garantindo que não é verdade: “Se fui, de certeza foi antes de ir para dirigente do INEM. Isso tenho a certeza.”

Gandra d’Almeida apresentou a demissão poucas horas depois de uma investigação da SIC revelar que foi, simultaneamente, diretor do INEM do Norte, e médico tarefeiro nas urgências hospitalares de Faro e Portimão, no Algarve. Ao Público, o tenente-coronel continua a dizer que estava em conformidade com a lei, realçando que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde fará o seu trabalho e logo se verá da legalidade ou não”.

Diretor executivo do SNS apresenta demissão após reportagem revelar que terá recebido 200 mil euros em acumulação de funções incompatíveis

Embora a lei declare que tal situação é incompatível, o atual diretor executivo do SNS terá conseguido uma autorização sob a garantia de que não iria receber vencimento, mas documentos consultados pela estação de televisão indicam que Gandra d’Almeida recebeu mais de 200 mil euros por esses turnos, no qual a hora de trabalho era paga a 50 euros. Os contratos terão alegadamente sido efetuados com uma empresa criada por Gandra d’Almeida com a sua mulher e da qual seria gerente.

Especialista em Medicina de catástrofe, o cirurgião António Gandra D’Almeida sucedeu a Fernando Araújo na Direção-Executiva a 22 de maio deste ano, tendo estado sete meses no cargo. Esteve colocado em diferentes unidades e órgãos do Exército e no Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) com funções de chefia e de coordenação. Da sua folha de serviços constam seis louvores, concedidos por membros do Governo, bem como por altas patentes das Forças Armadas.

António Gandra D’Almeida. O homem “bom” e fazedor de pontes que vai tentar “humanizar” o SNS