” Vítor, c*****, pede a demissão”. Não foi preciso esperar pelo apito final em Barcelos para perceber o estado de espírito dos adeptos do FC Porto. Os dragões perderam pela terceira vez consecutiva, caíram para o terceiro lugar da Primeira Liga e Vítor Bruno continua a ser a face mais visível de um período muito difícil para a equipa e para o clube.

Vítor, para deixar a pele em campo é preciso aparecer em campo (a crónica do Gil Vicente-FC Porto)

O FC Porto perdeu com o Gil Vicente depois de ter perdido com o Sporting e o Nacional na semana passada, está agora a um ponto do Benfica e a quatro da liderança do Sporting, entrando numa série de três derrotas consecutivas que já tinha acontecido em novembro. Os dragões não perdiam duas vezes seguidas para o Campeonato há nove meses, desde a temporada passada, têm apenas uma vitória nos últimos oito jogos disputados fora de casa e há 22 anos que não sofriam oito derrotas nos primeiros 29 encontros da época.

Na flash interview, Vítor Bruno fez uma breve análise ao jogo e não escolheu meias-palavras, abordando até o facto de Pepê não ter sido convocado para a deslocação a Barcelos. “Um jogo em que o adversário faz um golo na primeira aproximação. A equipa tem volume, chegada à baliza, mas depois tem pouco critério na definição. Na segunda parte entrámos fortes, a equipa estava bem, a crescer, e depois aquele segundo golo deita abaixo a equipa. A equipa vai tentando com coração, faz o 2-2 num lance estranho que acaba por ser revertido, e depois sofre o penálti e o jogo acaba aí. Aí acaba por aniquilar tudo o que tínhamos lançado para a segunda parte”, disse o treinador.

“Nesta fase, o que sentimos é que o adversário capitaliza tudo o que vai criando. Nós temos lances com uma definição um bocadinho melhor… É preciso ter gente com caráter. A equipa não se encolheu, foi à luta. Mesmo numa fase difícil tem uma boa reação, reação de equipa grande. E depois novamente num detalhe, um desvio… Estamos a ser demasiado castigados com tudo o que cometemos em termos de erros”, acrescentou Vítor Bruno, que não conta com Nico González e Samu na receção ao Santa Clara na próxima jornada, já que ambos foram expulsos.

“Se calhar é preciso perceber que não somos aquilo que pensamos ser, nesta fase”, atirou o treinador, comentando depois a ausência de Pepê da convocatória. “O Pepê não está aqui por vontade dele. Quando um jogador se autoexclui de participar nos jogos… O treinador tem pouco a fazer. Há muitos que querem, outros não querem tanto. Quem quer veio, lutou, entregou-se de alma. Isto é para quem quer”, terminou, antes de garantir que continua a achar que é “claramente parte da solução” e não “um problema” para o FC Porto.

Gonçalo Borges foi o representante da equipa na zona de entrevistas rápidas, depois de ter marcado um golo e ter visto outro ser anulado, e não escondeu que a equipa está a atravessar um período complexo. “Na primeira parte não tivemos muitos lances do golo, tentámos, não entrámos tão bem na primeira parte. Temos de fazer uma reflexão. É um momento difícil, entrei nesta casa com 14 anos e sei bem o que é ser FC Porto. Sei o que é ser homem e nestes momentos pedem-se homens. É o que vão ver daqui para a frente. Vão ver homens no balneário e dentro de campo, não vai faltar nem um bocadinho de dedicação”, começou por dizer o avançado, deixando a ideia de que a saída de Vítor Bruno não é a solução.

“O que os jogadores podem prometer é que vão dar o máximo. Trabalhamos todos os dias com o mister Vítor, quando há resultados menos bons a culpa é sempre do treinador. Os adeptos têm de perceber que não é só culpa dele, os jogadores também têm responsabilidade. O resto não sou eu que decido, são outras pessoas. Vítor Bruno neste momento é treinador do FC Porto e nós estamos com ele”, terminou.