Poucos dias antes do início do julgamento que opõe o príncipe Harry e o grupo de media dono do The Sun, os duques de Sussex foram capa da Vanity Fair, num artigo que tem pouco de elogioso. Com o título “American Hustler”, ou “Golpada Americana”, o texto traz declarações de “dezenas de pessoas que trabalharam ou viveram próximas do casal”, e que pintam um retrato de um Harry pouco interessado em trabalhar e uma Meghan Markle difícil de lidar, e com atitudes de “adolescente má”. De acordo com fontes ouvidas pelo The Times, os dois rejeitaram as acusações feitas pela revista.

Harry queria apresentar um podcast de entrevistas a sociopatas

A publicação foca-se em alguns dos negócios em que Harry e Meghan se envolveram nos últimos cinco anos, desde o anúncio da saída da família real britânica. Um deles é o acordo firmado com o Spotify em 2020, que a imprensa internacional especulava rondar os 20 milhões de dólares. O objetivo era criar podcasts centrados em “narrativas poderosas e valores universais”. Três anos depois, o casal produziu apenas dois podcasts: um especial de Natal e “Archetypes”, um podcast apresentado por Meghan que discutia estereótipos contra mulheres, com convidadas como Mariah Carey, Paris Hilton, entre outras. A produção teve apenas 12 episódios até o anúncio do fim do acordo, em meados de 2023. De acordo com o artigo da Vanity Fair, o podcast só saiu do papel pela pressão do Spotify em produzir conteúdo, já que nem Harry nem Meghan teriam dado início voluntariamente a nenhum projeto. Um antigo empregado da Spotify disse à publicação que os dois “não faziam o que as celebridades fazem nos podcasts, que é ligar o microfone e falar. Eles queriam um tema grandioso que explicasse o mundo, mas não tinham ideias”.

Entretanto, Harry terá apresentado uma ideia. Queria entrevistar homens poderosos com histórias de vida complicadas, as quais os teriam transformado em sociopatas. De acordo com fontes ouvidas pela revista norte-americana, Harry queria falar com personalidades como Mark Zuckerberg, Vladimir Putin e Donald Trump. “Tive muitos traumas na infância. Obviamente. Basicamente a minha mãe foi assassinada. O que há sobre mim de diferente que não me transformei num destes homens maus?”, terá dito o príncipe a uma pessoa que terá trabalhado com o casal na produção de conteúdos de áudio.

Sobre Harry, outras pessoas ouvidas pela revista terão dito que o príncipe “parece o tipo de pessoa que estaria feliz em trabalhar para projetos de caridade o resto da vida e estaria feliz se Meghan ganhasse todo o dinheiro e ele não tivesse que o fazer”. A opinião ganha eco em outras declarações sobre o príncipe. “Acho que ele provavelmente gostaria de ser deixado em paz e poder beijar bebés de vez em quando mas não ter de estar preocupado com dinheiro. Não acho que ele quer ser famoso da forma como Meghan quer”.

Contudo, até mesmo o trabalho social do casal foi colocado em causa pelo artigo da Vanity Fair. De acordo com a publicação, a associação Archewell arrecadou 13 milhões de euros em 2021 e apenas 2 milhões em 2022, ainda não tendo revelado os valores arrecadados em 2023 e 2024. “Torna-os porta-vozes de causas”, pondera Elaine Lui, conhecida comentadora social canadiana. “Mas por ser uma associação recente, eles ainda não têm um registo de serem capazes de fazer atos de filantropia independente do palácio”.

Funcionários terão precisado de terapia depois de trabalhar com Meghan

O que as fontes ouvidas pela Vanity Fair têm a dizer sobre Meghan, entretanto, são opiniões ainda mais duras. Pessoas que terão trabalhado nos projetos de media do casal dizem que a duquesa de Sussex segue um padrão no tratamento dos funcionários, que é ser muito calorosa no início e depois tornar-se “fria” ao querer culpar pessoas por “coisas que correram mal”. A publicação dá o exemplo da divulgação de Archetypes, que teve um teaser em março de 2022, cinco meses antes de o podcast ser lançado e sem ter, sequer, conteúdo para promover. De acordo com uma pessoa que trabalhou com Meghan, a duquesa pode ser “mesmo, mesmo horrível, é muito doloroso”. Outra fonte chega a comparar as atitudes da antiga atriz a de uma “adolescente má”.

O podcast terá sido também motivo de stress para alguns funcionários. Uma pessoa terá entrado de baixa depois de trabalhar em três episódios, deixando a produtora depois disso. Outros afirmam terem feito longas pausas para “escapar ao escrutínio”, ao saírem do local de trabalho ou “ao fazerem terapias de longo prazo depois de trabalharem com Meghan”.

“Vilões” da vizinhança em Montecito

A publicação terá também falado com residentes na zona de Montecito, em Santa Bárbara, para onde Harry e Meghan se mudaram depois de deixarem a família real britânica, em 2020. O casal vive numa mansão milionária ao lado de celebridades como Leonardo Di Caprio, Natalie Portman, Gwyneth Paltrow ou Oprah. Contudo, a vizinhança ouvida pela revista norte-americana considera os duques de Sussex “vilões”. “Acho que todos, incluindo os famosos A-list, prefeririam que Montecito não estivesse no mapa como está”, disse um morador. Atribuem à vinda da família o aumento nos preços e as visitas de pessoas de fora da cidade, a conduzir rápido e a estacionar nos trilhos locais onde Meghan já foi fotografada anteriormente.

Imediatamente depois da publicação do artigo, declarações de Sharon Stone feitas em 2020 ao Access Hollywood, voltaram à tona, de forma a defender o casal. “O que é ótimo sobre eles é que não vieram para viver da nossa comunidade, vieram para ser parte da comunidade. A minha amiga disse que estava sentada no carro e eles passaram de bicicleta e acenaram enquanto ela aguardava o semáforo abrir. Eles são parte da comunidade, doam, cuidam e participam. Não estão aqui com uma atitude superior”.

A Vanity Fair justifica os poucos comentários positivos sobre os duques de Sussex com os acordos de não divulgação que os funcionários do casal são forçados a assinar antes de começarem a trabalhar. Outras pessoas terão afirmado que Harry e Meghan são muito fechados e não revelam muito da sua vida privada nem mesmo para aqueles que com eles convivem. Há ainda quem justifique as atitudes do príncipe e da antiga atriz com o trauma que ambos viveram nas mãos dos tabloides britânicos. Entretanto, as fontes concordam num tema: Harry e Meghan estarão “profundamente apaixonados”. O casal não falou com a publicação e não reagiu oficialmente a nenhum outro órgão de comunicação social. Estarão bastante ocupados e focados em resolver questões próprias. Neste momento, Meghan prepara a estreia da sua nova série de lifestyle na Netflix, que foi adiada e só chega à plataforma de streaming em março, enquanto Harry deve viajar em breve ao Reino Unido para um longo julgamento contra o grupo dono do jornal The Sun.