“Hoje não podia ser mais difícil…!!!!
Jogam contra a melhor equipa do mundo e contra uma Seleção que tem tudo a favor: a experiência, o favoritismo, o pavilhão cheio de gente que acredita que isto já está ganho antes mesmo de começar.
Mas é precisamente por ser assim que este é o jogo perfeito.
É o jogo onde podem provar que nada está escrito antes de ser jogado.
Onde podem desafiar a lógica, onde cada bola disputada pode mudar a história.
É o tipo de jogo que mais gozo dá ganhar – porque ninguém, a não ser vocês e os portugueses, acreditam que é possível.
Aproveitem esta oportunidade única. Sintam a pressão, mas não deixem que ela vos tire o prazer.
Entrem em campo com a confiança de quem não tem nada a perder e tudo a conquistar, cada segundo neste jogo vai valer a pena.
A montanha à vossa frente é a maior de todas – mas quem disse que vocês não são capazes de escalá-la?”
Resultou com a Alemanha, valia a pena tentar outra vez. No lançamento da crónica do Portugal-Alemanha, optámos por recuperar a mensagem de apoio nas redes sociais de Ricardo Costa, treinador do Sporting, ex-internacional e pai de Martim e Kiko. Funcionou. Agora, numa tarefa bem mais hercúlea, não custava nada agarrar de novo nas palavras de quem sabe para resumir em nove frases aquilo que os Heróis do Mar iriam ter pela frente em Oslo para mais um jogo de uma vida contra aquela que é, com alguma distância, a melhor seleção do mundo (e o facto de ser tricampeã é apenas um número, como se viu ao longo desta prova). Podia tornar-se um talismã? Difícil de prever. Mas Portugal tem um mérito que ninguém lhe pode retirar, qualquer que fosse o desfecho dos últimos dois jogos no Mundial: fez por merecer o direito de sonhar alto.
A estatística dizia tudo: em seis jogos entre Portugal e Dinamarca, os escandinavos tinham ganho sempre e só por uma vez a diferença não foi muito desequilibrada (Europeu de 2000, 28-26). Mais: nos últimos 35 jogos na competição, os dinamarqueses tinham consentido apenas dois empates entre 33 triunfos. Paulo Pereira, como não poderia deixar de ser, acreditava que poderia subir ainda um pouco mais até ao Evereste. “Aquilo que estamos a fazer aqui é um trabalho gigante, uma luta contínua. E, no fundo, quando pensamos em nós, também pensamos nos outros. Os outros são os portugueses que nos veem, os nossos familiares e toda a gente que nos apoia. Oxalá possamos fazer um jogo épico. Se ganharmos, pode ser épico outra vez, até porque temos tido vários jogos épicos durante esta competição. Vamos fazer de tudo para, uma vez mais, orgulhar Portugal”, comentara, entre reparos ao facto de este ser apenas o primeiro jogo a passar na RTP 1.
Elogios não faltavam e chegavam também do outro lado, com Nikolaj Jacobsen, selecionador dinamarquês, a assumir que Portugal poderia bater-se e até mesmo ganhar a qualquer seleção num dia bom. Problema? Para bater os escandinavos, teria de ser um dia perfeito. Não foi. E de forma natural, o maior mérito de Portugal foi ter conseguido manter-se no encontro durante a primeira parte, algo que poucos ou nenhuns se podem “gabar”. A Dinamarca é a melhor seleção do mundo, o desgaste físico de toda a caminha também se fez sentir, houve falhas técnicas em momentos chave que quebraram a resistência possível, Emil Nielsen foi uma autêntica parede na baliza. De forma natural, Portugal perdeu e vai lutar pelo bronze com a França.
O encontro começou com a Dinamarca a mostrar todos os argumentos de uma equipa dominadora e Portugal a ter dois momentos de infortúnio que acabaram por fazer a diferença no “disparar” dos escandinavos com o parcial de 5-2 em cinco minutos com dois golos de Rui Silva: Victor Iturriza foi excluído após agarrar o braço de Lukas Lindhard numa transição rápida, Kiko Costa levou dois minutos por levar com a bola nas costas na tentativa de Emil Nielsen colocar no meio-campo, Fábio Magalhães ficou também de fora por uma aparente entrada incorreta. O comboio começava a “partir” e a Seleção tentava voltar aos ataques organizados para regressar aos golos e tentar depois impedir as saídas rápidas, a grande arma da tricampeã mundial.
Houve sinais de recuperação. Portugal trabalhava bem no ataque com Iturriza e Luís Frade como pivôs, a primeira linha estava a assentar naquilo que Martim Costa conseguisse fazer depois da diagonal, houve uma aproximação de novo aos dois golos de atraso (6-4), algumas falhas técnicas com o nervosismo de Kiko Costa a funcionar como exemplo paradigmático do peso do momento levaram a desvantagem de novo para quatro golos (8-4). “Foi só aquele momento inicial, já estamos a recuperar o controlo do jogo”, ia reforçando Paulo Pereira. Emil Nielsen continuava a fechar a baliza defendendo os dois primeiros livres de sete metros (só António Areia conseguiu marcar) mas Portugal recusava-se a resistir mesmo com um Gidsel endiabrado, a marcar ou ganhar sete metros. A 20 minutos do final, os Heróis do Mar estavam apenas a um golo (13-12).
Nikolaj Jacobsen, que é aquele tipo de treinador que pode ter dez golos de avanço e continua a pressionar os jogadores para não falharem e serem pragmáticos, estava “virado” e parou o encontro para falar com o seu grupo, não só pelas dificuldades defensivas de encaixe como pelos problemas em ataque organizado que a Seleção ia criando. Com Diogo Rêma a entrar melhor do que Capdeville, Salvador Salvador a ser um gigante na defesa e Martim Costa a recusar “esconder-se” na frente, Portugal nunca deixou a Dinamarca descolar de forma decisiva, como aconteceu em muitos outros jogos neste Mundial apenas nos 30 minutos iniciais, chegando ao intervalo com uma desvantagem de quatro golos (20-16) e com bola no recomeço do jogo.
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???????? Os melhores entre os gigantes! ????
????????????: Rui Silva
???????????? ????????????????????????: António Areia©️ Saša Pahič Szabó / kolektiff#heroisdomar #portugal #andebolportugal #inspiredbyhandball pic.twitter.com/pgenGTp7VD
— Federação de Andebol de Portugal (@AndebolPortugal) January 31, 2025
A segunda parte chegava com tudo ainda em aberto dentro das dificuldades há muito conhecidas, a segunda parte teve um início que praticamente ditou o resto do encontro. Por um lado, com mérito da Dinamarca à mistura, Portugal eclipsou-se em termos ofensivos, tendo também um Emil Nielsen que voltou ainda melhor e ultrapassou a percentagem de 40% de eficácia entre algumas falhas técnicas. Por outro, com Gidsel a fazer o que quer mostrando que é o melhor lateral do mundo, os escandinavos não pararam de marcar em ataque organizado e saídas rápidas. A diferença foi para cinco. Para seis. Para sete. O jogo estava acabado quando faltavam ainda 20 minutos por jogar, num filme já antes visto perante o desgaste de todos os adversários.
Dinamarca ha sido un rodillo inalcanzable para Portugal. (40-27) Lo del 2ºT ha sido una exhibición de los daneses. Es un lujo ver a Gidsel y sus diabluras o a Nielsen (MVP) bajando la persiana. Será la 7ª final para Dinamarca, que buscará su 4º título consecutivo. Algo inédito pic.twitter.com/oBIrLwdvYg
— Luis Miguel López (@Luismilopez5) January 31, 2025
Com o encontro mais do que resolvido, Paulo Pereira aproveitou para fazer alguma rotação numa equipa que em termos físicos pagou a “fatura” da primeira parte, algo em que Jakobsen também apostou mas em versão mais reduzida. Com Emil Nielsen na baliza e Gidsel a atacar, a Dinamarca foi aumentando os números da goleada de forma natural frente a uma Seleção que perdeu intensidade defensiva e discernimento ofensivo. Esse é também um dos segredos dos escandinavos: a ganhar por um, por cinco ou por dez, nunca tira o pé do acelerador quase como um sinal de “respeito” pelo adversário e pela modalidade. O 40-27 não mostra de forma fiel a atual diferença entre as equipas mas acabou por ser um desfecho lógico numa meia-final que só teve história durante 30 minutos e acabou com o MVP Nielsen a fazer 15 defesas em 40 remates.
Denmark cruise to the #CRODENNOR2025 final ???? The only team in history to qualify for the fourth time in a row, the only team to score 40 goals in a semi-final — ???????????????? ???? ???????????????? ????#inspiredbyhandball #CRODENNOR2025 pic.twitter.com/hesJlCkaqa
— International Handball Federation (@ihfhandball) January 31, 2025
DENMARK WILL PLAY FOR GOLD ????????????#CRODENNOR2025 #inspiredbyhandball @DanskHaandbold pic.twitter.com/2uEzQjkmk8
— International Handball Federation (@ihfhandball) January 31, 2025